Alcançado pelos minutos que pareciam horas, vir-me na insistente vontade de atirar-me na madrugada afora sem vestígios de medo pois até para o mal lá fora já era tarde, em meu quarto encarando os detalhes que remetiam-me algumas verdades dos intervalos entre cada amante que sob meus lençóis deitara, imaginava no silêncio interrompido pelo cair das águas gélidas que tocavam o telhado impondo-me apreciar a sifônia que seu escorrer fazia, depois de muito pensar desistindo de dentre as vazias ruas caminhar entreguei-me a necessidade do deitar pois também em mim havia uma teimosa vontade de os pensamentos descansar, ilusão minha acreditar que as memórias de outrora deixariam-me em paz pelo alcançar das horas, dei por mim que para a inquilina tristeza nunca é tarde para chorar...
- Thiago Rafael.
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Partindo-me de mim.
Sem que houvesse tempo de escorrer em minha face a primeira de muitas lágrimas, silenciou-me o peito com um certeiro disparo de mentiras, as pálpebras tremulas de meus olhos umedeciam a medida que as palavras de sua boca saiam, cada letra rosqueando uma engrenagem apertando meu coração contra meus ossos, esmagando-o sem compaixão ou arrependimento, eram firmes seus sádicos desejos de ferir-me naquele momento, seu caminhar lento ao redor da mesa e a fumaça que a fazia pausar seu desabafo com ligeiras tossidas, o amargo gosto do café e o reflexo de meu rosto no canteiro de um espelho ao pé da cama, o alivio que sentia sempre que o vento na janela batia fazendo trovejar saudades, estas que se perdiam a medida que fazíamos amor já sem vontade, dizia-me tantas mentiras mas concluíra a frase com uma verdade, desabou sob nós as cortinas desfazendo em publico nosso disfarce, dentre todas as memórias que pudera guardar pela vida inteira, jamais me esquecerei das sensações e palavras que saboreei naquela tarde...
- Thiago Rafael
- Thiago Rafael
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