Sentado a margem de um leito de carinho, um colo feminino que tira-me da solidão, deslizando seus delicados dedos entre meus curtos fios de cabelo, sussurrando canções cujas letras tratam estranhamente sobre o amor, tão nítidas palavras a alcançarem meu coração, desfiando dúvidas quase tão ausentes hoje como você, que tanto fez-se presente em minhas madrugadas quando só a tua voz ouvia, me dizendo coisas que tocavam-me bem lá no fundo, não tão quanto o do abismo que me atiras-te quando descobri a real verdade, mas já era tarde, estavas entregue ao oceano de mentiras que cultivas-te, teu horizonte tão distante e mesmo que distinto tão claramente semelhante ao de quem por muitas vezes fui chamado de irmão, traição talvez seja este o nome de quem por sua vez se perdeu onde a verdade inexiste, há quem ainda insiste a fina força mudar-te, mas se houve algo que me ensinas-te foi de tua natureza imutável, corrompida e incontrolável, uma besta indomável cujos anseios veneram paraísos alheios, tudo que hoje vejo são vestígios teus por onde passo, tantos lugares que remetem-me lembranças atualmente desagradáveis, mas eis que um novo dia surge e aos poucos as vastas memórias vão tornando-se cinzas, já não mais ocupas lugar algum em minha vida, há um vazio onde antes eras bem vinda...
- Thiago Rafael.
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