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Faço as pazes, sou de prazeres, não de disfarces, a minha face é um espelho, o que ver em meus olhos não é totalmente verdade, é mero desejo...

- Thiago Rafael.

Impares amargos.

Preparo-me tristemente para escrever sobre um destinto gosto que senti sob os lábios, o amargo de verdades nunca ditas pelos fragmentos de minhas peles dos dedos enquanto escrevo-as já que minha voz não surtiria mesmo efeito, falo de um jeito de amar cujo peito sangra só de reviver tais memórias, como um covarde ao apunhalar pelas costas seu melhor amigo tive que encarar como inimigo o motivo pelo qual justificava minha extinta alegria, quem me viu sorrir um dia sabe o quão verdadeiro era meu semblante, quem ver-me neste instante pergunta-se arduamente quão profundos são os abismos que atrevi a me jogar, como saltador sem paraquedas mergulhei no escuro de teus olhos iludido pelo que teus lábios causou-me no primeiro encontro, quem apaixonou-se nesta vida sabe como prazeroso é sentir o bater das asas de milhares de borboletas em nosso estomago quando se quer tomamos o café da manhã, mesmo jejum sentia-me preenchido, recheado pelo que hoje encontra-se apenas um vazio ecoante cuja minha voz não ecoa e a mesma não pode ser ouvida por ninguém, vejo-me aprisionado dentro de meu próprio ser sem saber quais caminhos seguir, tornei-me um labirinto sem porta de entrada ou saída, fui jogado em seu interior com migalhas para sobreviver mas quão tolo pude ser ao não perceber que não importam quais sejam os esforços que façamos, quando estamos no centro do oceano sem a existência de qualquer vida a nossa volta não há nada que possa nos socorrer, assim me senti quando perdi você e assim sinto-me a cada dia que tento afastar-me, todo o esforço que usufruo para lembrar do que faz-me bem é apenas a vontade de te esquecer, vencer um jogo com um só participante, um troféu sozinho em uma estante, o instante de glória recheado de aplausos por fazer nada além do próprio dever, imagino que assim sintam-se outros que como eu tiveram o mesmo destino, acreditei cegamente ser um homem cuja mente fosse brilhante mas vejo a cada instante que não passo de um mero menino, amedrontado pelo futuro que não cabe na palma de sua mão de tão grandioso, a responsabilidade que lhe foi imposto, o caminho que não pode seguir, sem ter onde ir despeço-me dos sonhos que cultivei e das poucas emoções que em alguém cativei mas de tão ingrato nem seus nomes sei, fui tão amargo amigo que se fosse preciso buscar abrigo morreria de fome entregue aos montes de trapos no armário equilibrado por livros que nunca li e uma geladeira quebrada cheia de lixo...

- Thiago Rafael.