Visitantes

Uma reflexão sobre o amor próprio.

- Amadurecendo.

Existem dias tão frios quanto a sola do pé numa madrugada chuvosa ao encostar na pele de alguém que se tem ao lado, momentos estes quando não se tem este alguém, existe um espaço vazio no teu colchão, na mesa, no banho e no sofá, há um vazio no coração quando não se sente mais o calor da mão amada deslizando em seus fios de cabelo nos instantes em que se precisa do colo, todas essas ausências são dolorosas mas não há uma tão imensamente quanto o vazio que se sente ao encarar-se no espelho, vendo que o amor próprio se esvaiu levado por alguém cuja existência em sua vida é inexistente agora, perguntar-se sobre os erros e acertos é tão tolo quanto se deixar levar por este momento que só depende de você eterniza-lo ou isola-lo de sua vida bem como quem dedicou-se por tanto tempo fez e faz com você, chega-se um momento que interrompe-se uma tarde de filme, pipoca e lágrimas, um instante o qual o corpo entra em transe e dar-se conta de quanto tempo foi perdido permitindo-se ser apenas mais uma decoração na estante de quem em outros braços cultiva ditas emoções as quais dizia dedicar-te e você enfim cansa de chorar, de tantas outras tolices que fizera exilando-se das coisas boas que a vida te colocara a frente dos olhos e pela cegueira que a dor te causava acabara deixando passar despercebidas mas lamentar estas perdas é tão tolo quanto as que deixaram em ti feridas, este é o momento em que recolhe seus sentimentos espalhados e escondidos entre as bagunças de cada comodo do teu coração e por um surto de razão deixará a solidão e partirá de encontro a felicidade que na verdade sempre esteve ao teu lado ou melhor dizendo, sempre existiu e existirá dentro de você, a felicidade que se sente quando se entende que não há amor de verdade quando não se sente a saudade de ter-se um tempo só para você, a saudade de ficar sozinho amando-se incondicionalmente, quando tiveres esta sabedoria escupida em teu peito e em tua mente, partes de encontro ao alguém que te merece e que espera-te de peito aberto para acolher todo o amor que aprendeu a cultivar, verdadeiro e tão intenso que não há como raízes criar pois o amor próprio é uma arvore sem semente, ele não mente e jamais te deixará errar novamente...

- Thiago Rafael.

Dama da noite.

Tarde da noite e aqui no peito um sentimento que desde muito cedo me doma, um coração dilacerado por ilusórias palavras de uma dama cujo único prazer é satisfazer seus sádicos desejos, tudo que vejo em seus olhos são faíscas como as de uma fênix que em um coração morre e em outro renasce, para cada novo amor, um novo disfarce, os pés calejados de por tantas vidas caminhar e nas mãos as marcas dos esforços que fizera para do peito arrancar o ultimo sopro de verdade que havia, quem por azar do destino em sua vida passou, alimenta-se do desprezo pois em suas vidas foi tudo que lhes restou, não houve bom sentimento que ficou pois ela nunca com isso se preocupou, seus carnudos lábios contia um veneno cujas consequências iam além do imaginar, fosse pelo mundo ou em seu lar, não havia paredes que pudesse guardar os segredos que cultivara nos intervalos passageiramente indolores quando ilusoriamente seduzia a mente de seu escravo contando histórias sobre amor...

- Thiago Rafael