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Dois corações.

Dia ensolarado seguido por uma noite fria, em mim havia uma estranha agonia, ansiedade talvez, diferente de outros dias combinados, iriamos nos encontrar pela primeira vez, seus passos eram macios e silenciosos bem como as batidas do meu coração antes de te conhecer, ao te ver tudo em mim mudou, minha vida foi a mais afetada por tamanha alegria, quando você chegou era somente o que eu via, ao nosso redor um mundo existia mas os meus olhos tinham um só foco, embriagado com uma imensa alegria sempre que você sorria, suas confissões contando-me sobre passadas confusões e as coisas boas que tivera vivido, meu peito tornou-se abrigo de até então ausentes emoções, até que num instante as batidas de nossos corações sincronizarão, seu colo aproximando-se e a sua boca na minha, suas mãos umedecidas a tocar minha pele fria, tornar aquele momento eterno, era tudo que eu queria, quero, espero e vivo as emoções que despertou em mim, dia pós dia...

- Thiago Rafael.

Homenagem a minha amada vó.

Hoje deixo uma homenagem a minha amada vó por tudo que foi e fez em vida e o amor que mesmo em sua partida ainda cultiva diariamente em nossos corações e que sua ausência não seja capaz de retira-la de nossas mentes pois dia pós dia quem a ama sente uma constante saudade e a verdade tem de ser dita, você foi e sempre será o grande amor da minha vida.
Sinto sua falta mas você me ensinou a sorrir ao invés de chorar e que a alegria é maior que a tristeza, obrigado por tudo. Amo-a cada dia mais e com mais intensidade...

- Vó.

Seu caminhar era lento e paciente, seu semblante quase sempre transparente, dizia-me coisas frágeis sobre a vida as quais nunca se esvairão de minha mente, seu sorriso era verdadeiro e durante o dia inteiro satisfazia-se com o balançar de sua rede, até mesmo quando sozinha contava sobre a vida para as paredes, consigo mesma era satisfeita pois em vida quase não lhe faltara alegria, todos os dias ao acordar-se encarava o amanhecer com uma esperança renovada, tivera sida destinada a viver em pró dos sorrisos alheios, isso a alimentava e a deixava preenchida por inteira, era jovem em seus noventa e poucos anos bem vividos, era sã e ansiosa em conhecer o paraíso mas pouco sabia que o paraíso projetava-se em seu sorriso, pois no coração de quem conquistou seu lugar, ao partir deixou saudade e por sua tamanha vaidade não haverá em vida quem possa a substituir...

Thiago Rafael.

Curta estádia.

Sangrava enquanto chorava, suas mãos calejadas de tanto apoiar-se em seu ultimo sopro de esperança, ainda quando criança a vida tirou-lhe grande importância de seus dias, as poucas alegrias que tivera enquanto jovem, mas o tempo não espera quem algo perde e as coisas ao redor se movem, sem importar-se com a dor ou quem por ventura do destino entrega-se ao amor, dividida entre bem e mal meio a rotina de uma vida normal, naufragou seus pensamentos em doses pequenas de alegria alimentando-se com vestígios de sorrisos, os dias se passavam e sem que percebesse quantas noites lhe restavam, abraçou seu amado e decidiu da rotina fugir, arriscou uma nova vida mas não teve êxito, quanto mais tentava mais saia do eixo, seu futuro fora confinado a viver sem muito ter...

- Thiago Rafael.

Adeus.

Não se importou se era noite ou dia, se havia tristeza ou alegria, veio silenciosamente como uma repentina dor de cabeça a perturbar nossa mente, esgueirando-se entre as brechas da fechadura, acertou-me o peito de uma forma tão intensa quanto um coice de uma assustada mula, faltou-me o ar e os olhos começaram a esbugalhar, minha pele pouco a pouco foi ficando cada vez mais fria e o pouco sopro de vida em mim quase não mais existia, encarei-me numa projeção astral vendo-me lutando pela vida enquanto ao meu redor só havia lágrimas e uma crescente agonia, todos os olhos alheios a me observar com tamanha estranheza, presenciando mais uma obra da natureza, algo tão surreal e assustador mas ao mesmo tempo tão simples quanto o cair da chuva em nossos ombros, havia dor pois havia também amor, no entanto não houve bom ou mal sentimento que livrou-me daquele momento, fiz a malas sem nada levar e segui rumo ao nada pois havia pouco tempo e uma longa estrada por encarar, deixei tristeza mas também ei de dizer a verdade, houve na partida quem também sentirá saudade...

- Thiago Rafael.

Galhos secos.

As escuras meu peito grita sangrante, enamorado pelo meio amor de uma noite lenta e fria, lá fora meus olhos observam com horror a crescente agonia ao encarar-me frente ao espelho, aqui dentro com os olhos fechados sinto a suavidade do silêncio moribundo que atordoa-me os sentidos, deixando-me desorientado e esvaído dos pensamentos que remetem-me tristezas de outrora, crescem raízes nos meus imóveis pés e um asqueroso lodo em minhas canelas, estou parado frente ao meu semblante refletido sem ir de encontro a nada que me eleve ou me distraia, estou entregue as baratas e aos corvos que no ponto mais alto de mim fazem seus ninhos, ecoando em meus ouvidos seus sussurros canibalescos, alimentando-se dos meus restos mortais, ali permaneço, entregue ao decadente estado de putrefação em que meu corpo encontra-se ao ter sido domado pela solidão que causou-me a primeira insônia de minha vida, desde então o branco de meus olhos deu lugar a vermelhidão, já não enxergo um palmo a frente, me resumo a coração e mente, conjuntos opostos diariamente confrontando para quem sabe um dia por domínio de um possa eu regressar ou seguir, ter meus dias preenchidos pela tristeza ou pela alegria.

- Thiago Rafael.
"Alguns momentos incríveis de nossas vidas passam despercebidos como lágrimas na chuva..."
- Thiago Rafael.

As transgressões nas amizades e a decadente ilusão midiática que intervem nas relações.

Bom dia, boa tarde, boa noite.
Deixo-lhes com uma reflexão sobre amizade e vos indico de coração com mesma verdade a qual escrevi estas palavras, repassem-na se desejarem e espero que vos sirva assim como serviu a mim mesmo nesta passagem da minha vida. Obrigado.

- As transgressões nas amizades e a decadente ilusão midiática que intervem nas relações.
Por Thiago Rafael.


Muitas vezes como num piscar de olho, pessoas passam a fazer parte de nossas vidas dotadas de uma importância cujo valor sentimental chega muitas vezes a superar os sentimentos dedicados a nossos familiares, pessoas externas ao nosso vinculo sanguíneo que conquistam-nos com tamanha facilidade devido a suas unicidades que nos completam, compreensivas, extrovertidas, conselheiras, desastradas, problemáticas, humanas com suas particularidades que de algum modo interferem em nosso dia a dia com algo que de um estranho modo encontramos apenas naquela pessoa o que precisamos em determinados momentos, alguns de nossos amigos são ótimos para quando estivermos perdidos sem sabermos quais rumos dar-nos a nossa vida nos orientarem e dar-nos uma luz para os problemas que enfrentamos, outros são ótimos para nos fazer sorrir quando estamos para baixo e as coisas ao nosso redor estão sem sabor, estes quase sempre são os que mais valorizamos já que dia pós dia a realidade nos empurra de encontro ao chão nos esmagando com a crueldade que a cada dia cresce e cada vez mais afeta o coração de pessoas boas ao nosso redor, mas não deixe-se enganar com o coleguismo, algo que cresce entre as pessoas iludindo-as a crer que isso é o mesmo que amizade, está quase sempre nas pessoas que mais envolvem-se nas relação conjuntas em grupos de "amigos" cujas semelhanças são exaltadas e muitas vezes, na maioria delas as qualidades particulares de cada um são passadas em branco e de uma forma crescente são menosprezadas, pessoas estas cujos sentimentos bons vão se perdendo a medida que cada vez mais vão sendo desprezados por quem diz-se amigo mas na realidade aproxima-se somente pelo interesse em algo que portam como gostos, bens materiais e financeiros.
Vivemos numa constante propagação das "amizades midiáticas" cujos meios de comunicação como internet a expande de uma forma destrutiva, tais pessoas passam a mendigar curtidas, seguidores, comentários sem punho nenhum de realidade somente para suprir um ego que existe somente na nuvem, no mesmo lugar onde armazenam seus mp3's, fotos e outros bens virtuais, estas pessoas tornam-se cada vez mais vazias e desprezíveis de tal modo que você só vale aquilo que você ostenta virtualmente, suas virtudes, sentimentos e ações não possuem um demonstrativo de curtidas logo não possuem valor já que você não é popular, com isso cada vez mais cresce a rede de pessoas cujos interesses resumem-se a menosprezar os outros e isolar pessoas com qualidades reais que tem muito mais a somar na vida de um individuo de que todo um circulo de mil amigos na rede social.
Cada vez mais nos vemos limitados a poucas amizades, cada vez mais torna-se raro encontrar pessoas que não queiram somente usufruir de nós e quando estivermos na baixa de alegria, dinheiro e bens estes ditos amigos nos esquecem e passam a iludir outros com suas palavras aplicadas no conceito de copiar e colar, imitando personagens midiáticos de novelas, séries, filmes etc, tornam-se verdadeiros fantoches de um sistema manipulador de pessoas de bom coração cujos interesses eram somente de viver algo real, algo com real valor para toda uma vida que hoje podemos resumir a poucos dias, numa certa manhã acordamos chamando alguém pelo Whatsapp de "melhor amigo", dias depois devido a estarmos numa crise financeira e sem muito sair devido a limitada verba que portamos a pessoa passa a nos ignorar, de melhor amigo passamos a um mero ser invisível cujo valor resumia-se ao dinheiro que se tinha na carteira e das tantas cervejas e petiscos pagos em vão, neste momento somos tomados por uma dor similar a mil laminas perfurando nosso coração, fazendo-nos sentir-se descartável, inútil e tantas vezes um completo idiota sentimental.
Em uma certa passagem de nossas vidas vivemos amores e deixamos de viver algumas amizades, pois também existem aqueles que alimentam-se de nossa tristeza, de nossa solidão e de nossa carência, são estes os "amigos" que fazem parte de nossa vida somente quando estamos entregues a liberdade de vivermos a solidão de igual modo a eles, quando solteiros por termos mais tempo que comprometidos alguns destes ditos amigos nos valorizam e nos exaltam chamando-nos de apelidos como "best", uma linguagem tão docemente venenosa quando passada a vida de solteiro e vivida a vida de comprometido, nos tornamos desinteressantes, chatos, melosos, afinal de contas agora diferente das dores causadas pela solidão estamos tomados por um bom sentimento que nos trazem sensações que afloram nossas publicas demonstrações de afeto por quem nos é o motivo de tantos risos, os amigos da solteirisse são como sanguessugas a alimentar-sem de nossa tristeza e nos proporcionar alegrias momentâneas que não nos preenchem de igual modo o qual somos preenchidos quando estamos amando, mas não vos deixei enganar por qualquer amor passageiro pois de igual modo existem sanguessugas que alimentam-se de nossa carência e usufruem de nossos bens sentimentais e materiais até enjoarem de nós, fiqueis atentos pois alguns amigos são mais valiosos que um amor e você pode também pela cegueira de uma paixão ferir alguém cujas emoções por você são verdadeiras e te aconselha para que não vos deixei cair nas garras de quem deseja somente aproveitar-se de você.
Em poucas palavras, amigo é aquele que não se pode afirmar sua importância com 1, 2, 3 anos de amizade, amigo é aquele que está com você por muito tempo e que já enfrentou muita coisa ao teu lado, é aquele que já te estendeu a mão para ajuda-lo e para pedir-lhe ajuda pois amigo de verdade não tem medo de abrir o coração para você e lhe ser sincero por mais que isso te machuque, por mais cruel que seja a verdade que lhe virá a tona cedo ou tarde, permita-se aprender e ensinar quem te valoriza do mesmo modo que você valoriza, não vos deixei tornar-se apenas mais um numero entre tantos outros que cederam ao escravismo contido na ilusão de viver "a melhor amizade" pois amigos brigam, amigos choram, amigos sofrem por sua causa, por causa de vocês, por causa deles.
Sempre que for fazer algo por alguém, imagine se você gostaria de passar pelo mesmo, de receber o mesmo, de viver o mesmo, nunca faça nada contra a vontade dos outros mas seja sábio ao contradizer-se neste dilema quando perceber que será mais importante sacrificar-se para o bem de um amigo contradizendo o desejo dele ao ver que isso o fará mal, neste momento estará exercendo uma prova de amor a si mesmo por entender a importância de alguém na sua vida, por isso não desista de quem é importante para você pois de igual modo as pessoas podem desistir de você...

Você nasce, cresce e morre sozinho, mas sempre existirá pessoas que estarão dispostas a sacrificarem tempo, dinheiro e emoções para auxilia-lo na sua estadia em vida, faça o mesmo por quem merecer e siga feliz pois a vida é suficientemente cruel conosco diariamente para que nos entreguemos a burrice de abaixarmos a cabeça para a vida, nas palavras de Rocky Balboa, "não importa o quanto você seja forte e o quão bata forte, o importante é o quão forte você aguenta apanhar e erguer-se sempre que a vida quiser derruba-lo."

Namastê.

Henry e June, Delírios Eróticos - 1990 - (Sem Legenda)

O filme conta o início da relação de Henry Miller com Anaïs Nin. Henry vai viver para França e é convidado pelo marido de Anaïs a visitá-los. Anaïs, à procura de algo de novo, mais espontâneo, apaixona-se pela vivacidade de Henry. Porém, Henry está apaixonado por June.

Anaïs, nutrindo admiração por Henry, começa a observá-lo, e apaixona-se pelo amor que ele tem por June. Essa paixão também a faz apaixonar-se por June. No meio desses sentimentos, inicia-se uma relação de Henry com Anaïs, transformando suas vidas, tanto de escritores como de amantes.

Henry & June é um filme estadunidense de 1990, do gênero drama erótico e biográfico, dirigido por Philip Kaufman.
É uma adaptação cinematográfica da obra Henry, June and me, de Anaïs Nin. O filme tem trilha sonora de Mark Adler.

Passei horas buscando um link que pudesse assistir o filme online ao menos que legendado mas sem exito, o único que fora descoberto foi este com seu áudio em francês:
http://www.dailymotion.com/video/xqzobv_henry-e-june-1_shortfilms
"Os sentimentos nublam a mente e confundem os sentidos..."
- Thiago Rafael.
"A juventude envelhece, a imaturidade é superada, a ignorância pode ser educada e a embriaguez passa, porém, a estupidez é eterna."

"São pelos inimigos, e não pelos amigos, que as cidades aprendem a construir muros altos."

"Quem é sábio, aprende muito com os seus inimigos."

- Aristófanes.

O Clube do Imperador - 2002 - (Dublado)

William Hundert (Kevin Kline) é um professor da St. Benedict's, uma escola preparatória para rapazes muito exclusiva que recebe como alunos a nata da sociedade americana. Lá Hundert dá lições de moral para serem aprendidas, através do estudo de filósofos gregos e romanos. Hundert está apaixonado por falar para os seus alunos que "o caráter de um homem é o seu destino" e se esforça para impressioná-los sobre a importância de uma atitude correta. Repentinamente algo perturba esta rotina com a chegada de Sedgewick Bell (Emile Hirsch), o filho de um influente senador. Sedgewick entra em choque com as posições de Hundert, que questiona a importância daquilo que é ensinado. Mas, apesar desta rebeldia, Hundert considera Sedgewick bem inteligente e acha que pode colocá-lo no caminho certo, chegando mesmo a colocá-lo na final do Senhor Julio Cesar, um concurso sobre Roma Antiga. Mas Sedgewick trai esta confiança arrumando um jeito de trapacear.

Não consegui upar o vídeo para ser assistido aqui, no entanto é possível assisti-lo diretamente no link do Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=0sIXdfWwMEE

Companhia tua.

As horas vão passando lentamente e o reflexo do seu semblante no espelho encara-me de um estranho jeito que faz-me o coração acelerar, como num mergulhar em águas claras o teu sorriso atiçou o meu com mesma intensidade, meus olhos estranhamente brilhantes exalavam verdades que acobertavam a tristeza presente em outrora comigo, desfiz-me e me despi, atirei-me de encontro ao uivante timbre de tua suave voz, um abrigo para meus pensamentos que neste momento embriagam-me intensamente, quisera eu ser capaz de por um instante não pensar na gente, mas só em ver-me desviar o sorriso dando espaço a uma possível tristeza, por ventura da natureza perco a sensação de estar no paraíso, pois é como me sinto sempre que ao meu lado você está.

- Thiago Rafael.
"Não permita-se deprimir por quem mais faz-lhe sorrir que chorar..." - Thiago Rafael.
"Quero você para compor meus dias, noites e nossas próprias canções..." - Thiago Rafael.

Regresso.

Hoje eu quero simplesmente sentar e encarar a máquina de escrever enquanto as palavras que usufruo para descrever-lhe soam quase tão pesadas quanto os pingos da chuva que caem nesta manhã, o sol lá fora me parece mais tímido que nos outros dias quando você esteve aqui comigo, a nitidez da musica parece ofuscada por uma distração que move-me de um canto a outro da casa sem deixar-me ciente das razões que levaram-me a deixar de lado meu livro predileto e afogar-me neste texto tão composto de você e tão ausente de mim, a medida que os dias vão passando e em mim cada vez mais presente a tormenta que pouco a pouco vai ficando cada vez mais densa, não creio fielmente que a razão de minha existência resuma-se a um tristonho fim sem frutos proveitosos para o amanhã, outro dia, outra manhã, desta vez mais ensolarada, mais recheada de pensamentos positivos e de um distinto sorriso que pertence somente ao meu semblante, neste instante você vem de encontro aos meus olhos e tudo que posso é sentir seu abraço acolhendo-me, dizendo-me sobre o universo de saudades que domou-lhe na ausência de minha voz em seus ouvidos, a musica que havia transformado-se em zumbido e a falecida beleza do cantar dos pássaros, por hora de um lado a outro de sua casa ficava a contar seus passos, quase tomada pela loucura viu-se mergulhando feito eu numa amargura que rouba-lhe o pouco ar que circulava em seus pulmões, dois tristões optando por caminhos opostos contra a própria vontade e no calor da ansiedade vindo de encontro um ao outro, tocando mãos, busto e rosto até que o cruzar dos lábios nos silenciasse com o mais prazeroso gosto...O amor.

- Thiago Rafael.
"A solidão é um punhal sussurrante que fere-me covardemente neste instante..." - Thiago Rafael.

Hawking, O Filme - 2013 - (Legendado)

O filme conta, nas próprias palavras de Stephen Hawking e de membros de sua família, como um estudante brilhante com uma queda para festas se tornou o físico proeminente que ajudou a desvendar os segredos do universo, do Big Bang aos buracos negros. O cosmólogo relata a extraordinária história de como superou uma grave deficiência física para se tornar o cientista vivo mais famoso do mundo.


Stephen William Hawking (Oxford, 8 de janeiro de 1942) é um físico teórico e cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas da atualidade. Doutor em cosmologia, foi professor lucasiano de matemática na Universidade de Cambridge , onde hoje encontra-se como professor lucasiano emérito, um posto que foi ocupado por Isaac Newton, Paul Dirac e Charles Babbage. Atualmente, é diretor de pesquisa do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica (DAMTP) e fundador do Centro de Cosmologia Teórica (CTC) da Universidade de Cambridge.

Eu, Christiane F. 13 Anos, Drogada e Prostituída - 1978 - (Dublado)

Christiane Vera Felscherinow, a mais conhecida como Christiane F. (Hamburgo, 20 de maio de 1962), é uma escritora e blogueira alemã, ex-viciada em heroína, que se tornou célebre por contribuir para o livro autobiográfico Wir Kinder vom Bahnhof Zoo, publicado e editado pela revista alemã Stern em 1978 e que descreve sua luta contra o vício durante a adolescência.


Paraísos Artificiais - 2012 - (Nacional)

Érika (Nathalia Dill) é uma DJ de sucesso e amiga de Lara (Lívia de Bueno). Durante um festival onde Érika estava trabalhando, elas conheceram Nando (Luca Bianchi) e, juntos, vivem um momento intenso. No entanto, logo depois o trio se separara. Anos depois Érika e Nando se reencontram em Amsterdã, onde se apaixonam. Mas apenas Érika se lembra do verdadeiro motivo por que se afastou logo depois de se conhecerem, anos antes.


O Cheiro do Ralo - 2007 - (Nacional)

O Cheiro do Ralo é um filme brasileiro de longa-metragem de humor negro, produzido e distribuído em 2007, com roteiro baseado no romance homônimo de Lourenço Mutarelli.

É o segundo filme de Heitor Dhalia, que estreou na direção com o longa Nina. O mesmo entrou em cartaz nos cinemas em 23 de março de 2007, em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Baseado em livro homônimo de Lourenço Mutarelli teve seu roteiro escrito por Marçal Aquino e o próprio Heitor Dhalia.


Dona Flor e Seus Dois Maridos - 1976 - (Nacional)

Dona Flor e Seus Dois Maridos é um filme brasileiro de 1976, do gênero comédia, dirigido por Bruno Barreto. Baseado no livro homônimo de Jorge Amado, foi adaptado por Bruno Barreto, Eduardo Coutinho e Leopoldo Serran. A direção de fotografia é de Murilo Salles.


No início da década de 1940, Dona Flor, sedutora professora de culinária em Salvador, é casada com o malandro Vadinho, que só quer saber de farras e jogatina nas boates da cidade. A vida de abusos e noites em claro acaba por acarretar sua morte precoce num domingo de Carnaval de 1943, deixando Dona Flor viúva. Logo ela se casa de novo, com o recatado e pacífico farmacêutico da cidade. Com saudades do antigo marido que apesar dos defeitos era um ótimo amante, acaba causando o retorno dele em espírito, que só ela vê. Isso deixa a mulher em dúvida sobre o que fazer com os dois maridos que passam a dividir o seu leito.

Bonitinha, mas Ordinária ou Otto Lara Resende - 1981 - (Nacional)

Bonitinha mas Ordinária ou Otto Lara Resende é um filme brasileiro lançado em 26 de janeiro de 1981, baseado na peça homônima de Nelson Rodrigues.

Foi a segunda adaptação para o cinema da obra de Nelson Rodrigues, a primeira foi rodada em 1963.


Edgard é um rapaz humilde, fato esse que o constrange. Procurado por Peixoto, genro do milionário Werneck, dono da firma onde Edgard é escriturário, ele recebe a proposta de se casar com Maria Cecília, filha de Werneck, de 17 anos que fora currada por cinco negros. Pelo dinheiro, Edgard aceita, mas tem dúvidas por gostar de Ritinha, sua vizinha. Já com o casamento acertado, Edgard e Ritinha vão despedir-se num cemitério, onde ela conta o que faz para conseguir sustentar a mãe louca e as três irmãs. Toda a trama gira em torno das hesitações de Edgard, até sua escolha final.

Nosferatu; O Vampiro da Noite - 1979 - (Legendado)

Nosferatu: Phantom der Nacht (no Brasil, Nosferatu - O Vampiro da Noite) é um filme teuto-francês de 1979 dirigido por Werner Herzog, que fez o roteiro baseado na obra de Bram Stoker.

Embora a história seja baseado no romance de Stoker, o filme é uma homenagem ao clássico Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens de F. W. Murnau (1922), no qual foi criada a personagem Nosferatu pois os produtores não conseguiram os direitos da história original e nem tampouco o nome Drácula. Entretanto, na versão de Herzog - realizado quando o romance já estava em domínio público - o personagem volta a se chamar Conde Drácula, embora o nome Nosferatu apareça num livro que a personagem Jonathan Harker (Bruno Ganz) carrega consigo, além de ser o título do próprio filme. Curiosamente, foi trocado o nome de Mina para Lucy, que no romance é apenas sua amiga. O filme apresenta modificações tanto em relação à obra de Murnau quanto ao romance de Stoker. O vampirismo, nesta versão, aparece fortemente vinculada à Peste Negra.

O filme foi a segunda colaboração do diretor com Klaus Kinski, com quem realizaria um total de cinco filmes e sobre quem ainda dirigiria o documentário Meu Melhor Inimigo (1999), um retrato da tumultuosa amizade entre os dois.

Justine - 1969 - (Legendado)

Em 1938, o escritor irlandês Darley relembra sua viagem três anos antes a Alexandria, quando ainda era um jovem professor. Ele era amigo de Pursewarden, um funcionário do consulado britânico, e através dele conhece Justine, uma ex-prostituta que agora é esposa de Nessim, um banqueiro egipcio copta cristão. Darley tinha um caso com outra prostituta e dançarina do ventre, a ingênua e tuberculosa Melissa, mas esquece dela para viver seu romance com Justine. Ele desconfia que Nessim sabe do adultério de Justine e teme que faça alguma coisa contra ela. Enquanto isso o irmão de Nessim, o orgulhoso Narouz, se revolta contra os muçulmanos que são a maioria no Egito, e os quais teme que subjugarão a minoria copta assim que os britânicos abandonarem o país, por força do tratado de 1936.


Saló Os 120 dias de Sodoma - 1975 - (Legendado)

O filme foi inspirado no livro Os 120 Dias de Sodoma do Marquês de Sade e conta a história de um grupo de jovens que sofre uma série de torturas por quatro fascistas durante o ano de 1944, quando a Itália era dirigida por Mussolini. A obra, tida por muitos como uma das mais perturbadoras da história do cinema, é dividida em 3 fases, chamadas de 'círculos', que são o Círculo das Manias, onde os fascistas satisfazem seus desejos sexuais; o Círculo das Fezes, repleto de escatologia, onde os jovens são obrigados a ingerir fezes; e o Círculo de Sangue, onde os prisioneiros desobedientes são punidos através de mutilações, torturas físicas e assassinato.


Marat -1967 - (Legendado)

Paris, início do século XIX. Era moda as sofisticadas platéias irem ver teatrais apresentações cujos atores eram loucos, pois isto fazia parte da terapia. Neste contexto uma audiência chega a Charenton para ver uma peça, que foi escrita pelo Marquês de Sade (Patrick Magee), um interno do hospital. Sade dramatizou o assassinato de Jean-Paul Marat (Ian Richardson), um dos líderes da Revolução Francesa, por Charlotte Corday (Glenda Jackson) e usou este fato histórico para servir de ponto de partida para um debate imaginário sobre política, sexualidade e violência entre ele e Marat. Após a apresentação o Marquês explica para a audiência que seu drama quer estimular o pensamento sobre estes assuntos controversos. Enquanto isso os paciente-atores, levados fora pela retórica da peça, iniciam uma revolta.


A Queda da Casa de Usher - 1928 - (Legendado)

O filme conta-nos a história de Sir Roderick Usher, que envia um pedido de auxílio a um amigo, pois a sua irmã gémea Madeline (Margarite Gance, mulher do realizador Abel Gance) está a morrer sob estranhas circunstâncias. Ao chegar à mansão Usher, o amigo descobre que a presença de Madeline faz-se na pintura de Roderick, obcecado por pintá-la. O retrato parece ganhar vida, enquanto Madeline enfraquece cada vez mais.


O clássico da paranoia e suspense do escritor Edgar Allan Poe foi transposto para o cinema inúmeras vezes, mas nenhuma comparada com esta obra-prima da vanguarda francesa, dirigido pelo visionário Jean Epstein e tendo como assistente de direção Luis Buñuel.

Um exercício cinematográfico de pura mestria, inspirado no conto de Edgar Allan Poe: "A Queda da Casa de Usher", escrito por Jean Epstein e pelo até então assistente de realização, Luís Buñuel.

Este foi o filme que lançou Jean Epstein para o sucesso, com a sua assombrosa realização, uma verdadeira obra-prima!

Jean Epstein prova aqui um profundo conhecimento da arte cinematográfica e recorre a efeitos especiais, como a desfocagem, a conjugação criativa entre som e imagem (a cargo do engenheiro de som Roland Candé), extremamente importante para a construção dramática, o ralenti (câmara lenta), e a sobreposição, na famosa cena em que Madeline está prestes a desmaiar. Neste filme, cada cena tem a sua vida própria, a apresenta-se como uma pintura viva, resultado da manipulação temporal.

- Fonte: Films de France

Lolita - 1997 - (Legendado)

Em 1947, um professor de meia-idade (Jeremy Irons) de origem inglesa vai lecionar literatura francesa em uma pequena cidade da Nova Inglaterra e aluga um quarto na casa de uma viúva (Melanie Griffith), mas só realmente decide ficar quando vê a filha (Dominique Swain) dela, uma adolescente de 14 anos por quem fica totalmente atraído. Apesar de não suportar a mãe da jovem se casa com ela, apenas para ficar mais próximo do objeto de sua paixão, pois a atração que ele sente pela enteada é algo devastador. A jovem, por sua vez, mostra ser bastante madura para a sua idade. Enquanto ela está em um acampamento de férias, sua mãe morre atropelada. Sem empecilhos, seu padrasto viaja com sua enteada e diz a todos que é sua filha, mas na privacidade ela se comporta como amante. Porém, ela tem outros planos, que irão gerar trágicos fatos.


OBS: É preciso ter conta no youtube para assisti-lo e recomendo a maiores de 16 anos.

O corvo. (Tradução de Machado de Assis)

Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais."

Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora.
E que ninguém chamará mais.

Discurso em seu casamento.

Eu sempre imaginei encontrar uma mulher que me trouxesse paz, que me trouxesse conforto e que me aceitasse exatamente como eu sou.
Ai eu conheci você, e você não era nada disso...
Ao invés de paz, você trouxe um monte de novidades para minha vida.
Ao invés de conforto, você trouxe um novo modo de pensar, novos lugares para conhecer.
E ao invés de me aceitar como eu sou, você me fez descobrir que eu podia ser muito melhor...
Nós somos muito diferentes, mas somos diferentes de um jeito que eu acho perfeito, porque a gente se complementa.
Você é tudo que estava faltando na minha vida, e eu espero sinceramente poder ser o mesmo para você.
O normal seria eu dizer agora "nunca mude e continue ser essa mulher que eu amo".
Mas na verdade eu vou dizer, "continue mudando, pois assim você continua mudando a minha vida".
Eu te amo, cada vez mais e cada vez de um jeito novo...

- Rafael, 17 de Agosto de 2013.


Ontem.

Meu peito é um horto onde cultivo a alegria de viver o acaso,
Dia pós dia aliviando o fardo de viver sozinho,
Tenho hoje no dia a dia outro caminho,
Algo que me trás o cantar dos pássaros,
Um abraço amigo batizado de ninho,
Até a embriagueis do vinho é prazerosa,
Já não me sinto tão exposto,
Não corro atrás de todas as respostas,
A vida agora possui outro sentido,
Viver com o coração aflito não é uma opção,
É tolice pois esta sensação está de passagem,
Em uma viagem a qual na volta trará boa emoção.

- Thiago Rafael.

De encontro ao acaso.

Por tantos dias e noites encarei o céu desejando que todo mal do mundo caísse sobre mim, era tristonho e tinha a vida como um traço ofuscado, uma poesia em negrito, meu sorriso aflito dizia coisas aos olhos de quem me observada, deixando-me exposto as interpretações de quem já não me amava, meus rebeldes sentimentos que entravam em contra-mão todo tempo deixava-me cada vez mais instável, insuportável devo assumir, vir-me muitas vezes caminhando sem ter onde ir, fisgando alheios sorrisos numa frustrada tentativa de ir de encontro ao paraíso, até que um dia sentei num banco de praça e esperei, esperei e depois que as pernas já não tinham forças para caminhar, que meu rosto não havia expressão e que toda a razão daquele momento havia esvaído de mim, você chegou, seus olhos cor de mel encaravam-me de um doce modo, suas mãos frias tocaram-me o rosto e sua voz meu coração, como num intervalo entre o piscar dos olhos você trouxe-me outra vez razões, vir-me tomado por emoções que aceleravam-me o peito enquanto com o seu jeito contou-me pouco sobre o dia a dia, a alegria que tomou-me era tanta que domado por uma estranha insegurança sentir-me outra vez criança ao lado de seu primeiro amor, você é como um riso num fim de tarde chuvosa, a resposta de um caça-palavras, a chave que abre a caixinha de segredos, é o resumo do meu desejo de ser feliz, é tudo que eu sempre quis, agora conte-me o segredo de sua vida, quais os caminhos que devo seguir para de igual modo fazer-lhe sentir o que em mim reside neste momento, pois corro contra o tempo e vê-la sorrir é tão precioso quanto dizer-lhe a verdade, que toda essa minha ansiedade é a ausência tua que deixa-me assim...

- Thiago Rafael.
"Por incontáveis vezes fui embriagado pela estupidez, mas não há nada que eu tenha feito que ninguém não já fez..." - Thiago Rafael.

Fera ferida.

Como num caminhar sussurrante você veio de encontro aos meus aflitos olhos, seu transparente véu acobertada suas expressões venenosas, ao longe observava seu sorriso de navalhas que apunhalava-me cada vez mais profundo a medida que se aproximava, ao ceder a mascara e encarar-me com seus negros olhos uivantes, vir-me naquele instante tomado por uma insegura sensação, um frio em todo corpo que nem a mais severa estação pudera causar-me tamanha dor, uma acidez nas palavras emitidas com pitadas de ironia e rancor, o aço fervente de suas laminas cravadas até que o punho fosse possível sentir, deixou-me sem ultimas palavras ao partir, vieste verdadeiramente mal intencionada de tal modo que mesmo se amordaçada, sua respiração teria mesmo tom agonizante, hoje sou apenas mais um troféu em sua estante, um objeto sem valor algum, dentre tantos outros o mais comum, aquele cuja origem dizes ser de nenhum lugar, mas soubeste desde que teu uivante olhar fixou-se em mim, tua presa, que por descuido da natureza eu seria teu bem mais precioso, um alguém cujo teu coração sentiria seguro em encorar, mas muito lhe vale o orgulho que o amor, pois em uma vez quem sofre por tal sentimento, não deseja em vida sentir-se igualmente o sofrimento, que ao partir o mesmo a deixa, o teu ei de ser apenas mais um cansado, que ao dizer não assume menor fardo, viver de encontro solidão.

- Thiago Rafael.

Despertar de bons sentimentos.

Vinda a mim com tamanha simplicidade, suas verdades tocavam-me o peito como um atiçar de desejos ocultos, um culto a felicidade que parecia não ter integridade, sentir com tamanha intensidade muito me era desconhecido, depois de tantos baixos ter vivido, vir-me encarar um abrigo cujos sentimentos parecidos encaravam-me de igual modo, frente aos teus olhos, teu sorriso é tudo que noto, estou imóvel pois o mundo parou quando você chegou aqui, como um furacão de bons sentimentos, tomado por um momento o qual não desejo ter fim, tornas-te para mim mais que um belo verso, dizem ser exagero chamar-te de meu universo, perguntam-me se não for perpetuo o que sinto, o que sentes, respondo que não importa, pois teu beijo bateu-me a porta do coração e tudo que desejo é abraçar essa emoção com tamanha intensidade, uma verdade a qual nem memórias nem tempo podem roubar de mim.

- Thiago Rafael.

Caminho.

Do teu sobrenome fiz um poema, um dilema o qual fielmente ei de seguir, escrever os sonhos na ponta do nariz, ir onde somente eu posso, fazer o que gosto e quando quiser, se acaso alguém me disser que é errado, não vou de encontro ao acaso, continuarei até que forças me faltem, tenho consciência do que faço, não sou tudo que falo mas posso metade disso cumprir, mesmo que este desenfreado desejo não me leve a lugar algum, ao fim de tudo não terei arrependimento nenhum, pois vivi momentos que nem mesmo o tempo irá rouba-los de mim.

- Thiago Rafael.

Sentimentos laminados.

Quem me dera o coração poder te dar, de minha vida esvair os maus momentos, penso no tempo que fugir de ti levaria, o quanto eu sofreria na tua presença, espero o quanto antes a sentença, ser aprisionado e isolado do teu olhar, um viciante brilho que me prende a respiração, uma desenfreada reação, de alguém cujo coração só aprendeu a amar, terei de um alto preço pagar, pois teu amor comigo não se encontra, bateu asas para outro lugar, o lar de teus sentimentos tem outro sobrenome, um homem cujas virtudes deixam a desejar, eu tão fiel escudeiro, seria teu mais sincero cavaleiro, cuja vida ei de por ti sacrificar, mas de todos os males o menor, certo dia acordarei e terei meus sentimentos por ti reduzidos a memórias e pó.

- Thiago Rafael.

Canibalesco desejo.


Caro amigo leitor, venho nesta tristonha noite vos confessar, mais verdadeiramente os contar um causo que envolveu-me em algum ponto de minha fantasiosa estrada, uma passagem de minha vida cujos sentidos fora aflorados e a carne de um intimo feminino devorado, mas não vos tratarei com tamanha indelicadeza, não é de minha natureza antecipar-me a dor de um amor de poucas horas, deixo-lhes com uma história que vos confesso desejar aguçar seus pensamentos mais sacanas...

Quase tão belamente fúnebre como uma tarde de luto, veio a mim quase expondo seu farto busto, uma dama de sobrenome Paula, sentou a frente dos meus olhos e fez-me degustar de seu cruzar de pernas, volumosas e lisas refletiam o anseio de meu ser em devorar sua intimidade, as cavidades de suas curvas quase tão perigosas quanto seu olhar, faziam-me tremer vez ou outra de tanto prazer, o fervor que cultivava em meu corpo os pensamentos maliciosos, o vermelho de seu batom, um tom de tamanha provocação conhecendo ela meus instintos mais sacanas, ousou levantar-se e seguir rumo ao toalete, com um fino lenço de um papel barato moldou a vermelhidão impregnada em seus lábios e descartou-o bem como faria com meus desejos, num instante virou-se e olhou-me fixamente nos olhos, tremi outra vez desta de tal modo incontrolado que chegou-me a causar imensa timidez, o nervosismo que em mim tal dama causava, disse-me olá com tamanha gentileza, seu timbre era doce e firme, tomado pela timidez gaguejei como se gago fosse, mas tal moça era gentil e sem muito importar-se com minha reação apenas levantou-se e sorriu, saiu ousando poucas vezes olhar para trás, afinal havia deixado a beira de um infarto um pobre rapaz, cujos pensamentos inflamáveis a envolvia.

Quem diria que tal dama voltasse dias depois aquele singelo local, eu usuário do lugar estava no mesmo assento, quando a vi novamente quase não podia crer por um momento, cocei os olhos três, quatro vezes, suas vestes desta vez eram curtas, sua boca hospedada um batom cor de vinho e seus delicados pés vestiam um vermelho sapato, quase tão brilhante quanto o negro de seus olhos, a figura de seu ser parecia em meu peito laminas a ir e vim num desenfreado pensamento, tomado outra vez pela loucura, vir-me naquele instante uivante e abismado com o volume que causava em minhas vestes, vindo a mim com um perfume sentido a distância, dotada de uma elegância que roubou todos os olhares dos quatro cantos daquele lugar, perguntou-me se podia sentar e outra vez gaguejante afirmei seu pedido, perguntou-me poucas coisas e elogiou o paladar do cozinheiro, convidou-me a ir ao banheiro e sem muito dizer ajoelhou-se frente ao meu intimo latejante, vir-me em transe pois não podia crer, como alguém feito eu desfrutaria das caricias de tão angelical ser, seu batom cor de vinho embriagou-me nas idas e vindas de sua boca, quase tão suave quanto o voar de uma pétala, fazia a festa em meus pensamentos mas não queria demonstrar tamanha infantilidade, mantive-me sério, concentrado em seu sugar de meu gozo, nas raspagens de seus dentes, feria-me sadicamente sorrindo, enquanto indo e vindo seu olhar roubava-me cada vez mais o folego, sentindo literalmente meu gosto fez expelir de mim um fluindo pegajoso, deslizando o indicador em seus lábios, olhou poucas vezes para os lados pois não importou-se em se expor, queria causar-me intenso prazer e dor, fugindo de todo e qualquer pudor que tal momento fosse nos causar, perguntou-me se havia outro lugar que a quisesse e desta vez mais confiante, não mais em tom gaguejante ousei afirmar, seguimos até seu luxuoso carro, guiei-lhe ordenando-a ir mais rápido, vir-me faminto, dominado por um selvagem prazer, sem desprezar o tempo levei-lhe ao meu apartamento, tremulo que mal encaixava a chave, estava nervoso é a verdade, devo confessar, mas não demorou muito para isso mudar, mal abrindo a porta já tomou-me a chave, trancou-nos e empurrou-me levando-me ao chão, pegou minha mão e levou aos seus fartos seios, ainda por baixo de suas vestes brincamos vestidos fantasiando desejos, batia-me no rosto, nos braços, mordia-me no pescoço e firmemente segurava-me o cabelo, com mesma ousadia fiz-lhe algo pior, próximo de nós havia um cipó, o envolvi em minha mão e a chicoteei, alguns gemidos roubei até que a mesma com um felino olhar segurou-me pelo intimo e guiou-nos a outro lugar, desta vez envolvidos em água, nossos corpos a facilmente deslizar, coloquei-lhe com os seios contra a parede, segurando firme em seus longos cabelos, usei-os como cabrestos para neste instante ofegante a guiar, empinava sua intimidade frontal, arrebatava-me freneticamente, suas mãos molhadas de gozo e água surrava-me vez ou outra, ousou muitas vezes mergulhar seus dedos em sua intimidade e leva-los a minha boca, provar de seu intimo a deixava louca, escalamos juntos paredes de prazeres inimagináveis, futuros pensamentos descartáveis que vez ou outra ferem-me ao lembrar, mas ainda fixados naquele momento, estávamos em todos os cômodos, mas o nosso pensamento em outro lugar...

- Thiago Rafael.
:: Inspirado em reais pensamentos.

Você, eu e cicatrizes.

Vem e trás seu sorriso de corretivo, corrigir este corrosivo sentimento, tirar-me o sono e atormentar-me todo momento, ser meu sonho que caminha no vento, bem dentro de um pensamento atropelado pelo seu beijo, teu risonho semblante é tudo que vejo, estou com um cabresto que me guia de encontro a você, és um sentimento, um pensamento difícil de esquecer, descrever talvez mas não será desta vez, que a solidão me entregará a escravidão, ter-lhe esvaindo de minhas mãos.

- Thiago Rafael.

De encontro ao nada.

Muitas vezes ao deparar-me com a solidão,
Vejo-me aprisionando a ilusão em meio as tristes memórias,
Mesmo que em outrora tenha sido satisfeito,
Hoje vejo-me sem jeito para encarar a vida,
Caminhos sem saída,
Outros em contra mão,
As vezes esse turbilhão de sentimentos,
Deixa-me sem chão.

- Thiago Rafael.

Constante solidão.

Teu caminho é incerto, podes partir sem remorsos, fico a encarar objetos que remetem-me lembranças dos dias juntos, tínhamos um ao outro e um só caminho, durante muito tempo não conheci a sensação de estar sozinho, você cultivou em mim emoções cujo tempo preferiu não apagar, ficaram as pétalas no meio do caminho, de encontro a um ninho que de lá você partiu, bateu asas e quando dei por mim só restou a saudade de você, ao anoitecer as corujas choram e quando sai o sol o mar está violento, a leveza do vento perdeu-se em meio a minha tristeza, as vezes penso que a natureza chora junto a mim, vago pelas ruas que caminhávamos embriagados, apaixonados eramos olhados de um estranho jeito, meu coração agora estreito bate tão lentamente, talvez impulsionado pelas memórias que recheiam minha mente, as canções que trazem-me imensa tristeza fazem hoje parte de um cardápio de sabores que compõe cada lágrima que se esvai, a felicidade é um sentimento que constantemente me trai, quando penso que serei feliz, outra vez alguém abre a porta do meu coração e sai, eu por outro lado teimosamente tento, como numa corrida contra o tempo, cultivo um novo amor, mesmo que dure tão pouco, me vale mais o desgosto que optar por viver sozinho, sou ninguém sem um carinho, sou feito pássaro sem ninho, cuja natureza não ensinou a voar.

- Thiago Rafael.

A carta.

Então já é manhã e o sol parece brilhar menos que ontem, você está distante agora e as vezes esqueço seu sobrenome, mas isso não quer dizer que estou amando-a menos a cada dia que passa, talvez a ausência de você me cause dores que afetem minha memória, talvez um beijo de boas vindas me fizesse lembrar, existem mil coisas as quais eu gostaria que fossem diferentes, mas você é uma das quais desejo que permaneça intacta, porque você foi a maior demonstração de algo perfeito, quando os meus dias eram negros e a noite passava sem que eu a pudesse admirar, por incansáveis madrugadas me pus a chorar e você, você foi a responsável por me tirar do abismo que eu estava prestes a me jogar, por isso te peço que lembre o caminho de volta pra casa, existe um alguém a tua espera cujo coração não suporta mais sofrer com a sua ausência, um alguém cuja vida perdeu-se toda a essência...

- Thiago Rafael.
"Essa constante ansiedade em meu ser é na verdade a presente ausência de você." - Thiago Rafael.

Prazeres e versos.

Teus doces lábios perversos, quase tão quanto estes versos que ouso lhe citar, um desejar de águas claras, refletindo o encarar da lua, frente aos meus olhos totalmente entregue, nua, tua pele fria e enrugada, maltratada por minhas mãos calejadas, suas nádegas rosadas de minhas palmadas e um estranho sorriso no rosto, pela janela de nosso úmido quarto esvaiam hinos de luxúria, gritos cujo gosto podia-se sentir, o imaginar alheio fértil e ereto como meu intimo, movimentos leves num ritmo ousando-nos compor, melodias cuja dor notoriamente satisfatória, trouxeram-nos em outrora o mesmo prazer, migrando-nos de amantes a amados, temos nossos corpos idolatrados por quem por ventura se aventura nos observar, um estranho caminhar num universo cujo inverso é quase tão prazeroso que a forma moralmente correta de se amar...

- Thiago Rafael.

Canteiro de fúnebres memórias.

As luzes se apagam no meu canteiro de memórias, um jardineiro cadavérico cujas mãos são ossos, colhendo entre os destroços que restaram de minhas boas memórias, não restaram nem ao menos os fios de cabelo, no espeço ficou o vulto de sangue, uma cicatriz cujas marcas citam poemas, estes ao fim contendo seu nome, do adormecer das corujas ao cantar dos pássaros, são rasos os passos pelos cômodos de nossa antiga casa, descer as escadas é torturante, não tanto quanto encarar nossa foto sorridente na estante, neste instante tudo que me toma é solidão, como vive um andarilho sem chão? viver em vão, foi a herança que seu sorriso deixou cravada em minhas mãos, crucificado dia pós dia por no passado contigo ter vivido uma intensa paixão...

- Thiago Rafael.

Entardecer inseguro.

Cala-me a boca com um beijo teu, sou falante num universo de mudos, sou fruto de um sonho que se perdeu no caminho de um pesadelo, um elo que me conduz por inteiro, jardineiro do teus finos fios de cabelo, responsável pelo desembaraçar de tuas lembranças, sou criança a procura de um lar e só há um lugar onde sinto-me seguro, maduro como fruto num entardecer, você é o caminho mais certo, a trilha no deserto, um paraíso onde quero viver.

- Thiago Rafael.

Voou rasante.

O teu elegante sorriso,
É como um jardim em seu semblante,
Um diamante cujo valor é inestimado,
Tendo vós um passado árduo,
Eis hoje pássaro que caminha na leveza do vento,
O tempo amigo trouxe-lhe estimado abrigo,
Este cujo suave timbre ao fundo poe-lhe a ninar,
Teu despertar é quase tão encantador que o amanhecer,
Com você desconheço hoje o sentido da dor.

- Thiago Rafael.

Luar das lamentações.

Teu semblante sorridente cultiva em mim um abrigo de lágrimas, estas cujas sementes em sua corrente despejam sob o solo do meu peito, um estranho sujeito a caminhar pelos córregos na fria madrugada, o forte cheiro de lodo em minhas botinas, o tinto tom de vinho em sua cortina, fico eu ao pé de sua janela a esperar, momentos estes cujas estrelas choram e a lua se esconde, você e seu amante, um conde cujo nome nego-me citar, desprezíveis risos que ecoam noite a fora, recolho as rosas e o meu bilhete de linhas tortas, sento-me no lar dos boêmios e ponho-me a chorar, amaldiçoados sentimentos a crescer em mim, lamento frente ao espelho, questiono-me de sua validade, não tenho outra verdade, será este o meu fim?

- Thiago Rafael.

Magoas e desejos.

Não cabe a mim designar os sonhos nos caminhos que me levam de encontro a ti, sou apenas um sopro sussurrante de vida que vaga na neblinosa tarde, sou chave de um mistério cuja resposta você já sabia, desdo instante mórbido em que teus batimentos cardíacos me moveram rumo ao delírio, um árduo-o frio a domar meu corpo, deixando-me exposto e ao mesmo tempo fortalecido, tornei-me um rígido sentimento, um andarilho na corrida contra o tempo, sou o vento onde viaja o teu suspiro, abrigo das magoas, alguém cujo único desejo é estar contigo.

- Thiago Rafael.

Recomeço.

Quando dizeres a minha hora de partir, dizeis em tom sussurrante, quero por um instante desfrutar do meu cair de asas, voltar pra casa sem o gosto de um tristonho belo, eterno como só você soube ser, o amanhecer é tão breve, correntes a deixar seu rastro no caminho, marcas de uma escravidão prestes a se desfazer, sinto-me pássaro a sair do ninho, resultante de um ligeiro crescer, quando a noite chegar, longe de ti quero estar, vou me embriagar de uma liberdade quase desconhecida, curar as feridas com sorrisos alheios, desfazer-me de anseios, cujas razões ficaram onde você está.

- Thiago Rafael.

Dono de si.

Tenho medo, não nego, vesti-me de um sentimento negro, sou feito de couro e aço, me desfaço das emoções que no passado fizera-me sofrer, entristecer meus dias e noites, eram como correntes a pesar meu corpo, deixando-me exposto ao veneno que de ti partia, ainda jogado ao chão, os versos a perfurar-me as mãos, crucificado por amar demais, pobre rapaz fui eu em outrora, depois que mandei-lhe embora, sinto-me por dentro renovado, ilhado num paraíso cujas regras sou eu quem dito, tornei-me rei de meu corpo, agora eu sei qual caminho eu sigo, não sinto-me exposto.

- Thiago Rafael.

Sangria de rosas.

Sangra-me tristonha amada, com este teu falso sorriso de navalhas, afiadas palavras a perfurar-me o peito, sempre que dizes algo a meu respeito, cuspindo em mim verdades cujas pessoas ditas amigas não dizem, contigo não posso cometer deslizes, eis de carne e osso eternizada em minhas palavras, um ser de alma apaixonada cujo coração por ti criou raízes, num inferno contendo teu sobrenome, sou apenas um homem a caminhar entre rosas, pétalas negras ansiosas pelo meu partir, teu corpo é um jardim, onde ei de pela eternidade te cuidar, alimentado pelos restos do meu mortal sentimento, um grito tristonho no vento, o qual me impede de sorrir.

- Thiago Rafael.

Escravo.

Quem me ouvirá, quando num bater de asas escuras o meu sorriso me esvair, quando me veres cair num abismo cujo penhasco cultivei, onde ei de ir ao cair da noite, quando ferozmente teus beijos abrir em mim mais uma cicatriz, teus gemidos ácidos a tirar-me a sanidade, ei de ser a minha verdade, tornei-me escravo de tuas mentiras, emoções traídas, ainda assim apaixonadas, ilusórias memórias que cultivei, teu passos ei de seguir, tua memória ei de eternizar, não importa onde terei de chegar, nada importará se não junto a ti, faço as malas e trago comigo seu perfume, ao amanhecer ei de novamente partir.

- Thiago Rafael.

Versos suicidas.

Sem que quisesse chorou, despiu-se de suas alegrias de outrora, não viu quão rápido passou a hora, seus dedos calejados de tanto descrever em versos os poucos sentimentos que lhe restavam, embora tardia estavam, ainda assim sussurravam ao pé do ouvido, gritos e gemidos que lhe tiravam do sério, seu sorriso era um mistério pois a muito não o via, seu sofrimento que aumentava a cada dia, precoce pensar ao desfrutar o cantar dos pássaros, pisoteando os secos galhos de um perpétuo caminho, só o entardecer para amenizar o peso das lágrimas, palmas sob a terra fria, sentindo a alma vazia e ainda assim preenchido pela imensidão ao seu redor, não lhe faltava o desejar de algo melhor, no entanto o que lhe cabia, era o que havia de menor.

- Thiago Rafael.

Emoções irracionais.

Noite chuvosa, minhas memórias deslizam nas curvas escorregadias, seu corpo é uma estrada vazia sem riscos, apenas um vasto pasto e a forte ventania, te encaro por horas, seu sorriso é como uma resposta a todas as magoas, provas de minha insegurança e ainda assim permaneces comigo, provas meus defeitos, meus medos e quando choro estende-me teu ombro amigo, tornas-te abrigo para o que me compõe, sou canção sem fim tristonho quando estou com você, o amanhecer tem hoje um outro sabor, dizem os poetas em curtos e longos versos, que o amor é uma maldição, que a paixão é luxúria e que cedo ou tarde torna-se amargura, tão certas quanto a morte, paixão e amor são coisas fortes que se abrigam nos mais frágeis corações, não há razões nem remediações, o sofrimento não é uma opção, um destino talvez, para quem por sua vez prefere o amor que a viver na solidão...

- Thiago Rafael.

Calorosa ilusão.

Sozinho neste apartamento tudo em minha volta é solidão, todo olhar que me encara remete uma antiga emoção, caminho por horas sem saber onde quero chegar, em todo ponto de parada choro por você não estar, as curvas que me levam de encontro a lugar nenhum, são fáceis pensamentos que não fazem sentido algum, não importa o quanto digam que tudo não passou de um sonho, o que suponho ou creio não importa, viraram o rosto, fecharam as portas, estou indo embora mais uma vez e me pergunto sobre o que você me fez, sem solução nem novo porto, volto ao meu canteiro de memórias onde aguarda-me calorosamente a solidão...

- Thiago Rafael.

Fria saudade.

Manhã de rio, um frio toque, não me comove este teu olhar, aparentemente inocente, tão similar ao de quem conhece a dor de um amor que se deixou passar, rastro de sorriso no caminho, um sentimento assaltado pela solidão, barriga vazia, insônia e náuseas, são apenas discretas magoas que com o passar das luas insisti em cultivar, teimosamente parto de encontro a outro alguém, quem sabe na estação este alguém me leve a outro lugar, um recanto de opostas emoções, curar as feridas deixando no caminho as ilusões que tinha na bagagem, quem sabe talvez nada mude, finjamos que nada aconteceu, seja apenas mais uma viagem, tenha eu outra vez que dizer adeus...

- Thiago Rafael.

Noturno amante.

Quem me dera por muitas luas sentar a varanda e sentir o vento, forte e sonolento como só ele sabe ser, descansar os olhos ao chegar o sol, que clareia as vidas normais ao amanhecer, eu que sou amante da noite, vou dormir pois mais um dia nasce e neste caminho de sol, eu não quero me perder, prefiro fechar os olhos ansioso pelo anoitecer, onde ao olhar o céu, seguindo o rastro das estrelas, parto deste mundo a outro num piscar de olhos, de encontro a você...

- Thiago Rafael.

Sádicos.

Aquelas pernas torneadas, apertavam-me o pescoço feito um nó quase solto, um suspiro era o que permitia-me, nos intervalos curtos em que gemia, dizia-me com palavras frias, "faça-me gozar", e eu com um desejo insanamente másculo, querendo desapegar-me das morais das histórias de amor, ainda que prezo a um romance, vir-me naquele instante, ver você como o lobo e eu como um caçador, buscando a todo custo, mesmo que por meio da dor, aflorar seus desejos canibalescos que devoravam-me por inteiro, deixando-me exposto a um mar de luxúrias as quais por tantas luas eu teria de esperar, como uma maldição na lua cheia, como um canto de sereia, seus gritos ecoaram em mim, parecia não ter fim, estava eu no ápice de um desejo desumano, os olhos que viajaram pelas curvas do teu delicado corpo, deslizando os dedos sob as cicatrizes de outrora, lentamente respirando, recuperando a sanidade que por alguns instantes acreditei ser tarde demais, a melodia que nossos corpos fazia, uma macabra fantasia a me enfeitiçar, desvio-me do seu olhar pois já não mais posso, estou exposto mas confesso que gosto, desse seu jeito único de me desprezar...

- Thiago Rafael.

O cadáver.

Prezo neste pensamento moribundo e canibalesco, devorador de sonhos e de melodias, os dedos esqueléticos de uma mão já sem vida, fria e lenta, como o sopro de uma canção tristonha num fim de tarde chuvoso, os galhos secos a gotejar folhas mortas em minha janela, o fraco vento audaciosamente desejando apagar as velas, passos que ecoam pelos corredores que alugam-me o olhar, paisagens mórbidas que vejo por trás das brechas que as cortinas deixam, já sem reflexo, deparo-me frente ao espelho, roupas vazias a caminhar é tudo que vejo, morto devo estar, ou tudo não passa de um sonho longo e prazeroso que estou cultivando expressões em meu rosto neste exato momento que ponho-me a sobre isso pensar...

- Thiago Rafael.

Insolúvel.

Mesmo hoje sozinho engalfinhando sentimentos árduos por todos os lados do meu aconchego, nada mais vejo se não versos manchados de sangue espalhados pelo quarto, a grossa camada de poeira a cobrir seu rosto no retrato, relatos inibidos pelo vento que aqui deixou de passar, ficaram as angustias e o presente medo, um desfecho repleto de memórias em contra-mão, indo e vindo de um lado a outro, deixo meus passos espalhados por todos os cômodos, pistas que não me levam a solução alguma, um enigma macabro que adorei cultivar, fiz de minha cama um labirinto, onde por amor ou puro prazer me aventuro com os mais diversos seres que por aqui deleitam-se, diga-se de passagem, são todos mais aventureiros que eu, diagnosticado precocemente por gente que se quer sabe meu sobrenome, sabem se quer quais são meus gostos carnais, se prefiro mulher ou homem, animais quem sabe, nada sabem é o que devo confessar, ponho-me muitas vezes a chorar sem motivo aparente, talvez seja o reflexo deprimente de toda essa gente que muito faz sem muito pensar, pensam e nada fazem, se desfazem uns dos outros sem exitar, tornamos-nos criaturas descartáveis, objetos usáveis sem muito valor, desprezar a dor atendendo ao prazer de um momento, ou se quer dar-se o luxo de viver algo bom, sentar-se a beira do mar, deixar fluir nos ouvidos aquele doloroso som, a melodia de uma liberdade que jamais teremos, fruto do que a nós fizemos, prisioneiros andarilhos de um caminho que não nos leva a lugar algum.

- Thiago Rafael.

Malditos.

Vinda ela com sua alma despida, composta de luxúria e pensamentos perversos, dizia-me apreciar meus versos mas usava-os como pretexto para ter-me em sua cama, seus lençóis de cetim e a blusa quase transparente, seu sorriso quase florido, recheado com espinhos tão venenosos quanto seus gemidos, ácidos comprimidos de ilusório prazer, eram quase impossíveis, eram invisíveis os seus gestos naturais, dizia ser composta somente por prazeres carnais, ter abdicado de seu coração por não mais sentir, confessou ter cansado de mentir e por tantos outros motivos ainda inexplicáveis, trouxe-se sentimentos claramente descartáveis para o nosso prazer suprir, gritos que ecoavam na madrugada afora, unhas na pele, pelos por toda a casa, um cenário sádico acobertado por um singelo tom de poesia que a doce melodia ilusoriamente nos supria, de tudo fazíamos para não batizar aquele momento de amor, causar-nos dor escondendo por trás da cortina aquela flor que a trouxe, era o que tínhamos, disfarces apernas devo confessar, por muitas noites pôs-me a chorar, lamentando possíveis fins, trágicos dizíamos mas nunca nos alcançou, hoje ainda vivendo incansavelmente, olhamos um para o outro e declaramos versos maldosos, rindo das marcas que nosso estranho conto nos deixou, por incontáveis vezes a duvida já nos tomou, até quando durar, até quando se permitir, até quando preferir chorar de que sorrir?

- Thiago Rafael.

Males da primavera.

Seu sorriso grita implorando retornar a primavera que nunca nos deixou,
Esvair toda a dor que no peito se sente desde que o inverno nos alcançou,
Olhar o sol por trás dos vastos campos cobertos pelo verde pasto,
Ouvir o doce canto dos pássaros e nunca mais citar a palavra adeus...

- Thiago Rafael.
Há quem use de sentimentos honestos para realizar coisas desonestas, é um dos muitos dons de quem diz que o amor é o veneno da alma, de quem saboreia a luxuria como sobremesa e o rancor como prato principal...

- Thiago Rafael.

Vazio amanhecer.

O seu estranho confessar, dizia-me ser tudo que lhe faltava, o que sonhava e fizestes muitas vezes meus olhos brilhar, eu sentia cada palavra que você dizia, mas ao amanhecer o vazio era tudo que me restava, teu amor já não me davas, sentia as farpas a adentar em meu peito, um efeito vampiresco, as emoções caindo feito dominós, queimando meus sentimentos, ardendo no peito, ao nascer do sol...

- Thiago Rafael.

Ex-amor.

Foram-se as inacabáveis noites, quando juntos na calçada conversávamos sobre sonhos, embriagados e risonhos de tanta felicidade, víamos um futuro juntos com tamanha verdade, pareciam firmes nossas juras de amor, não conhecíamos a dor e suas vertentes, não haviam rastros de medo ao sorrir, hoje sem ter a onde ir, vagantes estamos, embora ainda nos falando, os abraços já não possuem o mesmo calor, um beijo no rosto ao invés de nossos lábios tocar, até aquela nossa canção deixei de cantar, certo dia me viu e não ousou falar, dias depois alegou não querer me atrapalhar, e eu que era tão inquieto, ao invés de parar em sua casa, passei direto, se quer arrisco olhar pro lado, pode ser que no rastro teu olhar eu encontre no caminho, serei tomado por uma profunda tristeza, pois devo confessar amor, sem você sou metade, em meu sorriso não há verdade, não há razão no bater de asas, nem a vontade de voltar pra casa, tornei-me um andarilho sozinho...

- Thiago Rafael.

Farto de ilusórias emoções.

Você, razão maior para eu escrever, todos os versos que não pude dizer, quando frente aos teus lábios meus olhos ficaram gélidos, e o meu abraço cada vez mais frio, um longo arrepio a tremer meu corpo inteiro, um nevoeiro de emoções, fantasiando e acobertando meu seguro caminho, um sorriso amigo tido como ninho, já não sinto mais o gosto do vinho barato, sem apetite encarando o farto prato, tão cheio de ilusões a me alimentar, já não me restam mais flores, subirá de mãos vazias no altar, uma macabra noite de nupcias, uma chama a se apagar, eternos dias e inalcançáveis noites, um açoite, uma ofensa aos eternos amores, eram nossos estes versos, hoje são meras linhas de uma estranha história, uma anatomia utópica, rimas eternas sobre amor e dor...

- Thiago Rafael.

Abrigo de ilusões.

Você e esse seu sorriso venenoso,
Sempre a tocar meus lábios deixando um delicioso gosto,
Um querer quase desconhecido,
Um desejo que me serve de abrigo,
Para as minhas incontáveis ilusões,
Frustrações e fantasias,
Sem você o tempo resume-se apenas em noites e dias...

- Thiago Rafael.

Invisível reação.

Perto de tudo que possa ser,
Não tão distante do impossível,
Um invisível sentimento,
Que por sua vez fez transparecer,
As reações que se cultivavam em silêncio,
Um ilusório momento...

- Thiago Rafael.
Entende-se a beleza da própria vida quando num momento de nostalgia emociona-se com a própria história...

- Thiago Rafael.

Gélido semblante.

Este sorriso gélido que alcança-me o coração, tira-me por várias vezes a razão, um enlouquecido vagante, esquecido nesta imensidão, outrora habitante de um deslumbrante sentimento, ver-se neste momento, a vagar na solidão, o rosto frio sem um delicado toque, o retoque de uma feminina mão, posto ao chão e nem por isso triste, de seu sonho jamais desiste, mesmo que variavelmente, tenha manchados os traços de seu surrado rosto, dormindo muitas vezes sem o gosto, de um desejar de boa noite...

- Thiago Rafael.

Traços calejados.

Estou repleto de esforços calejados, meus pés descalços que tanto caminham sob ruínas de esquecidos sentimentos, trás-me o árduo fardo que cultivaram em mim, uma rotina que rouba-me todo o tempo, esvaindo-se aos poucos em cada córrego da cidade chuvosa, a forte brisa que tira-me os pedaços, esquecidos traços, pouco a pouco deixando-me irreconhecível, tornei-me invisível e dentre as arvores de pedra incansavelmente caminhei, não recordo-me o ponto de partida, mas foi em seu sorriso de porto, que meu coração eu atraquei...

- Thiago Rafael.

Vidente de óbvias causas.

Guardei em mim uma porção de mistérios, um universo interno de emoções camufladas, minhas estradas cheias de pedregulhos, um verdadeiro mergulho de encontro ao meu fim, não tive certezas sobre como seria, e confesso não esperar que seja assim, mas como posso conhecer o amanhã se nunca ei de vive-lo, tudo que vejo são os próximos segundos, e não pergunte-me o rumo do mundo, sou mero vidente das causas obvias, não prevejo o bem ou o mal, em mim tudo é normal, tenho somente como intenção trazer esperança, pois desde muito cedo, ainda quando criança, via minha mãe realizando as proezas que hoje faço, e se cair o meu disfarce, na minha face não haverá marcas de surpresa...

- Thiago Rafael.

Estranho semblante.

São claros olhos cor de um céu distante da chuva, a nuvem escura a caminhar distante, distrai o triste semblante de quem prestigia-o com um olhar apaixonante, uma vazante de sentimentos nobres, num campo vasto de negras flores, coroas de rosas para os momentos fúnebres...

- Thiago Rafael.

Colecionadora de amantes.

Este teu corpo de deleite, tendo em ti um coração de enfeite, onde ecoam sentimentos alheios, tudo que vejo são lágrimas e páginas jamais escritas, palavras nunca antes ditas, a um alguém cujo nome foi esquecido, antes este teu que era meu abrigo, agora entregue a alguém distante, vir-me produto de sua coleção de amantes, um objeto exposto em sua interminável estante...

- Thiago Rafael.

Outro ex-amor.

Não eis de partir sem antes justificar, estes versos que deixas-te no meu peito, escritos com sangue ao pé do altar, dizia-me sem gaguejar, amar-me mais que tudo, até o mundo acabar, mas descumpriste vossa promessa, sais-te com pressa, agora vejo-lhe outra vez, depois de anos de insanidade solitária, pergunto-lhe de mãos vazias, tendo na pele marcas do tempo, as carnes flácidas e monstruosas estrias, queres voltar mas não aceito-lhe de mãos vazias, quero de mim o que foi roubado, o meu sorriso apaixonado e o coração de quem por ti se deu, se não os tem contigo, dar-me as costas pois este será o nosso ultimo adeus.

- Thiago Rafael.

Libertino.

Sangra-me os olhos este teus sorrisos ilusórios, estes teus beijos espinhosos a perfurar-me os lábios, as tuas mãos grosseiras a arranhar-me o rosto, deixando-me fosco aos olhos de quem por mim dedicavam admiração, tornou-me o pior monstro de uma nação, alterando-me a essência do meu ser, vi em mim crescer uma criatura cujo significado se perdeu, um alguém cuja mente se poluiu e de quem amou o coração partiu, amargurado por um passado não pertencente, prisioneiro vagante, numa enchente de pudores, desprezando valores, visto a pele macabra e faço-me marionete, da sua escola de horrores.

- Thiago Rafael.

Prostíbulo.

De onde vem este sorriso marginal,
Um olhar virginal cujo pudor aflora a pele,
Pelos eretos a enfervecer a mentalidade de quem de teu corpo bebe,
O liquido visgoso que do teu amado intimo brota,
Gemidos ácidos que atravessam portas,
Ecoando no corredor de um moderno cabaré...

- Thiago Rafael.

Corpo uivante.

Vinde a mim teus olhos maduros,
Ásperos musgos de calor,
Envolvem-me de tal modo confortante,
Tirando-me do peito a dor,
Teus lábios,
Carne de mel,
Pouco lembro-me das noites frias,
Chuvosos toques a me levar ao céu,
Uivante pensamento caloroso,
Aquecendo-me o corpo,
O fosco riso que antes trazia-me a sessação de abrigo,
Hoje no risco de ter o coração abatido num tiro certeiro,
Ajoelhado num canteiro de um jardim mal assombrado,
Alagado sentimento a deixar-me atordoado,
Embriagado na madrugada,
Solidão que me agrada,
Partirei neste instante sem um porto de chegada...

- Thiago Rafael.

Cicatrizes de uma saudade.

E o que no meu peito habita?
Essa chama chamada saudade,
Essa vontade de trazer você para junto de mim,
Colocar um fim nesse ardor que corrói o peito,
Uma ferida sem jeito de curar,
Você só precisa pedir pra ficar,
Deixando em mim apenas uma cicatriz,
Neste corpo onde ontem sozinho havia tristeza,
Hoje com você, sou bem mais feliz...

- Thiago Rafael.

Lágrimas espinhosas.

Você me olha no escuro e só o meu vulto ver, parece não entender que as vezes uma sombra possui mais expressões que um próprio alguém, cujas emoções dilaceradas foram e o cantarolar se esvaiu junto as ultimas lágrimas, sorriu pela milésima vez sem ao menos querer, sem entender seus próprios porque's, ver-se crescendo cultivando em si um jardim de espinhos, onde antes seu corpo permitia-se cultivar ninhos e o cantar dos pássaros trazia-lhe alegria, não quis culpar as coisas que fazia, não buscou respostas, tudo que desejou, foi que um novo alguém batesse em sua porta.

- Thiago Rafael.

Emoções materializadas.

As vezes é preciso sentir-se invisível e de uma estranha forma sentir-se bem com isso, pessoas invisíveis nem sempre são tão infelizes, nem sempre tem os piores dias, as vezes simplesmente não existem criticas ou olhares maldosos, pessoas invisíveis passam pelo pente fino da sociedade e não precisam se incomodar em agradar ninguém, as vezes são silenciosas, outras vezes barulhentas mas quem não te ver não pode entender quais são suas intenções, ao berrar suas emoções no imenso vácuo que as as pessoas deixaram tornando você invisível, ser invisível as vezes é simplesmente mais seguro e não preocupe-se, você nunca será a unica pessoa que tornou-se invisível, sempre haverá alguém invisível também que pode materializar suas emoções junto as dela sendo visíveis um ao outro e isso é a unica coisa que importa afinal, pois não os atingirá nada que faça-lhes mal...

- Thiago Rafael.

Sádicos sorrisos.

Sentou-se a beira do meu peito, como quem senta-se a beira de um curto lago vitima da seca, estilhaçadas as bordas, caminhava descalça ferindo-se propositalmente com o intuito de redimir-se perante o ato, já satisfazia-se da troca no ferir ferindo-se mas não era suficiente, decidiu ferir-me mais bruscamente ferindo a si mesma enquanto rolava sob os cacos deixados no caminho, frutos dos sonhos deixados de lado, sopro no rosto e o suor nas costas, já nãos mais importa o quanto torne-nos sádicos, viramos escravos um do outro, teu sorriso faz-se presente em meu rosto, quando choro, cai de ti as lágrimas, assim escrevemos nossas páginas, este conto que chamados de amor...

- Thiago Rafael.

Antigas promessas.

Neste recanto frio, no imenso vazio, abraço teu corpo gélido, com a vida por um fio, vem a chuva e se vai a noite, o pensamento num açoite, crime cicatrizado em mim, marca que não sai, assim a vida se vai e aos poucos também vou-me chorando, caminhando sem olhar pra trás, antes um jovem rapaz, hoje me vejo velho e abandonado, encurralado pelo olhar alheio, traços do que nunca veio, entre tantas promessas ditas por nós, tanto tempo a sós, nada mudou, mesmo quando voltou, tudo em mim se foi, e agora, o que será de nós dois?

- Thiago Rafael.

Alheia tristeza.

Disse-me que foi sorte, desviei-me da morte, correndo nos trilhos, gritos ecoando no frio, na imensidão da madrugada chuvosa, passos ligeiros, abertos os guarda chuvas, muletas a mastigar paralelepípedos, enquanto encurtava o sono prestes a chegar em casa, portões abertos, área iluminada, lágrimas, comida farta e abraços, alguns sinceros, outros falsos, disperso-me da tristeza alheia, vou deitar-me em posição fetal, delirando no meu transtorno mental, faço-me escravo de um pensamento distante, onde no horizonte tudo voltaria ao normal.

- Thiago Rafael.

Sonhos destroçados.

Mate meu coração, disse-lhe quando cortou-me ao meio ao dizer adeus, seus versos suaves como navalhas a atravessarem minha pele torturada por tantos nomes, mesmo apoiado sob o ombro da poltrona, foi inevitável ir ao chão, meus ossos encostados naquele manto frio, refletindo em seus olhos o vazio dessa desilusão, feriu-me outra vez com as mãos, deslizando seus dedos em meu rosto, pedindo-me para não chorar, silenciou-me momentaneamente com um beijo, enquanto ao longe o som da porta batendo soava feito um trovão em minha mente, calmamente seguiu seu rumo, deixando-me sem prumo, sem forças para me reerguer, não há ao certo palavra que possa descrever tamanha dor, linhas num papel amarelado escreviam nossa história de amor, a sensação no calor dos nossos corpos, mesmo quando diziam sermos opostos, provávamos um do outro com tamanho fervor, envolvendo-a com meu abraço, resgatando-lhe do frio, com a vida inteira por um fio, trouxe-lhe para o meu aconchego, hoje tudo que vejo, são destroços de um universo cultivado em minha mente, distante do "eternamente", um sonho que nunca existiu...

- Thiago Rafael.

Turvas memórias.

Tenho em mim um coração cheio de rachaduras, amarguras e ilusões, uma mente cheia de confusões, com as mãos calejadas e pensamentos aos turbilhões, uma ressaca na alma que tanto me corrói, tanto me desfiz, mesmo assim hoje ainda dói, não importa recomeçar, reiniciar a vida inúmeras vezes, vestir um manto diferente para cada dia do ano, não haverá plano, a vida continua a se esvair, entregue ao descaso e sem ter pra onde ir, fico a merce de quem põe o dedo em meu nariz, manda-me e desmanda, sempre haverá uma demanda, sobre o velho e o novo, que só quer ser feliz, pensamentos estes que compõe o meu dia, as vezes repleto de mágoas, outros de alegria, já nem chegar onde devia, se quer me lembro o ponto de partida, minhas memórias curtas, curvas a desviar-me do horizonte, profundo e embriagante, perco-me na imensidão da agonia, caminhante errante, na terra infértil, no codinome incrédulo, o que compõe minha fantasia.

- Thiago Rafael.

Olhar estilhaçado.

Sua mão fria em meu rosto, deixou-me exposto a fantasia, tolice pensar na alegria, distante horizonte a disfarçar seu gosto, traços num papel molhado, são mero esboço, os dedos calejados, maltratam-lhe a pele num simples gesto de carinho, curvas de pele a me mostrar o caminho, ludibriando pensamentos distantes, hora um mestre, outra errante, faço-me escravo deste aprendizado, devo chegar embriagado, é mais um passo que me distancia do teu peito, o tempo passou e hoje me vejo, estranho inquilino no teu sorriso, outrora num paraíso, o inferno tomou conta de mim, tornando-me assim, fugitivo de nossa realidade, maldade, é tudo que me resta, ver você feliz naquela festa, sentindo-me aflito por estar distante, culpa tenho eu de ser o amante, não cabe a mim sobre isso opinar, se concordei desdo principio, resta-me somente aceitar, passar dias e noites, em qualquer esquina, na mesa de um bar, desabafando com o copo vazio, igual como me sinto num dia frio, sem o conforto do teu abraço, retrato do meu peito é um estilhaço, cacos espalhados pela casa a perfurar nossos pés, mesmo maltratando-lhe, és o que és e ainda assim sois fortes, no entanto eu escolho a morte, de que a vida sem ter a sorte, de ter-lhe pra mim só por um dia.

- Thiago Rafael.

Beija-flor.

Que mal tem eu gostar tanto de você, se pra te querer é preciso escolher a dor, vitima deste calor a sufocar meu desejo, não é preciso tocar em tudo que vejo, basta-me o pensamento no intimo ao anoitecer, vejo-nos eu e você, nos mais diversos horizontes, tantos tão distantes, impossíveis de descrever, pena é não poder parte disso viver, já que em outros braços faz-te escrava de outro querer, enquanto eu continue sozinho, sem teu abraço nem teu carinho, sigo meu caminho sem nada dizer, só uma dor num peito, feito rosa a desejar seu beija-flor, a espera de um beijo.

- Thiago Rafael.

Ilusão.

Que mal tem eu gostar,
Mesmo sem me olhar nos olhos,
Nem nada dizer,
Porque preferir o presente te amando,
Se posso ter a eternidade sonhando,
Escolho uma vida inteira de ilusão,
Que viver só por uma noite,
Acreditando que isso foi paixão.

- Thiago Rafael.

Quando não houve adeus.

Não me diga que vai durar,
Não me espere para o jantar,
Quando sai ainda estava frio,
A porta ficou aberta,
Cuide-se caso chova,
Meu abraço não vai mais te envolver,
Para viver tive que abrir mão de mim,
Desfazer o sonho de envelhecer com você,
Pois já não havia mais flores no jardim,
Nem latido de cachorros em nosso quintal,
Aos poucos o fim chegou sem ao menos sentir,
Nem ter o que pensar,
Não houve medo de dizer adeus,
Você apenas levantou como em um dia normal,
Eu tive que deixar a porta aberta,
Pois queria que o brilho do sol invadisse nosso lar,
Tirar o forte cheiro de mofo,
Trazer de volta o conforto,
Aquilo que fazia-nos feliz...

- Thiago Rafael.

Amoroso conselho.

Sente-se neste sofá,
Conte-me o que no fundo te faz chorar,
Abraça-me confiante,
Deixa-me ser teu amante,
Quem te acolha quando a noite chegar,
Não desgrude-se do meu olhar,
Sinta meu sorriso teu peito penetrar,
Envolva-me com este desejo,
Já não há mais distrações,
Você é tudo que quero,
Aquilo que sinto e vejo,
Espelho do meu desejo,
Fogo que arde na calada da noite,
O frio que faz a luz do dia,
Meu caminho certo nas palavras tortas,
Traços em papel barato,
Aliviando meu sofrer,
Cementes que caem no solo infértil,
E mesmo assim faz florescer,
Cultuando sonhos que trazem-me de volta,
Cada vez mais para perto de você...

- Thiago Rafael.

Alado sentimento.

Cala-me a boca com um beijo teu,
Venda-me os olhos com teu carinho,
Sou frágil feito pequenino,
Passarinho ao cair do ninho,
Sozinho nesta imensidão,
Cansado, faminto,
Sem ter você no coração,
Sou só mais um que voa,
Sem ponto de partida,
Destino nem porto,
Sou falho e torto,
Pintura descascando em parede lisa,
És meu vento da tarde, minha brisa,
A luz a me guiar na escuridão,
Meu chão, meu ar,
Teu peito é meu único leito,
Meu ninho, meu lar...

- Thiago Rafael.

Perigoso desejo.

São tuas estas curvas morenas, movediças dunas de areia, bela como canto de sereia, faz-me perde-me no horizonte do teu olhar, distante caminhar, no silêncio eterno das madrugadas, fugitivo incerto no paraíso das oliveiras, as linhas curvas do teu corpo semi-nu, são como o oceano azul, a afogar-me em anseios, amamenta-me, faz-me brotar em teu sonho, não quero ser eu tristonho, a viver uma vida só a desejar, não vem-me a memória de onde vim, tão pouco onde irei parar, sei de nós somente, tudo que na areia passamos horas a desejar...

- Thiago Rafael.

Expressão ofuscada.

Aqui estou sob o canteiro da portaria de um bar já a muito tempo fechado, esmagado pelos olhares de quem por aqui caminhava, como um servidor massacrado pelos gritos de comandos dos seus superiores, mastigando-o, deixando-o em pedaços a cada insulto, encurralado pela limitação que impede-lhe de libertar-se de toda a humilhação, pelo simples fato de ter em casa uma obrigação, dia pós dia seu coração enche-se de lágrimas, enquanto no rosto o similar solo do nordeste, uma feição já sem emoções, seco como galho de goiabeira maltratado pelo logo verão, seu afeto já inexistente, o brilho do olhar ofuscado, são rastros, meros fatos do dia a dia de um homem afogado em tristeza e solidão, visto como um qualquer já sem alguma razão, resta-lhe somente caminhar dentre tantos outros ao seu redor, escravos da mesma rotina, prestes a ser entregue a guilhotina, onde o sofrimento chegará ao fim...

- Thiago Rafael.

Renascida em memórias de outrora.

Sentou-se sob a beira do mar, sentindo as águas indo e vindo a resfriar seus pés castigados, as mãos calejadas a apoiar-se nas sandálias de couro e os finos fios de cabelo a pentear as costas, procura na imensidão do horizonte a sua frente encontrar respostas, cansada de seguir na direção oposta, sem mais forças para seguir errante, ver-se no colo de seu amante, despejar memórias como cinzas ao vento, não houve em sua pele cicatrizes do tempo, no entanto as rosas ferio-lhe mais que as palavras, seus pontiagudos espinhos acobertados pela beleza, trouxeram-lhe outrora vestígios de tristeza, embora seu peito agora respire sossegado, vez ou outra seus sentimentos embriagados, trazem-lhe de volta ao pesadelo de seu passado, sente-se feito pássaro ferido, como quem anda na chuva em desespero, em busca de um abrigo, chegando muitas vezes ao fundo do poço, hoje sorrir ao descrever suas lembranças num esboço, revivendo os sonhos que a vida forçou-lhe esquecer, presta-se ceder ao mundo ao amanhecer, sorrindo livremente como quem acabará de renascer.

- Thiago Rafael.

A brisa decadente.

Meu rosto é um porto de um navio qualquer, sem tripulantes nem velas, restam somente pedaços de seu casco atracados na rasa maré, jã não caem lagrimas para repor as águas do rio, não houve na despedida quem sorriu, não houve lágrimas pois ninguém partiu, sou só eu e os fortes ventos da primavera, ansioso pretendente a prestigiar atento o forte sopro de vida, esvaindo-se por meio das folhas que caem sob a terra fria, gélida, quase tão mórbida quanto minhas memórias...

- Thiago Rafael.

Escolhas e caminhos.

Aqui preso neste entardecer avermelhado, atrás da árvore na sombra de seus galhos, apreciando o cantar dos pássaros que me contam histórias de amor, sinto o forte vento tocar meu rosto e o sádico tempo a me tirar da vida o gosto, fosco pincelar nas cores das rosas, aliviando fortes dores, afastando de mim temores, ainda assim vejo-me intimidado pelos senhores da razão, com o coração na mão, sinto enorme desespero e o desprezo cultivado nos olhares de quem finge ver-me em essência, minha existência passar a não significar nada, caminhando numa longa estrada que leva-me a lugar algum...

- Thiago Rafael.

O Capataz

Caem as asas dos pássaros noturnos, sob as casas de um fúnebre bairro, bizarro semblante a deslumbrar o reflexo da lua, nas águas que devastam caminhos, ninhos e ocas, índios imigrantes fugidos da fúria uivante, um punho alado cuja pele é branca, carregando consigo semblante inverso de quando criança, aventurando-se na maturidade frustrada, de um homem que deixou sua decência no meio do caminho, vive hoje sozinho a mastigar moedas, a carregar pesados fardos, deixando estragos por onde desliza seus pés, dizia-me os velhos sábios, quando caminhei junto a este amargo homem, "diga-me com quem andas que direi quem tu és".

- Thiago Rafael.