Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais."
Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora.
E que ninguém chamará mais.
Visitantes
Discurso em seu casamento.
Eu sempre imaginei encontrar uma mulher que me trouxesse paz, que me trouxesse conforto e que me aceitasse exatamente como eu sou.
Ai eu conheci você, e você não era nada disso...
Ao invés de paz, você trouxe um monte de novidades para minha vida.
Ao invés de conforto, você trouxe um novo modo de pensar, novos lugares para conhecer.
E ao invés de me aceitar como eu sou, você me fez descobrir que eu podia ser muito melhor...
Nós somos muito diferentes, mas somos diferentes de um jeito que eu acho perfeito, porque a gente se complementa.
Você é tudo que estava faltando na minha vida, e eu espero sinceramente poder ser o mesmo para você.
O normal seria eu dizer agora "nunca mude e continue ser essa mulher que eu amo".
Mas na verdade eu vou dizer, "continue mudando, pois assim você continua mudando a minha vida".
Eu te amo, cada vez mais e cada vez de um jeito novo...
- Rafael, 17 de Agosto de 2013.
Ai eu conheci você, e você não era nada disso...
Ao invés de paz, você trouxe um monte de novidades para minha vida.
Ao invés de conforto, você trouxe um novo modo de pensar, novos lugares para conhecer.
E ao invés de me aceitar como eu sou, você me fez descobrir que eu podia ser muito melhor...
Nós somos muito diferentes, mas somos diferentes de um jeito que eu acho perfeito, porque a gente se complementa.
Você é tudo que estava faltando na minha vida, e eu espero sinceramente poder ser o mesmo para você.
O normal seria eu dizer agora "nunca mude e continue ser essa mulher que eu amo".
Mas na verdade eu vou dizer, "continue mudando, pois assim você continua mudando a minha vida".
Eu te amo, cada vez mais e cada vez de um jeito novo...
- Rafael, 17 de Agosto de 2013.
Ontem.
Meu peito é um horto onde cultivo a alegria de viver o acaso,
Dia pós dia aliviando o fardo de viver sozinho,
Tenho hoje no dia a dia outro caminho,
Algo que me trás o cantar dos pássaros,
Um abraço amigo batizado de ninho,
Até a embriagueis do vinho é prazerosa,
Já não me sinto tão exposto,
Não corro atrás de todas as respostas,
A vida agora possui outro sentido,
Viver com o coração aflito não é uma opção,
É tolice pois esta sensação está de passagem,
Em uma viagem a qual na volta trará boa emoção.
- Thiago Rafael.
Dia pós dia aliviando o fardo de viver sozinho,
Tenho hoje no dia a dia outro caminho,
Algo que me trás o cantar dos pássaros,
Um abraço amigo batizado de ninho,
Até a embriagueis do vinho é prazerosa,
Já não me sinto tão exposto,
Não corro atrás de todas as respostas,
A vida agora possui outro sentido,
Viver com o coração aflito não é uma opção,
É tolice pois esta sensação está de passagem,
Em uma viagem a qual na volta trará boa emoção.
- Thiago Rafael.
De encontro ao acaso.
Por tantos dias e noites encarei o céu desejando que todo mal do mundo caísse sobre mim, era tristonho e tinha a vida como um traço ofuscado, uma poesia em negrito, meu sorriso aflito dizia coisas aos olhos de quem me observada, deixando-me exposto as interpretações de quem já não me amava, meus rebeldes sentimentos que entravam em contra-mão todo tempo deixava-me cada vez mais instável, insuportável devo assumir, vir-me muitas vezes caminhando sem ter onde ir, fisgando alheios sorrisos numa frustrada tentativa de ir de encontro ao paraíso, até que um dia sentei num banco de praça e esperei, esperei e depois que as pernas já não tinham forças para caminhar, que meu rosto não havia expressão e que toda a razão daquele momento havia esvaído de mim, você chegou, seus olhos cor de mel encaravam-me de um doce modo, suas mãos frias tocaram-me o rosto e sua voz meu coração, como num intervalo entre o piscar dos olhos você trouxe-me outra vez razões, vir-me tomado por emoções que aceleravam-me o peito enquanto com o seu jeito contou-me pouco sobre o dia a dia, a alegria que tomou-me era tanta que domado por uma estranha insegurança sentir-me outra vez criança ao lado de seu primeiro amor, você é como um riso num fim de tarde chuvosa, a resposta de um caça-palavras, a chave que abre a caixinha de segredos, é o resumo do meu desejo de ser feliz, é tudo que eu sempre quis, agora conte-me o segredo de sua vida, quais os caminhos que devo seguir para de igual modo fazer-lhe sentir o que em mim reside neste momento, pois corro contra o tempo e vê-la sorrir é tão precioso quanto dizer-lhe a verdade, que toda essa minha ansiedade é a ausência tua que deixa-me assim...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Fera ferida.
Como num caminhar sussurrante você veio de encontro aos meus aflitos olhos, seu transparente véu acobertada suas expressões venenosas, ao longe observava seu sorriso de navalhas que apunhalava-me cada vez mais profundo a medida que se aproximava, ao ceder a mascara e encarar-me com seus negros olhos uivantes, vir-me naquele instante tomado por uma insegura sensação, um frio em todo corpo que nem a mais severa estação pudera causar-me tamanha dor, uma acidez nas palavras emitidas com pitadas de ironia e rancor, o aço fervente de suas laminas cravadas até que o punho fosse possível sentir, deixou-me sem ultimas palavras ao partir, vieste verdadeiramente mal intencionada de tal modo que mesmo se amordaçada, sua respiração teria mesmo tom agonizante, hoje sou apenas mais um troféu em sua estante, um objeto sem valor algum, dentre tantos outros o mais comum, aquele cuja origem dizes ser de nenhum lugar, mas soubeste desde que teu uivante olhar fixou-se em mim, tua presa, que por descuido da natureza eu seria teu bem mais precioso, um alguém cujo teu coração sentiria seguro em encorar, mas muito lhe vale o orgulho que o amor, pois em uma vez quem sofre por tal sentimento, não deseja em vida sentir-se igualmente o sofrimento, que ao partir o mesmo a deixa, o teu ei de ser apenas mais um cansado, que ao dizer não assume menor fardo, viver de encontro solidão.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Despertar de bons sentimentos.
Vinda a mim com tamanha simplicidade, suas verdades tocavam-me o peito como um atiçar de desejos ocultos, um culto a felicidade que parecia não ter integridade, sentir com tamanha intensidade muito me era desconhecido, depois de tantos baixos ter vivido, vir-me encarar um abrigo cujos sentimentos parecidos encaravam-me de igual modo, frente aos teus olhos, teu sorriso é tudo que noto, estou imóvel pois o mundo parou quando você chegou aqui, como um furacão de bons sentimentos, tomado por um momento o qual não desejo ter fim, tornas-te para mim mais que um belo verso, dizem ser exagero chamar-te de meu universo, perguntam-me se não for perpetuo o que sinto, o que sentes, respondo que não importa, pois teu beijo bateu-me a porta do coração e tudo que desejo é abraçar essa emoção com tamanha intensidade, uma verdade a qual nem memórias nem tempo podem roubar de mim.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Caminho.
Do teu sobrenome fiz um poema, um dilema o qual fielmente ei de seguir, escrever os sonhos na ponta do nariz, ir onde somente eu posso, fazer o que gosto e quando quiser, se acaso alguém me disser que é errado, não vou de encontro ao acaso, continuarei até que forças me faltem, tenho consciência do que faço, não sou tudo que falo mas posso metade disso cumprir, mesmo que este desenfreado desejo não me leve a lugar algum, ao fim de tudo não terei arrependimento nenhum, pois vivi momentos que nem mesmo o tempo irá rouba-los de mim.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Sentimentos laminados.
Quem me dera o coração poder te dar, de minha vida esvair os maus momentos, penso no tempo que fugir de ti levaria, o quanto eu sofreria na tua presença, espero o quanto antes a sentença, ser aprisionado e isolado do teu olhar, um viciante brilho que me prende a respiração, uma desenfreada reação, de alguém cujo coração só aprendeu a amar, terei de um alto preço pagar, pois teu amor comigo não se encontra, bateu asas para outro lugar, o lar de teus sentimentos tem outro sobrenome, um homem cujas virtudes deixam a desejar, eu tão fiel escudeiro, seria teu mais sincero cavaleiro, cuja vida ei de por ti sacrificar, mas de todos os males o menor, certo dia acordarei e terei meus sentimentos por ti reduzidos a memórias e pó.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Canibalesco desejo.
Caro amigo leitor, venho nesta tristonha noite vos confessar, mais verdadeiramente os contar um causo que envolveu-me em algum ponto de minha fantasiosa estrada, uma passagem de minha vida cujos sentidos fora aflorados e a carne de um intimo feminino devorado, mas não vos tratarei com tamanha indelicadeza, não é de minha natureza antecipar-me a dor de um amor de poucas horas, deixo-lhes com uma história que vos confesso desejar aguçar seus pensamentos mais sacanas...
Quase tão belamente fúnebre como uma tarde de luto, veio a mim quase expondo seu farto busto, uma dama de sobrenome Paula, sentou a frente dos meus olhos e fez-me degustar de seu cruzar de pernas, volumosas e lisas refletiam o anseio de meu ser em devorar sua intimidade, as cavidades de suas curvas quase tão perigosas quanto seu olhar, faziam-me tremer vez ou outra de tanto prazer, o fervor que cultivava em meu corpo os pensamentos maliciosos, o vermelho de seu batom, um tom de tamanha provocação conhecendo ela meus instintos mais sacanas, ousou levantar-se e seguir rumo ao toalete, com um fino lenço de um papel barato moldou a vermelhidão impregnada em seus lábios e descartou-o bem como faria com meus desejos, num instante virou-se e olhou-me fixamente nos olhos, tremi outra vez desta de tal modo incontrolado que chegou-me a causar imensa timidez, o nervosismo que em mim tal dama causava, disse-me olá com tamanha gentileza, seu timbre era doce e firme, tomado pela timidez gaguejei como se gago fosse, mas tal moça era gentil e sem muito importar-se com minha reação apenas levantou-se e sorriu, saiu ousando poucas vezes olhar para trás, afinal havia deixado a beira de um infarto um pobre rapaz, cujos pensamentos inflamáveis a envolvia.
Quem diria que tal dama voltasse dias depois aquele singelo local, eu usuário do lugar estava no mesmo assento, quando a vi novamente quase não podia crer por um momento, cocei os olhos três, quatro vezes, suas vestes desta vez eram curtas, sua boca hospedada um batom cor de vinho e seus delicados pés vestiam um vermelho sapato, quase tão brilhante quanto o negro de seus olhos, a figura de seu ser parecia em meu peito laminas a ir e vim num desenfreado pensamento, tomado outra vez pela loucura, vir-me naquele instante uivante e abismado com o volume que causava em minhas vestes, vindo a mim com um perfume sentido a distância, dotada de uma elegância que roubou todos os olhares dos quatro cantos daquele lugar, perguntou-me se podia sentar e outra vez gaguejante afirmei seu pedido, perguntou-me poucas coisas e elogiou o paladar do cozinheiro, convidou-me a ir ao banheiro e sem muito dizer ajoelhou-se frente ao meu intimo latejante, vir-me em transe pois não podia crer, como alguém feito eu desfrutaria das caricias de tão angelical ser, seu batom cor de vinho embriagou-me nas idas e vindas de sua boca, quase tão suave quanto o voar de uma pétala, fazia a festa em meus pensamentos mas não queria demonstrar tamanha infantilidade, mantive-me sério, concentrado em seu sugar de meu gozo, nas raspagens de seus dentes, feria-me sadicamente sorrindo, enquanto indo e vindo seu olhar roubava-me cada vez mais o folego, sentindo literalmente meu gosto fez expelir de mim um fluindo pegajoso, deslizando o indicador em seus lábios, olhou poucas vezes para os lados pois não importou-se em se expor, queria causar-me intenso prazer e dor, fugindo de todo e qualquer pudor que tal momento fosse nos causar, perguntou-me se havia outro lugar que a quisesse e desta vez mais confiante, não mais em tom gaguejante ousei afirmar, seguimos até seu luxuoso carro, guiei-lhe ordenando-a ir mais rápido, vir-me faminto, dominado por um selvagem prazer, sem desprezar o tempo levei-lhe ao meu apartamento, tremulo que mal encaixava a chave, estava nervoso é a verdade, devo confessar, mas não demorou muito para isso mudar, mal abrindo a porta já tomou-me a chave, trancou-nos e empurrou-me levando-me ao chão, pegou minha mão e levou aos seus fartos seios, ainda por baixo de suas vestes brincamos vestidos fantasiando desejos, batia-me no rosto, nos braços, mordia-me no pescoço e firmemente segurava-me o cabelo, com mesma ousadia fiz-lhe algo pior, próximo de nós havia um cipó, o envolvi em minha mão e a chicoteei, alguns gemidos roubei até que a mesma com um felino olhar segurou-me pelo intimo e guiou-nos a outro lugar, desta vez envolvidos em água, nossos corpos a facilmente deslizar, coloquei-lhe com os seios contra a parede, segurando firme em seus longos cabelos, usei-os como cabrestos para neste instante ofegante a guiar, empinava sua intimidade frontal, arrebatava-me freneticamente, suas mãos molhadas de gozo e água surrava-me vez ou outra, ousou muitas vezes mergulhar seus dedos em sua intimidade e leva-los a minha boca, provar de seu intimo a deixava louca, escalamos juntos paredes de prazeres inimagináveis, futuros pensamentos descartáveis que vez ou outra ferem-me ao lembrar, mas ainda fixados naquele momento, estávamos em todos os cômodos, mas o nosso pensamento em outro lugar...
- Thiago Rafael.
:: Inspirado em reais pensamentos.
Você, eu e cicatrizes.
Vem e trás seu sorriso de corretivo, corrigir este corrosivo sentimento, tirar-me o sono e atormentar-me todo momento, ser meu sonho que caminha no vento, bem dentro de um pensamento atropelado pelo seu beijo, teu risonho semblante é tudo que vejo, estou com um cabresto que me guia de encontro a você, és um sentimento, um pensamento difícil de esquecer, descrever talvez mas não será desta vez, que a solidão me entregará a escravidão, ter-lhe esvaindo de minhas mãos.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
De encontro ao nada.
Muitas vezes ao deparar-me com a solidão,
Vejo-me aprisionando a ilusão em meio as tristes memórias,
Mesmo que em outrora tenha sido satisfeito,
Hoje vejo-me sem jeito para encarar a vida,
Caminhos sem saída,
Outros em contra mão,
As vezes esse turbilhão de sentimentos,
Deixa-me sem chão.
- Thiago Rafael.
Vejo-me aprisionando a ilusão em meio as tristes memórias,
Mesmo que em outrora tenha sido satisfeito,
Hoje vejo-me sem jeito para encarar a vida,
Caminhos sem saída,
Outros em contra mão,
As vezes esse turbilhão de sentimentos,
Deixa-me sem chão.
- Thiago Rafael.
Constante solidão.
Teu caminho é incerto, podes partir sem remorsos, fico a encarar objetos que remetem-me lembranças dos dias juntos, tínhamos um ao outro e um só caminho, durante muito tempo não conheci a sensação de estar sozinho, você cultivou em mim emoções cujo tempo preferiu não apagar, ficaram as pétalas no meio do caminho, de encontro a um ninho que de lá você partiu, bateu asas e quando dei por mim só restou a saudade de você, ao anoitecer as corujas choram e quando sai o sol o mar está violento, a leveza do vento perdeu-se em meio a minha tristeza, as vezes penso que a natureza chora junto a mim, vago pelas ruas que caminhávamos embriagados, apaixonados eramos olhados de um estranho jeito, meu coração agora estreito bate tão lentamente, talvez impulsionado pelas memórias que recheiam minha mente, as canções que trazem-me imensa tristeza fazem hoje parte de um cardápio de sabores que compõe cada lágrima que se esvai, a felicidade é um sentimento que constantemente me trai, quando penso que serei feliz, outra vez alguém abre a porta do meu coração e sai, eu por outro lado teimosamente tento, como numa corrida contra o tempo, cultivo um novo amor, mesmo que dure tão pouco, me vale mais o desgosto que optar por viver sozinho, sou ninguém sem um carinho, sou feito pássaro sem ninho, cuja natureza não ensinou a voar.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
A carta.
Então já é manhã e o sol parece brilhar menos que ontem, você está distante agora e as vezes esqueço seu sobrenome, mas isso não quer dizer que estou amando-a menos a cada dia que passa, talvez a ausência de você me cause dores que afetem minha memória, talvez um beijo de boas vindas me fizesse lembrar, existem mil coisas as quais eu gostaria que fossem diferentes, mas você é uma das quais desejo que permaneça intacta, porque você foi a maior demonstração de algo perfeito, quando os meus dias eram negros e a noite passava sem que eu a pudesse admirar, por incansáveis madrugadas me pus a chorar e você, você foi a responsável por me tirar do abismo que eu estava prestes a me jogar, por isso te peço que lembre o caminho de volta pra casa, existe um alguém a tua espera cujo coração não suporta mais sofrer com a sua ausência, um alguém cuja vida perdeu-se toda a essência...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Prazeres e versos.
Teus doces lábios perversos, quase tão quanto estes versos que ouso lhe citar, um desejar de águas claras, refletindo o encarar da lua, frente aos meus olhos totalmente entregue, nua, tua pele fria e enrugada, maltratada por minhas mãos calejadas, suas nádegas rosadas de minhas palmadas e um estranho sorriso no rosto, pela janela de nosso úmido quarto esvaiam hinos de luxúria, gritos cujo gosto podia-se sentir, o imaginar alheio fértil e ereto como meu intimo, movimentos leves num ritmo ousando-nos compor, melodias cuja dor notoriamente satisfatória, trouxeram-nos em outrora o mesmo prazer, migrando-nos de amantes a amados, temos nossos corpos idolatrados por quem por ventura se aventura nos observar, um estranho caminhar num universo cujo inverso é quase tão prazeroso que a forma moralmente correta de se amar...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Canteiro de fúnebres memórias.
As luzes se apagam no meu canteiro de memórias, um jardineiro cadavérico cujas mãos são ossos, colhendo entre os destroços que restaram de minhas boas memórias, não restaram nem ao menos os fios de cabelo, no espeço ficou o vulto de sangue, uma cicatriz cujas marcas citam poemas, estes ao fim contendo seu nome, do adormecer das corujas ao cantar dos pássaros, são rasos os passos pelos cômodos de nossa antiga casa, descer as escadas é torturante, não tanto quanto encarar nossa foto sorridente na estante, neste instante tudo que me toma é solidão, como vive um andarilho sem chão? viver em vão, foi a herança que seu sorriso deixou cravada em minhas mãos, crucificado dia pós dia por no passado contigo ter vivido uma intensa paixão...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Entardecer inseguro.
Cala-me a boca com um beijo teu, sou falante num universo de mudos, sou fruto de um sonho que se perdeu no caminho de um pesadelo, um elo que me conduz por inteiro, jardineiro do teus finos fios de cabelo, responsável pelo desembaraçar de tuas lembranças, sou criança a procura de um lar e só há um lugar onde sinto-me seguro, maduro como fruto num entardecer, você é o caminho mais certo, a trilha no deserto, um paraíso onde quero viver.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Voou rasante.
O teu elegante sorriso,
É como um jardim em seu semblante,
Um diamante cujo valor é inestimado,
Tendo vós um passado árduo,
Eis hoje pássaro que caminha na leveza do vento,
O tempo amigo trouxe-lhe estimado abrigo,
Este cujo suave timbre ao fundo poe-lhe a ninar,
Teu despertar é quase tão encantador que o amanhecer,
Com você desconheço hoje o sentido da dor.
- Thiago Rafael.
É como um jardim em seu semblante,
Um diamante cujo valor é inestimado,
Tendo vós um passado árduo,
Eis hoje pássaro que caminha na leveza do vento,
O tempo amigo trouxe-lhe estimado abrigo,
Este cujo suave timbre ao fundo poe-lhe a ninar,
Teu despertar é quase tão encantador que o amanhecer,
Com você desconheço hoje o sentido da dor.
- Thiago Rafael.
Luar das lamentações.
Teu semblante sorridente cultiva em mim um abrigo de lágrimas, estas cujas sementes em sua corrente despejam sob o solo do meu peito, um estranho sujeito a caminhar pelos córregos na fria madrugada, o forte cheiro de lodo em minhas botinas, o tinto tom de vinho em sua cortina, fico eu ao pé de sua janela a esperar, momentos estes cujas estrelas choram e a lua se esconde, você e seu amante, um conde cujo nome nego-me citar, desprezíveis risos que ecoam noite a fora, recolho as rosas e o meu bilhete de linhas tortas, sento-me no lar dos boêmios e ponho-me a chorar, amaldiçoados sentimentos a crescer em mim, lamento frente ao espelho, questiono-me de sua validade, não tenho outra verdade, será este o meu fim?
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Magoas e desejos.
Não cabe a mim designar os sonhos nos caminhos que me levam de encontro a ti, sou apenas um sopro sussurrante de vida que vaga na neblinosa tarde, sou chave de um mistério cuja resposta você já sabia, desdo instante mórbido em que teus batimentos cardíacos me moveram rumo ao delírio, um árduo-o frio a domar meu corpo, deixando-me exposto e ao mesmo tempo fortalecido, tornei-me um rígido sentimento, um andarilho na corrida contra o tempo, sou o vento onde viaja o teu suspiro, abrigo das magoas, alguém cujo único desejo é estar contigo.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Recomeço.
Quando dizeres a minha hora de partir, dizeis em tom sussurrante, quero por um instante desfrutar do meu cair de asas, voltar pra casa sem o gosto de um tristonho belo, eterno como só você soube ser, o amanhecer é tão breve, correntes a deixar seu rastro no caminho, marcas de uma escravidão prestes a se desfazer, sinto-me pássaro a sair do ninho, resultante de um ligeiro crescer, quando a noite chegar, longe de ti quero estar, vou me embriagar de uma liberdade quase desconhecida, curar as feridas com sorrisos alheios, desfazer-me de anseios, cujas razões ficaram onde você está.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Dono de si.
Tenho medo, não nego, vesti-me de um sentimento negro, sou feito de couro e aço, me desfaço das emoções que no passado fizera-me sofrer, entristecer meus dias e noites, eram como correntes a pesar meu corpo, deixando-me exposto ao veneno que de ti partia, ainda jogado ao chão, os versos a perfurar-me as mãos, crucificado por amar demais, pobre rapaz fui eu em outrora, depois que mandei-lhe embora, sinto-me por dentro renovado, ilhado num paraíso cujas regras sou eu quem dito, tornei-me rei de meu corpo, agora eu sei qual caminho eu sigo, não sinto-me exposto.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Sangria de rosas.
Sangra-me tristonha amada, com este teu falso sorriso de navalhas, afiadas palavras a perfurar-me o peito, sempre que dizes algo a meu respeito, cuspindo em mim verdades cujas pessoas ditas amigas não dizem, contigo não posso cometer deslizes, eis de carne e osso eternizada em minhas palavras, um ser de alma apaixonada cujo coração por ti criou raízes, num inferno contendo teu sobrenome, sou apenas um homem a caminhar entre rosas, pétalas negras ansiosas pelo meu partir, teu corpo é um jardim, onde ei de pela eternidade te cuidar, alimentado pelos restos do meu mortal sentimento, um grito tristonho no vento, o qual me impede de sorrir.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Escravo.
Quem me ouvirá, quando num bater de asas escuras o meu sorriso me esvair, quando me veres cair num abismo cujo penhasco cultivei, onde ei de ir ao cair da noite, quando ferozmente teus beijos abrir em mim mais uma cicatriz, teus gemidos ácidos a tirar-me a sanidade, ei de ser a minha verdade, tornei-me escravo de tuas mentiras, emoções traídas, ainda assim apaixonadas, ilusórias memórias que cultivei, teu passos ei de seguir, tua memória ei de eternizar, não importa onde terei de chegar, nada importará se não junto a ti, faço as malas e trago comigo seu perfume, ao amanhecer ei de novamente partir.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Versos suicidas.
Sem que quisesse chorou, despiu-se de suas alegrias de outrora, não viu quão rápido passou a hora, seus dedos calejados de tanto descrever em versos os poucos sentimentos que lhe restavam, embora tardia estavam, ainda assim sussurravam ao pé do ouvido, gritos e gemidos que lhe tiravam do sério, seu sorriso era um mistério pois a muito não o via, seu sofrimento que aumentava a cada dia, precoce pensar ao desfrutar o cantar dos pássaros, pisoteando os secos galhos de um perpétuo caminho, só o entardecer para amenizar o peso das lágrimas, palmas sob a terra fria, sentindo a alma vazia e ainda assim preenchido pela imensidão ao seu redor, não lhe faltava o desejar de algo melhor, no entanto o que lhe cabia, era o que havia de menor.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Assinar:
Comentários (Atom)
