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Certas coisas preciso te dizer, não só pra você cultivo flores em meu jardim, meu coração é um oceano sem fim, em mim reside amores que não conto os nomes, gosto de mulheres e de homens e sou feliz assim, faço por eles o que fazem a mim e assim vivo cada vez mais leve, não deixe que a solidão te carregue, se precisar de ninho chega mais perto, no meu leito tu tens afeto e sexo se estiveres afim...

- Thiago Rafael
Quero falar de amor mas vem-me a dor ao ouvir este nome, mulher ou homem pode ser capaz de fazer-me outra vez sorridente, sobrevivo do efeito árduo daquele beijo ardente, do tipo que faz a gente beirar a morte ou a ilusão, por aquela paixão fiz tripas, coração, no entanto a solidão sobressaiu, o lado bom de mim outra vez partiu, restando apenas devassidão, virei noturno amante, prefiro ser só mais um objeto em sua estante de prazeres a viver outro romance...

- Thiago Rafael.

Ventos distantes.

Hoje mais cedo senti sua falta,
Como por outro alguém nunca senti,
Você parece minha satisfação,
Motivo o qual faz-me sempre sorrir.

Quero sem medo ouvir tua voz,
Contar das vezes que de longe te vi,
Sobre o medo de me aproximar,
Vendo-te por outro caminho seguir.

Apaixonar é um risco a correr,
Ser dono de meu próprio nariz,
Fazer escolhas sem medo de sofrer,
A vida seguir sem muita cicatriz.

Sei que parece só mais uma ilusão,
Uma loucura de um mero aprendiz,
Pouco sei sobre essa paixão,
Mas sei que quero fazer-lhe feliz...

- Thiago Rafael.

Amarras de uma intensa palavra.



Você deve estar perguntando-se porque um vizinho do outro lado da rua ligou para a policia denunciando um homem despido e amarrado numa cama frente a janela cujo primeiro brilho do sol entra por ela expondo a toda vizinhança, pois bem caro policial irei vos explicar...

Era por volta das vinte horas quando saindo do trabalho decidi fazer uma pausa em um barzinho a caminho de casa, sentadas a beira do palco estavam três moças olhando-me vez ou outra, uma morena de cabelo curto com uma postura aparentemente máscula mas com uma delicadeza no jeito de mexer no cabelo e de levar o cigarro aos lábios, outra com o cabelo médio, baixinha de lábios carnudos e olhos negros, tragava o vinho sempre que me encarava, a terceira com o cabelo mais longo entre as três, magra de porte médio e uma ousadia na postura, sentada no meio das outras duas com os braços abertos acolhendo os ombros das outras duas moças, esta mal olhava-me mas cochichava algo no ouvido das outras duas que olhavam-me logo em seguida sempre que ela falava algo ao pé de seus ouvidos, não levou muito tempo até ser avisado pela garçonete que teria sido convidado a juntar-me a mesa, exitei por um curto instante enquanto minha imaginação fluía pensando em mil coisas a dizer ao apresentar-me mas todo o esforço resumiu-se a um silêncio perfurante seguido de uma leve batida do copo na mesa e um olhar fixo nos olhos da moça ao centro das três, seus olhos estavam fixos nos meus desdo instante em que levantei-me da mesa onde estava, lentamente ela moveu seus braços levando-os a mesa, estirando em seguida uma de suas mãos até as minhas apresentando-se disse-me logo em seguida sem muito remanche, "conheço seu trabalho, acompanho seus escritos na internet mas não recordo-me como se chama...", o silêncio prevaleceu por alguns instantes até que ela insistiu, "não nos dirá como se chama?", um pouco trêmulo na voz a respondi tentando aparentar firmeza mas percebi o quão falho fui ao receber logo em seguida uma longa gargalhada por parte das três moças, a de cabelo mais curtinho me disse em seguida ainda sorrindo, "calma rapaz, nós temos algo que lhe interessa e você tem algo que nos interessa", desta vez com uma notória firmeza a perguntei, "e o que seria afinal?", ela retrucou questionando, "não faz a minima ideia do porque de termos chamado você para juntar-se a mesa conosco?", ainda firme respondi, "não, não faço a minima ideia", ela então questionou-me, "então o que escreves é pura imaginação? não viveis nenhuma das experiências descritas nas tantas linhas de seus contos eróticos?", a vermelhidão corou-me o rosto, senti as palmas de minhas mãos ficarem gélidas, jamais havia sido abordado a cerca de meus escritos eróticos, fiquei novamente trêmulo em seguida respondendo, "o que escrevo é fruto de pouca experiência e abundante imaginação", a mais baixinha por sua vez pegou-me pela mão dizendo logo em seguida, "nota-se que os calos de suas mãos são frutos não da escrita mas de uma interrupta masturbação", se puseram a rir novamente e sem resposta alguma em minha mente levantei-me da mesa esbaforido, antes de alcançar a porta de saída senti uma leve mão em meu ombro seguida por um sussurro dizendo-me, "esta noite você terá a chance de escrever algo real, siga-nos ou volte para seu canteiro que exala inexperiência inundado de imaginação".

Bom, como o senhor pode ver, certamente sabes qual escolha fiz, mas se permite-me gostaria de contar-lhe detalhes a cerca do que levou-me a estas amarras e o forte cheiro de perfume feminino predominante neste comodo...

Ao virar-me não consegui ver as outras duas moças, a minha frente estava a de cabelo longo olhando-me de baixo para cima, elogiando-me as vestes mal escolhidas, pegou-me pela mão levando-me em seguida para a pista de dança, conversamos por alguns minutos fingindo estarmos dançando, ela disse-me que não podia levar-me mas que eu ficasse atento ao perfume que guiaria-me o caminho, como prometido aguardei cinco contados minutos após sua saída, com passos ligeiros segui o rastro de seu perfume misturado a forte frieza daquela cidade pós chuva, já muito fraco temia perder-lhe tendo eu um fraco olfato, por sorte ou azar ainda não sei dizer, a vi a poucos metros a minha frente numa travessa sem saída, não aproximei-me logo em seguida, observei-a entrar pela porta ainda a distância, segui algo embaraçoso revirando minha mente bem como o medo que sentira na infância, lentamente caminhando rumo a porta daquele cômodo vir-me acelerante e as palmas de minhas mãos de firmes e confiantes deram lugar a um constante medo do que viria no seguinte instante.

Ao abrir a porta vi a mesma moça sentada encarando-me com um lenço em uma de suas mãos, levantou-se ao vez-me dar os primeiros passos dentro do quarto, enquanto estacionado com os olhos fixados a frente do que via ela caminhou por trás fechando a porta vendando-me logo em seguida, lembro-me vagamente de ter subido uma curta escada, creio ter sido levado para o terceiro ou quarto andar, fui guiado até uma cadeira onde era possível sentir folhas soltas sobre uma mesa de mármore e vários lápis de madeira, ainda vendado senti os pés serem amarrados, o quadril logo em seguida antes de ter os olhos desmascarados, quando os abri pude ver as outras duas moças despidas na cama, já beijavam-se antes da terceira juntar-se a elas, beijaram-se por alguns segundos até pararem, encararem-me em seguida dizendo, "o que esperas? escreva..."

Tudo que direi a seguir policial pode e deve ser usado contra ou a meu favor no tribunal, não sou nenhum marginal mas meus pensamentos foram além da minha razão, não sou puritano mas jamais havia sido tomado por tamanha insanidade, toda a minha vaidade romancista desfez-se esta noite, entenderás o que vos digo ao ler as escritas espalhadas pelos cômodos desta casa, mas se permite-me ir além gostaria de lecionar minhas memórias pois estas foram lapidadas por todas as cenas aqui vividas nesta cama de casal...

Não levou muito tempo para que as três voltassem as caricias após as primeiras palavras escritas nas amareladas folhas de papel, era possível sentir o forte cheiro de cravo a cada letra tatuada com grafite, seus seios mediados suados deslizavam uns nos outros como se estivessem dançando, os dedos penetrados no intimo ao lado gotejavam o gozo calado a marcar de branco os negros lençóis, suas nádegas robustas, fartas e bem moldadas empinavam-se a cada ácido gemido, ao meu ouvido ecoavam suas poucas falas misturadas ao que minha imaginação produzia, a minha frente caladas, em minha mente mil coisas diziam, era como se sussurrassem cada palavra que minhas mãos escreviam, então uma delas levantou-se deixando as outras duas beijando-se e acariciando-se, abriu uma das gavetas da comoda, retirou um pente e começou a pentear-se a frente daquele espelho vitoriano, a escova cujas costas similar a de uma palmatoria em seguida foi levada as nádegas de uma das moças ainda deitada, foi instantâneo o alto gemido seguido por um forte impulso motivando-a a implorar por outra palmada, fixei meus olhos nas nádegas que de brancas assumiram a vermelhidão que na ausência da escova era acertada pela palma da mão.

Neste instante dei por mim que se quer sabia o nome das moças, como as descrever citando-as somente pelas poucas roupas e seus cortes de cabelo?

Quando as perguntei a mais baixinha questionou-me, "faz diferença saber?", em seguida a de cabelo longo disse-me, "chame-nos como preferir, use sua imaginação e batize-nos pelos nomes que seu tesão lhe sussurrar...".

A começar pela de cabelo mais curto, preferi chama-la de Belle, a de cabelo médio passou a atender por Anne seguida pela de cabelo longo por Ive, as três ficaram satisfeitas com seus novos nomes de batismo casual, levantaram da cama logo em seguida e foram as três ao banheiro, ali ficaram por vinte a trinta minutos enquanto já inquieto e com a garganta seca ousei chama-las para pedir-lhes um pouco de água, antes que as primeiras palavras pudessem sair da minha boca ao abrirem a porta vejo-as vestidas com roupas de vinil, a Anne cujas nádegas estavam ainda rosadas vestia-se como uma felina, um forte batom vermelho e um leve contorno de preto ao redor dos olhos, Belle por sua vez com uma calcinha que simulava o intimo masculino penetrando-a deixando exposta a outra parte do membro de superfície siliconada, Ive possuía apenas uma curta saia de vinil, prendedores em seus mamilos e um chicote na palma de sua mão, as três vieram em minha direção desamarrando-me da cadeira logo em seguida, vi a corda com uma lamina ser rompida arranhando-me a pele, o sangue a escorrer de minha coxa molhando as negras roupas parece ter as instigado ainda mais, confesso ter ficado assustado pensando eu em minha masculinidade ser por Belle com aquele membro ser penetrado mas o alivio veio logo em seguida quando já amarrado pelas mãos e pelos pés vi Belle impor a Anne que ficasse de quatro encarando-me enquanto penetrava-a, Ive por sua vez chicoteava as duas pausadamente a cada cinco, seis vezes que Belle penetrava Anne, era possível sentir a ofegante respiração de Anne em minha frente e a saliva de sua boca gotejar em meu intimo, Ive chicoteava-me nas perdidas vezes que tentei aproximar-me, encarava-me com um furioso olhar que em silêncio dizia-me, "ponha-se no seu lugar...".

Sem que por um instante se quer meu intimo fosse tocado, o senti gotejante quando ao meu lado Anne debruçou-se depois de ter por várias vezes gozado, exaustos seus braços quase falecidos tentavam levantar-se enquanto seus seios tocavam meu intimo umedecido, encarando-a nos olhos pude perceber o gosto pelo gozo que escorria em seu corpo após ter levantado-se, Ive com um de seus dedos levou-o até os seios de Anne sentindo em seguida o gosto do que esvaia-se de meu intimo, Belle por sua vez manteve-se ereta ainda segurando fortemente contra o próprio corpo o quadril de Anne, Ive então decide ir para trás de Belle, a vejo levando uma das mãos ao intimo de Belle enquanto os lábios repousam nos ombros e pescoço guiados pela mão que livre percorria as curvas de Belle, vi aquela moça de postura máscula transformando-se em donzela quando tocada por Ive, desdo instante que a vi percebi sua postura como alfa da matilha de lupinas, Ive era uma mulher magrinha mas de firmeza no toque, as veias que elevavam-se em sua pele ao apertar as nádegas de Belle deixavam isso nitidamente.

Novamente debruçada em minhas pernas era possível sentir os movimentos de vai e vem que Anne fazia movida pelas lentas penetrações de Belle enquanto Ive acariciava-a todo o corpo, naquele momento vi uma ligeira mudança no olhar de Ive quando ela notou uma das mãos de Anne tocando-me, apertando-me enquanto era penetrada, Ive furiosa chicoteou a mão de Anne enquanto tocava-me dizendo, "o que você pensa que está fazendo?", Anne nitidamente assustada respondeu medrosamente, "não sei, juro que foi sem querer...", Ive volta a acariciar Belle que se quer moveu-se ou assustou-se diante da ação de Ive, Belle certamente a conhecia a mais tempo que Anne e por sua vez estaria acostumada aos caprichos dominadores de Ive, acanhada Anne permitiu-se ser penetrada gozando novamente em seguida após chicoteada por Ive, Belle aparentemente exausta retirou lentamente o membro de Anne que de tão encharcado de gozo umedeceu parte do lençol deixando Anne tomada pela vermelhidão ao perceber o quão havia gozado, Ive já havia retirado-se da cama estando sentada na cadeira onde eu estava sentado a principio, dali ela observada Belle e Anne transarem a minha frente sem que eu pudesse mover um músculo se quer...

Quando Belle e Anne levantaram-se da cama vi Ive em seguida vindo em minha direção, ao chegar começou a engatinhar colocando seus joelhos e mãos ao lado de minhas pernas até que seus seios tocassem meu intimo, ela o deslizou entre eles por curtos segundos levando em seguida suas mãos a minha nuca e por fim vendou-me, daquele momento em seguida não era possível ver nada além do meu intimo quando abaixava a vista através das brechas do lenço que vendou-me, ouvi poucos minutos após um longo barulho do chuveiro, algumas risadas, minutos após alguém batendo a porta dizendo que a encomenda havia chegado, Ive atendeu o rapaz com uma tamanha gentileza diferente da qual tratou-me, era possível saber que ela foi atender a porta ainda despida pois o silêncio do cômodo permitiu-me ouvir as gotas que escorriam de seu corpo e o forte cheiro do sabonete, após cerca de dez minutos o local foi tomado pelo cheiro de um caro vinho o qual não recordo-me o nome mas pude sentir o gosto pouco antes de fecharem a porta e partirem quando Belle beijou-me dizendo em seguida em tom sussurrante, "ainda esta semana espero ver-me entre suas personagens...".

Depois do barulho da porta fechando-se só recordo-me de inutilmente tentar desfazer os nós conseguindo apenas retirar a venda que me foi colocada, confesso que não arrependo-me da vergonha que passo neste momento, não espero ser perdoado por parentes ou até mesmo por uma possível namorada, tudo que quero levar comigo para casa é toda a bagagem que adquiri com estas três moças nesta excitante madrugada...

- Thiago Rafael.
O gosto da tradução, a traição de um idioma mal falado, o calado batimento de um peito que neste momento contenta-se e chora, embora tristonho o coração é teimoso e não mede o gosto de sentir-se abandonado, mal amado é aquele que vai embora quando ainda o peito reside o amor que brotou em outrora, agora fechadas as portas, resta pendurar os lenços encharcados no varal e pedir sem nenhum mal que os possíveis amores vão embora...

- Thiago Rafael.
Faço as pazes, sou de prazeres, não de disfarces, a minha face é um espelho, o que ver em meus olhos não é totalmente verdade, é mero desejo...

- Thiago Rafael.

Impares amargos.

Preparo-me tristemente para escrever sobre um destinto gosto que senti sob os lábios, o amargo de verdades nunca ditas pelos fragmentos de minhas peles dos dedos enquanto escrevo-as já que minha voz não surtiria mesmo efeito, falo de um jeito de amar cujo peito sangra só de reviver tais memórias, como um covarde ao apunhalar pelas costas seu melhor amigo tive que encarar como inimigo o motivo pelo qual justificava minha extinta alegria, quem me viu sorrir um dia sabe o quão verdadeiro era meu semblante, quem ver-me neste instante pergunta-se arduamente quão profundos são os abismos que atrevi a me jogar, como saltador sem paraquedas mergulhei no escuro de teus olhos iludido pelo que teus lábios causou-me no primeiro encontro, quem apaixonou-se nesta vida sabe como prazeroso é sentir o bater das asas de milhares de borboletas em nosso estomago quando se quer tomamos o café da manhã, mesmo jejum sentia-me preenchido, recheado pelo que hoje encontra-se apenas um vazio ecoante cuja minha voz não ecoa e a mesma não pode ser ouvida por ninguém, vejo-me aprisionado dentro de meu próprio ser sem saber quais caminhos seguir, tornei-me um labirinto sem porta de entrada ou saída, fui jogado em seu interior com migalhas para sobreviver mas quão tolo pude ser ao não perceber que não importam quais sejam os esforços que façamos, quando estamos no centro do oceano sem a existência de qualquer vida a nossa volta não há nada que possa nos socorrer, assim me senti quando perdi você e assim sinto-me a cada dia que tento afastar-me, todo o esforço que usufruo para lembrar do que faz-me bem é apenas a vontade de te esquecer, vencer um jogo com um só participante, um troféu sozinho em uma estante, o instante de glória recheado de aplausos por fazer nada além do próprio dever, imagino que assim sintam-se outros que como eu tiveram o mesmo destino, acreditei cegamente ser um homem cuja mente fosse brilhante mas vejo a cada instante que não passo de um mero menino, amedrontado pelo futuro que não cabe na palma de sua mão de tão grandioso, a responsabilidade que lhe foi imposto, o caminho que não pode seguir, sem ter onde ir despeço-me dos sonhos que cultivei e das poucas emoções que em alguém cativei mas de tão ingrato nem seus nomes sei, fui tão amargo amigo que se fosse preciso buscar abrigo morreria de fome entregue aos montes de trapos no armário equilibrado por livros que nunca li e uma geladeira quebrada cheia de lixo...

- Thiago Rafael.