Meiga morena de olhos escuros, teu mundo é claro tanto que reluz, tua simpatia simples a cultivar simplicidade na cidade capital do teu eu, a parte de ti que não se afeta, que não se nega sempre prestes a se permitir, dois lados de uma mesma moeda, uma ceta a apontar o meio de se viver mais feliz, mas a dias em que o vidro da janela embaraçado fica e o seu sorriso desfaz-se como desenho borrado pela chuva num dia ensolarado...
- Thiago Rafael.
Visitantes
Entre passagens.
Calaste-me mas não fiqueis em silêncio, fez teu medonho império o meu sorriso moribundo, vagabundo e órfão sentimento, maldoso desejo movido pelo negro vento, uma cortina de fumaça em meio a selva de pedra, encarando meus frágeis vestígios frente ao quebrado espelho, vejo que tão pouco sopro de vida me resta, cá cabisbaixa encarando o café a tanto já gelado, do outro lado vizinhos fazem a festa, é chegado um novo ano e meu canteiro de memória sucumbe ao desengano de outrora festiva, quando jovem nas minhas idas e vindas, furei o sinal vermelho na curva de encontro a razão, fui pego no desespero, no aconchego de um acelerado coração, alheio e tão empoeirado, deixando facilmente um rastro ao deslizar meus olhos por suas morenas curvas, olhos profundos e negros, um estranho sombreado encantador, o seu bocejo quase causou-me uma dor, vir-me sorrir e peguei-me no sono soletrando a palavra amor, mas o silêncio é breve e nas madrugadas as horas são apenas segundos, logo vir-me regressar ao mundo, onde o sol no céu não impede que da noiva o véu com a chuva seja molhado...
- Thiago Rafael
- Thiago Rafael
A espreita.
Dois passos para alcançar a claridade de sua varanda, pássaros para cantarolar em sua manhã, o divã era pouco perto do curto segundo que sentiu o ultimo sopro de vida, uma viagem só de ida ao concreto de sua calçada, acostumada a ser o palco de tantos suicídios, amigos tantas vezes tolos mas de bom gosto afinal, naquele casebre de madeira velha tornou-se matinal a véspera de um funeral, final de tarde de céu avermelhado, negros gatos a choramingar no telhado e eu do outro lado da rua vejo a vida com o mesmo gosto amargo...
- Thiago Rafael
- Thiago Rafael
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