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Vestígios e vontades.

Perdi-me para não perder-te, te vi para que chovesse, um imenso céu de tantas cores cinzas, tons de vermelho nas cedas tardes, a inquietude que o sono invade, a saudade que se faz presente na ausência, a malevolência de um imenso curto, no oculto insulto riso que teimas perdidas vezes, entrelinhas e afazeres interruptos no singelo complexo da palavra nós, desatando a fervorosa e feroz vontade de ficar a sós...

- Thiago Rafael​.

Pisoteados pesares.

Estender as mãos para se ter aquilo que se teve sempre por perto, escrever o verso em linhas turvas com palavras alheias, apostar as moedas na incerteza nítida de falsa alegria, recolher a tristeza e a saudade que de tão inquieta chega a ser quente, na frieza que cutuca a gente nas madrugadas chuvosas que tentamos dormir...

- Thiago Rafael​

Nós em um desatado par.

Quero-te não mais que a mim, clamo-te mas em silêncio beijo-me, olho-te por trás do meu reflexo, te invejo na minha sabedoria, sorriu de tua tristeza quando choro de tua alegria, alérgico a tua boca que tanto foi minha, esvaio-me do teu abrigo que residem meus lençóis, um nós tão sozinho quanto a palavra eu, sou teu não mais que meu, céu não mais que terra, incerta ceta que aponta-me caminhos guiando-me aos seus, és meu teu nosso entender, na calada tarde que insiste em chover lágrimas tuas em turvas feições do meu ser...

- Thiago Rafael​.

Rotina.

Trás pro colo o bocejo calado, mais um trago no refrigerante quase sem gás, a mão que leva não é a mesma que trás, mania incerta de seguir caminhos desiguais, vendado a beira de um precipício leito, consolar as águas que dormem no pote de barro feito, beijar a testa no desejar de boa noite, esquecer as marcas nas costas depois do açoite, a madrugada reclama o sono moribundo, acordar cedo é preciso pois lá fora há um mundo chamando-o de vagabundo...

- Thiago Rafael​.

Tragos e estragos.

Não é céu sobre nós, são lençóis de carnes alheias numa orgia desenfreada de socos e pontapés, confusão de afazeres numa republica recheada de mulheres, harém de líbidos que de tão ferventes expulsam do abrigo os singelos pensamentos alheios de um curioso alguém, ninguém olhou-se no espelho antes de dizeres que lá fora tudo estava bem, chovia mas ainda havia o sol e na cantina a ladainha da criançada perturbava o sono, chegara em casa nas primeiras horas do dia e de tanta alegria o sonho reclamava o gozo, o gosto de um aquecido lábio que não festeja mais...

- Thiago Rafael​.

Ressaca.

Neste raso imenso de possibilidades turvas, curvas de um atalho aparentemente breve, leve pluma que sobrevoa a narina prestes a espirrar, empinar o olhar rumo ao céu que de tão cinzento causa o medo, chego ao anoitecer em teu leito e nada vejo pois não mais estais, penso que errei pois lá tu deverias estar, caso as ideias pares e impares de minha confusão alheia, o ódio a pulsar na veia por tantas tardes entregues ao vicio de um sol sozinho prestigiar, lugar este cá estou sem ti e partir sem ter onde chegar, alcançar o mar com a ponta dos pés, fazer jura as marés que tão amantes são que o próprio coração do mar já repousou seus amores, cansado de tanto chorar...

- Thiago Rafael​.