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Outrora gotejante.

Portas trancadas e lá fora um mundo que calado prestigiava os corpos enamorados debaixo da sombra das cobertas, pernas encruzilhadas e a palma sob o intimo umedecido, o colo aquecido depois de muito deslizar os dedos sob o couro cabeludo, os finos fios de cabelo dando espaço ao gozo que escorria sempre que do intimo a mão alheia saia, ácidos gemidos e sussurros que ancoravam nos batimentos que acelerados acompanhavam a sinfonia que o suor nos corpos fazia, de pudor vazia a mente que criativa se tornava a medida que o intimo a penetrava escupia no semblante até então em silencio num breve momento um suspiro raso e nítido de alegria, a satisfação que no sentir do coração ao tomar as rédeas da situação fazia-a devorar o último gotejo de saliva que dissolvia umidificando o intimo prestes a novamente penetrar-lhe, suavemente deslizando por sua mente pensamentos que em outrora deixaram-lhe livremente caminhar entre as curvas de seu fervoroso amante, não muito demora e num instante retorna ao solo do colchão encharcado de tanto prazer frutificado que exalava do rosto oposto que encarava tua face, não demorou muito e logo o disfarce de rapaz quieto deu lugar a um inquieto semblante, encarando com fervor a todo instante o intimo que freneticamente penetrava, olhando-o não se podia afirmar onde ele estava, os olhos que fechados por minutos permaneciam faziam com que a imaginação fizesse o coração mais rapidamente bater, deixou-se por alguns instantes questionar se pensava em você ou se outro alguém não se sabe quem lhe era motivo para tamanha empolgação, desfez-se da confusão que em sua mente fez-se inquilina e como dama da noite que na esquina se aquece, tornou-se a fera que o rapagão em sua mente idealizava, com seus lábios rosados o intimo másculo deslizava, acolhia-o por inteiro tanto que vez ou outra se engasgava mas o prazer que por dentro a mastigava instigava-lhe a ir além do que imaginava, viu-se tomada por outro alguém a controlar seu corpo, sentiu o gosto de ser amante e ao mesmo tempo amada, aquela intimidade para o seu rosto apontada, armada descarregou gotejos que preencheu-lhe o céu da boca, engoliu e sorriu, fingiu que nada fez, nada viu, banhou-se e sem que o rapaz soubesse de sua casa partiu...

- Thiago Rafael.

Olhos nos olhos.

Bem como a canção que reclama o que fará ao me encarar,
Te olho por trás da escuridão que acolhe o anoitecer,
Você por outro lado encara o semblante vizinho,
Pensando eu estar sozinho,
Em você faz morada outro alguém,
Aos poucos o bem que reside em mim,
Vai perdendo forma,
Vai chegando ao fim...

- Thiago Rafael​

Castigo.

E se do rosto uma lágrima escorre, no coração um sentimento morre, lá fora chove, os céus sentem por ti a perda, encarando o vazio frente ao espelho, reflexos das cicatrizes deixadas por quem disse-a amar, talvez seja este o destino de quem por outros se põe a chorar, ser morada de emoções passadas, vestígios que insiste no peito guardar, memórias funestas de quem dentro de si insiste em se perder, esta é você...

- Thiago Rafael​

Imensos sós.

Hoje os pensamentos de Maysa a Tim,
Tomam conta do meu ser, pobre de mim,
Eu que me ponho a chorar, cansado de tanto sofrer,
Lá fora o dia teima em nascer, cá comigo aquela ausência de você,
Não sei se explico meu bem, tentei encontrar alguém pra chamar de lar,
Mas bem sabes amada, não existe outra estrada,
Para o tristonho passarinho, só existe um ninho,
Embora a imensidão do céu pareça bastante, sinto-me todo instante teimosamente sozinho...

- Thiago Rafael​