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Sob um estranho olhar.

Entre as vielas desta chama chamada saudade, em meu peito mal cabe a verdade que me invade, o deslize que falece a minha notória ansiedade, o ofusco brilho no olhar imaturo, o musgoso toque no arrepiar dos pelos mais íntimos, insisto no instinto errôneo que afoga-me em anseios, devaneios que consomem-me o folego bem como quando ligeiro caminho em direção ao leito do teu abraço, o afago que perturba-me os sentidos deixando-me incontáveis vezes aflito por cansado estar de tanto chorar, teimoso bem como sou volto a caminhar sob os trilhos desta distinta e destilada angustia, descendo-me goela abaixo bem como gole caprichado de um ego passado a muito enferrujado, encaro-me perdidas vezes frente ao espelho e o desprezo que me toma ao degustar o que vejo é quase tão asqueroso quanto o sangue que corre em minhas veias, velharias decoram a minha estante de memórias postas a venda, enquanto cá de olhos vendados caminhando na contra-mão da vida esperando que do fundo de teu cansado coração me entendas...

- Thiago Rafael.

Por trás do reflexo.

Se faz necessário usufruir do teu sorriso, abrigo este que em outrora trouxera o conforto de um colo amigo, a suavidade dos dedos ainda enrugados a deslizarem em meu couro cabeludo, refletidos errôneos olhares sob o busto esbranquiçado na ausência do sol, só cá estou a me afogar no mar de memórias gélidas que me camuflam enquanto rodeado de estranhos que teimosamente tentam me decifrar, mesclar minhas aparências condicionando-me a um formato de humano reciclado composto e recheado de ausentes unicidades, mal sabem da verdade extensa que não cabe na palavra saudade, cá fico eu na vontade de rever-te e sentir outra vez as caricias que em outrora você me fez...

- Thiago Rafael.