Visitantes

Dejetos próprios.

Tudo a nossa volta está vazio, as primeiras horas do dia sempre tão escuras, o frio que dói-nos os ossos esgueirando-se em nossas espinhas, o fino lençol que não nos acolhe, o abraço a tanto ausente, tanta gente a nossa volta e ainda assim o que mais conforta-nos é o silêncio, o momento de solidão tem melhor gosto, no rosto as lágrimas se ausentam e não lavam-lhe as mãos antes levadas a face, quando tristonha hoje embriaga-se e com falsos sorrisos diz a si própria mentindo-se, dizes que as feridas estão curadas e que a maré encontra-se mansa, ergue as velas e leva consigo toda a bagagem, suas viagens de um corpo a outro, provando diferentes sorrisos, antes amigos agora distantes, assim os eternos momentos no principio prometidos tornam-se meros instantes, tão curtos e insignificantes quanto a própria ilusória felicidade que cultivas, a alegria que cativas, tão venenosa que temes a própria vida...

- Thiago Rafael​