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Frente ao reflexo do meu semblante entre os cacos de um quebradiço espelho, percebo na nítida expressão de medo a inquietude em meu corpo quando te vejo, úmidos calafrios que fluem entre as linhas de meu rosto na transparente reação, um corpo inquieto e desenfreado motivado pelos acelerados batimentos de meu coração, sentimento vagante perdido entre a esperança e a razão...
- Thiago Rafael
"O cheiro que impregna em meu corpo e o vestígio que deixas-te em minha boca, gotículas graciosas de desejo, ao fechar os olhos no silêncio que hospeda a minha solidão, na escuridão a sombra do teu corpo despido é tudo que vejo..."
- Thiago Rafael
O achismo não define a natureza emocional de um ser, tão pouco a intensidade ou maneiras as quais exerce a sexualidade, ninguém me conhece e eu não conheço ninguém, para mim não existe maneira mais justa de se viver expondo-se com a verdade de que interpretar um personagem medindo doses de mentira para viver-se bem diante da sociedade...

Thiago Rafael.

Horas alcançadas.

Eram quase três da madrugada e no alto do céu cinzento os pingos ameaçavam trovejar, em seu birô ressecadas cascas de maçã decoravam a decadência de alguém entregue a sofrência, atenta a todos os detalhes ao seu redor fossem eles gigantescos ou o que houvesse de menor, ainda sentada em sua barata cadeira giratória já sem um dos apoios plásticos, equilibrou seus pensamentos sob o apoio restante e encarando sua estante observada atentamente os títulos de seus livros e os objetos que guardara memórias de cada passagem minuciosa de sua tão curta estadia em vidas que não mais pertencem-na, a lente embaçada de seu óculos ofuscava suas memórias mas deixou-se levar pela preguiça pois já havia sono em seus olhos, deitou-se deixando uma de suas pernas fora de seu leito permitindo-se sentir o suspiro gélido que o passar das horas lhe proporcionara, no alto do forro de gesso a frente de sua testa cheia de marcas de expressão havia uma constelação de estrelas luminosas quando entregues a escuridão, era uma de suas paixões deitar-se a margem das águas seja de qual fosse a forma e sua natureza, quando encarando o céu seu coração parecera uma fortaleza, rígido e impenetrável, protegido pelos laços que criara quando sozinha esteve diante das mais impensáveis necessidades, uma cruel verdade que nem todo alheio ouvido possui receptividade a sua história de vida, idas e vindas recheadas de perdas as quais nem mesmo as pedras do fundo de um precipício puderá imaginar, tendo entregue-se ao abismo de por tantas noites dar-se o luxo de em silêncio chorar, por não querer um colo amigo, por não ousar outro alguém incomodar, forçada pela vida a aprender que nesta estrada de mão única terá que ainda quando alcançada a idade desaprender a caminhar...

- Thiago Rafael

Neblina blindada.

Passadas as horas que me elevam corpo e pensamento, o momento mais mórbido de minha tristonha existência, negada pela vida minha única exigência, entreguei-me ao acaso, quase sempre embriagado vivendo a margem de uma decadente sobrevivência, quando sorria recordo-me ainda do gosto amargo da tristeza, hoje exilado neste império de solidão, a unica sensação que alcança meu corpo, é a frieza da madrugada ao tocar com os pés o gélido chão, na escuridão lá fora os pássaros da noite fazem a festa, enquanto encaram meu semblante moribundo, não haverá outro alguém neste mundo, mais tristonho que eu, nos últimos segundos não importei-me quem comigo ganhou ou perdeu, tudo que sei é que as emoções restantes, quando encarei nossa fotografia na estante, tudo em mim morreu...

- Thiago Rafael.

Exílio.

As vezes eu tenho a impressão de que já senti tudo que nesta vida eu poderia ter sentido, que eu devia sentir, sinto que a maior parte das sensações que me tomam são apenas emoções revividas e nenhuma delas seja inédita, penso se não viver algo novo seja o que eu realmente precise para encarar dias futuros ou se esse vazio que me toma tantas vezes no silêncio da madrugada, se este é um desejo incabível em mim de viver algo inexplicavelmente novo, algo que talvez ninguém em toda a existência da humanidade jamais tenha tido o prazer de vivê-lo, talvez seja por isso que me aventuro tantas vezes a despir-me em outros braços tendo em cada um destes um pedaço de mim deixado, certamente algum dia já não haverá nada mais de mim pertencendo a este corpo que carrego tantos fardos, chegará um dia que talvez eu me torne a pior parte de mim, a sombra daquilo que antes repudiava, não sei ao certo o que posso esperar mas quero ter somente a coragem de fazer um único pedido a quem por ventura de algum efeito desta vida acabe gostando do que restou, que este alguém tenha os devidos cuidados para que não toque em mim as tantas expostas feridas, não sei o que será de mim caso isso aconteça, não quero se quer pensar, mas enquanto me encaro no espelho vejo que é compreensivo a imagem que meu semblante carrega, perdi uma grandiosa parte de mim, talvez o que houvesse de melhor desdo instante em que me conheci, quando olhei-me pela primeira vez com outros olhos e me entreguei a alguém que sem duvida hoje ao menos se quer lembra-se do meu nome, do homem que eu era quando nos vimos pela primeira vez, eu por outro lado ainda recordo-me e até posso sentir os carinhos que me fez, as primeiras palavras ditas, a primeira lágrima de alegria, eu gostaria que algum dia tudo isso pudesse desaparecer, só assim quem sabe eu pudesse outras emoções descrever...

- Thiago Rafael.

Fragmentos noturnos.

Depois de ter o sono interrompido pelo desejo interrupto de meus pensamentos nestas palavras desabafar, vejo-me sem mais encontrar inspirações que me levem de encontro a algum lugar, um pensamento qualquer que por um instante se quer daqui me tire, pois os tantos metros quadrados deste quarto já são minúsculos diante da imensidão de sensações contidas em mim, penso se esta tormenta me acompanhará até meu fim ou se por ventura do destino eu tenha um outro caminho, mas creio que cedo ou tarde por ventura da verdade este seja um fardo que só cabe a mim carregar, esteja onde eu estiver para os pensamentos que me cerca não importa o lugar, logo estarei outra vez descrevendo o que alguém me fez ou onde eu gostaria de estar...

- Thiago Rafael.

Rimas superficiais.

Questionou-me porque sou tão fascinado pela escuridão, respondi-lhe que esta minha paixão é motivada pela razão de que quando se tem medo de algo, isto nos protege de algo pior, pois muitas vezes temer não necessariamente impõe aos outros que você não tenha coragem mas que na verdade você apenas está privando-se de outra vez sentir a dor, e porque não apaixonar-me pela escuridão se em outro alguém posso dar-me de cara com algo pior, tão frágil e aparentemente inocente, tido por tantos tolos como o mais prazeroso gosto no viver, dizem-me que quando um alguém especial eu conhecer, serei obrigado a me render ao que a poesia conhece como amor...

- Thiago Rafael

Quando sozinho.

Alcançado pelos minutos que pareciam horas, vir-me na insistente vontade de atirar-me na madrugada afora sem vestígios de medo pois até para o mal lá fora já era tarde, em meu quarto encarando os detalhes que remetiam-me algumas verdades dos intervalos entre cada amante que sob meus lençóis deitara, imaginava no silêncio interrompido pelo cair das águas gélidas que tocavam o telhado impondo-me apreciar a sifônia que seu escorrer fazia, depois de muito pensar desistindo de dentre as vazias ruas caminhar entreguei-me a necessidade do deitar pois também em mim havia uma teimosa vontade de os pensamentos descansar, ilusão minha acreditar que as memórias de outrora deixariam-me em paz pelo alcançar das horas, dei por mim que para a inquilina tristeza nunca é tarde para chorar...

- Thiago Rafael.

Partindo-me de mim.

Sem que houvesse tempo de escorrer em minha face a primeira de muitas lágrimas, silenciou-me o peito com um certeiro disparo de mentiras, as pálpebras tremulas de meus olhos umedeciam a medida que as palavras de sua boca saiam, cada letra rosqueando uma engrenagem apertando meu coração contra meus ossos, esmagando-o sem compaixão ou arrependimento, eram firmes seus sádicos desejos de ferir-me naquele momento, seu caminhar lento ao redor da mesa e a fumaça que a fazia pausar seu desabafo com ligeiras tossidas, o amargo gosto do café e o reflexo de meu rosto no canteiro de um espelho ao pé da cama, o alivio que sentia sempre que o vento na janela batia fazendo trovejar saudades, estas que se perdiam a medida que fazíamos amor já sem vontade, dizia-me tantas mentiras mas concluíra a frase com uma verdade, desabou sob nós as cortinas desfazendo em publico nosso disfarce, dentre todas as memórias que pudera guardar pela vida inteira, jamais me esquecerei das sensações e palavras que saboreei naquela tarde...

- Thiago Rafael
Na vida nossas escolhas sempre nos fazem ganhar de algum jeito e sempre perdemos algo em cada escolha que fazemos, o quão felizes vivemos é determinado por aquilo que não nos arrependemos, no que sentimos termos acertado...

- Thiago Rafael.
"Descrevo em poucas linhas o muito de mim que meus olhos não conseguem expressar..."
- Thiago Rafael.

Lágrimas risonhas.

Te tranquilizas moça, por trás deste sorriso bem sei que existe um alguém que chora, quando as portas do teu coração se fecham, quando não estais por ai afora, lá fora encarnas teu personagem mais sorridente, este cujo semblante convence muita gente, mas a mim não convenceste, quando olhei-te a primeira vez sem muito tempo precisar pude notar, que as lágrimas contidas em teu peito, ecoavam em mim de um jeito, o qual as minhas em outro alguém fez ecoar, não importa onde queira estar, em teu peito sempre estará, a sombra deste sentimento, até que chegue o momento, que dele decidas-se desapegar...

- Thiago Rafael.
Inspirado no momento de uma amiga o qual o nome irei preferir não citar.

Desventura.

Porque sorrir se agora tu choras?
Estou fazendo as malas e indo embora,
Em meu peito escorrem vermelhas lágrimas,
O coração partido por teres me iludido.

Tendo meus sentimentos jogados fora,
Agora sozinho dou de cara com o vazio,
Encarando meu rosto num rio de magoas,
Transparentes águas tão verdadeiras quanto tuas palavras.

Ferir-me cruelmente foi o que fizeste,
Entre nós dois não estiveste,
Teus lábios tocaram noite passada outras vestes,
Amante amado e um caro perfume.

O homem imune a tuas armadilhas,
Tornando-me abrigo de feridas,
As quais nem mesmo em outras vidas,
O tempo poderá curar...

- Thiago Rafael.
Em meus olhos encontrarás distintas cores,
Sou de um tempo cujos amores eram escritos,
Revividos mais que os problemas,
Em páginas amareladas tornando-se poemas...

- Thiago Rafael.

Sorriso refletido em laminas.

Ao longe ecoou teu grito em meu ouvido acelerando-me os batimentos, cada passo que a trazia para mais perto dos meus olhos naquele momento, fervia em meu peito uma vontade intensa de acolher-te de um jeito indecifrável, um sentimento frágil tomou-me o peito cegando-me a razão e o coração, a emoção de ter-lhe comigo era quase tão imensa quanto o abrigo desta atual solidão, tirar-me o sorriso da face foi tua maior motivação, motivo este explicito em tua expressão o qual somente agora pude perceber, perder você havia tornado-se um medo que não cabia em mim, razão a qual alimenta em min'vida esta escuridão, a dor da ilusão é quase nada, se comparada a esta tristeza quase sem fim...

- Thiago Rafael

Carnavalesca.

Já era quase meio dia, depois de uma noite em claro, uma madrugada vazia, de tantos sentimentos rasos, de ter que encarar tua expressão fria, tendo entregue os sentimentos ao descaso, do acaso que tornou-se tua companhia, sorriso falecido escupido numa tela em branco e preto, tudo que vejo são indolores espinhos a perfurar-me lentamente a pele, a mentira é tua única veste, teu único terreno, o caminho que segues, cegando a mim mente e coração, cultivando ilusória paixão a qual em tuas mãos moldou bem como quisera, fizeste a festa e quando não mais quiseres, largou os restos numa viela qualquer, este sempre foi teu maior prazer mulher, deixar rastejante teu amante, alguém que a todo instante, estivesse aos teus pés...

- Thiago Rafael.

Uma reflexão sobre o amor próprio.

- Amadurecendo.

Existem dias tão frios quanto a sola do pé numa madrugada chuvosa ao encostar na pele de alguém que se tem ao lado, momentos estes quando não se tem este alguém, existe um espaço vazio no teu colchão, na mesa, no banho e no sofá, há um vazio no coração quando não se sente mais o calor da mão amada deslizando em seus fios de cabelo nos instantes em que se precisa do colo, todas essas ausências são dolorosas mas não há uma tão imensamente quanto o vazio que se sente ao encarar-se no espelho, vendo que o amor próprio se esvaiu levado por alguém cuja existência em sua vida é inexistente agora, perguntar-se sobre os erros e acertos é tão tolo quanto se deixar levar por este momento que só depende de você eterniza-lo ou isola-lo de sua vida bem como quem dedicou-se por tanto tempo fez e faz com você, chega-se um momento que interrompe-se uma tarde de filme, pipoca e lágrimas, um instante o qual o corpo entra em transe e dar-se conta de quanto tempo foi perdido permitindo-se ser apenas mais uma decoração na estante de quem em outros braços cultiva ditas emoções as quais dizia dedicar-te e você enfim cansa de chorar, de tantas outras tolices que fizera exilando-se das coisas boas que a vida te colocara a frente dos olhos e pela cegueira que a dor te causava acabara deixando passar despercebidas mas lamentar estas perdas é tão tolo quanto as que deixaram em ti feridas, este é o momento em que recolhe seus sentimentos espalhados e escondidos entre as bagunças de cada comodo do teu coração e por um surto de razão deixará a solidão e partirá de encontro a felicidade que na verdade sempre esteve ao teu lado ou melhor dizendo, sempre existiu e existirá dentro de você, a felicidade que se sente quando se entende que não há amor de verdade quando não se sente a saudade de ter-se um tempo só para você, a saudade de ficar sozinho amando-se incondicionalmente, quando tiveres esta sabedoria escupida em teu peito e em tua mente, partes de encontro ao alguém que te merece e que espera-te de peito aberto para acolher todo o amor que aprendeu a cultivar, verdadeiro e tão intenso que não há como raízes criar pois o amor próprio é uma arvore sem semente, ele não mente e jamais te deixará errar novamente...

- Thiago Rafael.

Dama da noite.

Tarde da noite e aqui no peito um sentimento que desde muito cedo me doma, um coração dilacerado por ilusórias palavras de uma dama cujo único prazer é satisfazer seus sádicos desejos, tudo que vejo em seus olhos são faíscas como as de uma fênix que em um coração morre e em outro renasce, para cada novo amor, um novo disfarce, os pés calejados de por tantas vidas caminhar e nas mãos as marcas dos esforços que fizera para do peito arrancar o ultimo sopro de verdade que havia, quem por azar do destino em sua vida passou, alimenta-se do desprezo pois em suas vidas foi tudo que lhes restou, não houve bom sentimento que ficou pois ela nunca com isso se preocupou, seus carnudos lábios contia um veneno cujas consequências iam além do imaginar, fosse pelo mundo ou em seu lar, não havia paredes que pudesse guardar os segredos que cultivara nos intervalos passageiramente indolores quando ilusoriamente seduzia a mente de seu escravo contando histórias sobre amor...

- Thiago Rafael

O ultimo sopro de vida.

Ilusoriamente aprisionado entre quatro paredes pintadas de cores distintas, desistindo de toda vida lá fora, agora é tempo demais para viver tudo que me sobrou, estou caminhando em círculos dentro de um quadrado que já não me cabe, a sensação que me invade é como uma tempestade de areia em meus olhos, sentimentos expostos sob uma meia luz de um abajur um tanto empoeirado, errado estive tantas vezes por encarar minha face frente ao espelho trincado, desfazendo meu disfarce tão perfeito escrevendo com tinta vermelha respostas numa prova da vida o qual irei reprovar, tanto lugar onde eu podia estar e optei erroneamente pela solidão, encorajado pelo verso longo de uma canção a qual meu coração fez tantas vezes questão de repetir, ir e vim da cama a cadeira desejando aos meus pés uma lareira cuja pouca luminosidade fosse mais que suficiente para brilhar no reflexo dos seus olhos algum esboço de verdade, ter a coragem de dizer-te adeus sem arrependimento mas meus lábios são instrumentos que não atendem aos meus comandos, rebeldes estes que teimosamente encaram os teus quando estamos frente a frente, questiono-me tantas vezes porque permitires teu sorriso seduzir meu coração, onde estais não sei pois ainda vives e aqui deitado fico com o corpo frio abraçando este gélido chão...

- Thiago Rafael.

Mascaras.

Quando percebo as lágrimas a escorrerem em seu rosto,
Parte de mim se entristece profundamente,
Pois na boca ainda sinto o amargo gosto,
Das poucas boas lembranças que restou da gente.

Quando sozinho me entrego corpo e pensamento,
Afogando minhas tristonhas memórias na convidativa solidão,
Revendo as amareladas fotografias que levam-me a todo momento,
Aos sentimentos que por tanto tempo cresciam em meu coração.

Não sei se por descontrole de uma desenfreada paixão,
Talvez em nós ainda possa crescer,
Dando lugar ao que hoje temos como ilusão,
Transparecer nossa real face desfazendo o disfarce que restou em mim e em você.

- Thiago Rafael.

Controverso.

Por falta de explicação,
Vir-me caminhar sem prumo,
Sem um distinto pedaço de chão,
Seguindo quase sempre sem rumo.

Dei de cara na contra-mão,
Faleceu deixando só aquilo que dói,
Um vazio que ficou no coração,
Uma emoção que me corrói.

Talvez uma canção de amor renove,
Quem sabe reviva o que teve um ponto final,
Pois nada em mim se move,
Se não as emoções destrutivas como um temporal.

Perdi-me entre meu bem e meu mal,
Vagando entre as curvas de um alguém qualquer,
Crescendo em mim este sentimento marginal,
Diferente dos quais dediquei tão fielmente aquela mulher.

- Thiago Rafael.

Estações.

No momento que te ganho,
Uma parte de mim você leva,
Cultivando um sentimento estranho,
Algo que esteve comigo em outra era.

Erra e ainda assim persiste,
Desiste de muitas coisas menos do amor,
O que há dentro é o que existe,
Escolheu deixar crescer onde antes havia dor.

Quando acolhida pelo abraço tudo muda de cor,
Novas formas e gostos compõe seu universo,
Uma curta canção acabara de compor,
Transformou o verão em inverno.

Errou sem nada contar,
Escupiu um personagem controverso,
Decidiu de mim outra vez tirar,
Aquele que por ti foi meu ultimo verso.

- Thiago Rafael.

Os dois lados de um só caso.

- Enquanto eu.

No principio seu sorriso era tão simples quanto entender que ao fim da primavera as folhas caem, seu caminhar mediano me dizia muito sobre a sua calmaria e a paciência que regia sua vida, as conversas longas sempre tão pausadas pelos risos que cultivávamos por muito tempo se perderam na lembrança pois não haviam razões para arquiva-las em minha mente, pouco a pouco um estranho sentimento foi tomando a gente e não sei se eram meus olhos ofuscados pelo teu sorriso que lentamente seduziu-me de um estranho modo, concordo somente que vir-me por muitas noites perder o sono idealizando momentos ao teu lado que fossem capazes de cativar-se mais profundamente o riso e sem notar projetei em ti um paraíso de expectativas e um futuro o qual não havia espaço para em outro alguém pensar, dei por mim que a medida em que os minutos ao seu lado tornavam-se aparentemente ligeiros, por outro lado longe de ti eram tão lentos aqueles eternos segundos sem você por perto, certo dia encarei-me frente ao espelho e vir-me confuso se todo o novo mundo por mim projetado era habitado por um de nós ou se ambos ali vivianos, tomado pela duvida e pela cruel insônia passei a não mais ver-te tão nitidamente quanto antes, estava cego pois as batidas de meu coração quando ao seu lado deixavam-me tonto e então vir-me apaixonado...

- Por outro lado.

Sem que as batidas do meu coração pudessem acompanhar o nítido desejo contido em seus olhos quando via-me mesmo que perdidamente pela rua, pela janela de um ônibus as pressas num fim de tarde de céu avermelhado, na correria de um dia nublado e até mesmo nos instantes que dávamos o luxo de por horas conversar, seus transparentes sentimentos armazenados no esforçado sorriso que cultivava em sua face dócil fazendo-me rir com bobagens incrementadas de um humor forjado, via-me na contra-mão de um sentimento que não habitou-me por um só instante, tinha-o como um amigo e não como um futuro amante mas era tarde, a verdade fazia-me sangrar por dentro encarando seu semblante risonho, tristonho muitas vezes ao ter seus esforços fracassados pois haviam dias que restava-me apenas chorar, particularidades femininas tão mal compreendidas pelo homem mas não o culpava, apenas outra mulher em meu lugar entenderia o que nestes dias se quer, dedicado e sempre tão presente ao meu lado, vir-me por muitas vezes acostumada aos mimos de um amor amigo que teimosamente prosseguia sem nenhum rumo tomar, algo o qual não nos reservaria nada a frente pois dentro de mim nada havia ligando-o ao que se passava em minha mente, aos poucos fui sendo tomada por uma tristeza onde antes só havia espaço para o sorriso, tornou-se nítido em meu semblante o desejo de dizer-lhe o que do fundo do meu coração partiria mas partir seu coração era a ultima coisa que eu queria...

- Thiago Rafael.