Por mais que saiamos dos eixos, nos plexos e nexos imperfeitos, no medo arriscado do ser que calado murmura frente a parede, sangue a gotejar dos calos e inflamados se fazem as cicatrizes do passado, enxado enxáguo o o rosto com numerosas marcas de expressão, a idade explicitas na pele sob a palma da mão, o chão é macio para receber os fios de meu cabelo que insiste em cair, não tanto quando embriagado, jogado de qualquer jeito sob o leito de um alheio sofá, pela manhã não sei onde minha dignidade estará, choro enquanto durmo pois até nos sonhos não deixo de fazer parte deste mundo, todas as manhãs encarando-me com desprezo, frente ao espelho o reflexo é tão deprimente quanto tanta gente que insiste mundo a fora reproduzir a maldade da humanidade, se bem a alguém faço, de me desfaço o semblante que teimosamente insiste em sorrir, rir só se for por puro sadismo, se desde menino a vida me trouxe apenas razões para ser infeliz, felicidade é um brinde que vem junto ao lanche, é um objeto exposto na estante, empoeirado e esquecido cujo próximo abrigo será o saco do lixo...
- Thiago Rafael