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Enganada.

E quem de mim a vida tirou,
Chorou pois por mim de amores viveu,
Reviveu outrora marcante,
Encontrando em mim sentimentos que esqueceu.

Deixando as chaves de alheios risos,
Pisoteando o coração que tanto sofreu,
Fez do intimo estranho abrigo,
Que tantas noites o amor rompeu.

Quis ser romeu sem julieta,
Ser natureza sem o chover,
Olhar o céu no anoitecer sem estrelas,
Esquecendo que apedrejou igrejas.

É renegada em qualquer via,
Qualquer estrada,
Saboreando migalhas,
Disfarçada de paixões sobreviveu.

- Thiago Rafael​

Foi-se.

Maltratou-me feito ultimo vestígio de tinta na mão do escritor, fez nascer dor onde havia amor, trazendo-me de volta as lagrimas que deixei para trás um dia, agora extinta alegria que melhorava o semblante, fez-me neste instante querer do céu tirar a cor, trazer o anoitecer que conforta o ser tristonho, madrugada e o abandono na companhia da chuva, rasa e calada que mal se houve, mal se ver, talvez você pudesse de volta trazer do céu o azul, o amor que prometes-te ao levantar o véu, agora em versos tento descrever o que a feição não diz, vomitando letras em um amarelado papel...

- Thiago Rafael​

Eras de quê?

Era de poesia que meu corpo faltava,
De poesia que meu corpo dizia,
Que meias metades tarde mas cedinho do dia,
A alegria de quando chovia com o sol no alto do céu.

Era de mel que no beijo o gosto sentia,
De um doce estranho gosto que faltava,
Que maltrata quando faz falta,
A boca macia que toquei um dia.

Era do gozo que reclamava o intimo,
De pouca carne tua que em minha mão cabia,
Que me entupia a boca na pouca luz do abajur,
A intimidade rosada e macia.

Era do colo que reclamava o choro,
De salgadas lagrimas que dos olhos alcançava a boca,
Que fazia-me outro durante a insônia em madrugada fria,
A mentira que no rosto escupia.

Era da saudade que eu sentia,
De tua ausência a prover o silêncio,
Que o vento deixou de soprar,
A voz tua antes feito fantasia.

Era de que há,
Era do que é,
Era da que foi,
Nada do que será...

- Thiago Rafael​