Noite chuvosa, minhas memórias deslizam nas curvas escorregadias, seu corpo é uma estrada vazia sem riscos, apenas um vasto pasto e a forte ventania, te encaro por horas, seu sorriso é como uma resposta a todas as magoas, provas de minha insegurança e ainda assim permaneces comigo, provas meus defeitos, meus medos e quando choro estende-me teu ombro amigo, tornas-te abrigo para o que me compõe, sou canção sem fim tristonho quando estou com você, o amanhecer tem hoje um outro sabor, dizem os poetas em curtos e longos versos, que o amor é uma maldição, que a paixão é luxúria e que cedo ou tarde torna-se amargura, tão certas quanto a morte, paixão e amor são coisas fortes que se abrigam nos mais frágeis corações, não há razões nem remediações, o sofrimento não é uma opção, um destino talvez, para quem por sua vez prefere o amor que a viver na solidão...
- Thiago Rafael.
Visitantes
Calorosa ilusão.
Sozinho neste apartamento tudo em minha volta é solidão, todo olhar que me encara remete uma antiga emoção, caminho por horas sem saber onde quero chegar, em todo ponto de parada choro por você não estar, as curvas que me levam de encontro a lugar nenhum, são fáceis pensamentos que não fazem sentido algum, não importa o quanto digam que tudo não passou de um sonho, o que suponho ou creio não importa, viraram o rosto, fecharam as portas, estou indo embora mais uma vez e me pergunto sobre o que você me fez, sem solução nem novo porto, volto ao meu canteiro de memórias onde aguarda-me calorosamente a solidão...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Fria saudade.
Manhã de rio, um frio toque, não me comove este teu olhar, aparentemente inocente, tão similar ao de quem conhece a dor de um amor que se deixou passar, rastro de sorriso no caminho, um sentimento assaltado pela solidão, barriga vazia, insônia e náuseas, são apenas discretas magoas que com o passar das luas insisti em cultivar, teimosamente parto de encontro a outro alguém, quem sabe na estação este alguém me leve a outro lugar, um recanto de opostas emoções, curar as feridas deixando no caminho as ilusões que tinha na bagagem, quem sabe talvez nada mude, finjamos que nada aconteceu, seja apenas mais uma viagem, tenha eu outra vez que dizer adeus...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Noturno amante.
Quem me dera por muitas luas sentar a varanda e sentir o vento, forte e sonolento como só ele sabe ser, descansar os olhos ao chegar o sol, que clareia as vidas normais ao amanhecer, eu que sou amante da noite, vou dormir pois mais um dia nasce e neste caminho de sol, eu não quero me perder, prefiro fechar os olhos ansioso pelo anoitecer, onde ao olhar o céu, seguindo o rastro das estrelas, parto deste mundo a outro num piscar de olhos, de encontro a você...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Sádicos.
Aquelas pernas torneadas, apertavam-me o pescoço feito um nó quase solto, um suspiro era o que permitia-me, nos intervalos curtos em que gemia, dizia-me com palavras frias, "faça-me gozar", e eu com um desejo insanamente másculo, querendo desapegar-me das morais das histórias de amor, ainda que prezo a um romance, vir-me naquele instante, ver você como o lobo e eu como um caçador, buscando a todo custo, mesmo que por meio da dor, aflorar seus desejos canibalescos que devoravam-me por inteiro, deixando-me exposto a um mar de luxúrias as quais por tantas luas eu teria de esperar, como uma maldição na lua cheia, como um canto de sereia, seus gritos ecoaram em mim, parecia não ter fim, estava eu no ápice de um desejo desumano, os olhos que viajaram pelas curvas do teu delicado corpo, deslizando os dedos sob as cicatrizes de outrora, lentamente respirando, recuperando a sanidade que por alguns instantes acreditei ser tarde demais, a melodia que nossos corpos fazia, uma macabra fantasia a me enfeitiçar, desvio-me do seu olhar pois já não mais posso, estou exposto mas confesso que gosto, desse seu jeito único de me desprezar...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
O cadáver.
Prezo neste pensamento moribundo e canibalesco, devorador de sonhos e de melodias, os dedos esqueléticos de uma mão já sem vida, fria e lenta, como o sopro de uma canção tristonha num fim de tarde chuvoso, os galhos secos a gotejar folhas mortas em minha janela, o fraco vento audaciosamente desejando apagar as velas, passos que ecoam pelos corredores que alugam-me o olhar, paisagens mórbidas que vejo por trás das brechas que as cortinas deixam, já sem reflexo, deparo-me frente ao espelho, roupas vazias a caminhar é tudo que vejo, morto devo estar, ou tudo não passa de um sonho longo e prazeroso que estou cultivando expressões em meu rosto neste exato momento que ponho-me a sobre isso pensar...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Insolúvel.
Mesmo hoje sozinho engalfinhando sentimentos árduos por todos os lados do meu aconchego, nada mais vejo se não versos manchados de sangue espalhados pelo quarto, a grossa camada de poeira a cobrir seu rosto no retrato, relatos inibidos pelo vento que aqui deixou de passar, ficaram as angustias e o presente medo, um desfecho repleto de memórias em contra-mão, indo e vindo de um lado a outro, deixo meus passos espalhados por todos os cômodos, pistas que não me levam a solução alguma, um enigma macabro que adorei cultivar, fiz de minha cama um labirinto, onde por amor ou puro prazer me aventuro com os mais diversos seres que por aqui deleitam-se, diga-se de passagem, são todos mais aventureiros que eu, diagnosticado precocemente por gente que se quer sabe meu sobrenome, sabem se quer quais são meus gostos carnais, se prefiro mulher ou homem, animais quem sabe, nada sabem é o que devo confessar, ponho-me muitas vezes a chorar sem motivo aparente, talvez seja o reflexo deprimente de toda essa gente que muito faz sem muito pensar, pensam e nada fazem, se desfazem uns dos outros sem exitar, tornamos-nos criaturas descartáveis, objetos usáveis sem muito valor, desprezar a dor atendendo ao prazer de um momento, ou se quer dar-se o luxo de viver algo bom, sentar-se a beira do mar, deixar fluir nos ouvidos aquele doloroso som, a melodia de uma liberdade que jamais teremos, fruto do que a nós fizemos, prisioneiros andarilhos de um caminho que não nos leva a lugar algum.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Malditos.
Vinda ela com sua alma despida, composta de luxúria e pensamentos perversos, dizia-me apreciar meus versos mas usava-os como pretexto para ter-me em sua cama, seus lençóis de cetim e a blusa quase transparente, seu sorriso quase florido, recheado com espinhos tão venenosos quanto seus gemidos, ácidos comprimidos de ilusório prazer, eram quase impossíveis, eram invisíveis os seus gestos naturais, dizia ser composta somente por prazeres carnais, ter abdicado de seu coração por não mais sentir, confessou ter cansado de mentir e por tantos outros motivos ainda inexplicáveis, trouxe-se sentimentos claramente descartáveis para o nosso prazer suprir, gritos que ecoavam na madrugada afora, unhas na pele, pelos por toda a casa, um cenário sádico acobertado por um singelo tom de poesia que a doce melodia ilusoriamente nos supria, de tudo fazíamos para não batizar aquele momento de amor, causar-nos dor escondendo por trás da cortina aquela flor que a trouxe, era o que tínhamos, disfarces apernas devo confessar, por muitas noites pôs-me a chorar, lamentando possíveis fins, trágicos dizíamos mas nunca nos alcançou, hoje ainda vivendo incansavelmente, olhamos um para o outro e declaramos versos maldosos, rindo das marcas que nosso estranho conto nos deixou, por incontáveis vezes a duvida já nos tomou, até quando durar, até quando se permitir, até quando preferir chorar de que sorrir?
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Males da primavera.
Seu sorriso grita implorando retornar a primavera que nunca nos deixou,
Esvair toda a dor que no peito se sente desde que o inverno nos alcançou,
Olhar o sol por trás dos vastos campos cobertos pelo verde pasto,
Ouvir o doce canto dos pássaros e nunca mais citar a palavra adeus...
- Thiago Rafael.
Esvair toda a dor que no peito se sente desde que o inverno nos alcançou,
Olhar o sol por trás dos vastos campos cobertos pelo verde pasto,
Ouvir o doce canto dos pássaros e nunca mais citar a palavra adeus...
- Thiago Rafael.
Vazio amanhecer.
O seu estranho confessar, dizia-me ser tudo que lhe faltava, o que sonhava e fizestes muitas vezes meus olhos brilhar, eu sentia cada palavra que você dizia, mas ao amanhecer o vazio era tudo que me restava, teu amor já não me davas, sentia as farpas a adentar em meu peito, um efeito vampiresco, as emoções caindo feito dominós, queimando meus sentimentos, ardendo no peito, ao nascer do sol...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Ex-amor.
Foram-se as inacabáveis noites, quando juntos na calçada conversávamos sobre sonhos, embriagados e risonhos de tanta felicidade, víamos um futuro juntos com tamanha verdade, pareciam firmes nossas juras de amor, não conhecíamos a dor e suas vertentes, não haviam rastros de medo ao sorrir, hoje sem ter a onde ir, vagantes estamos, embora ainda nos falando, os abraços já não possuem o mesmo calor, um beijo no rosto ao invés de nossos lábios tocar, até aquela nossa canção deixei de cantar, certo dia me viu e não ousou falar, dias depois alegou não querer me atrapalhar, e eu que era tão inquieto, ao invés de parar em sua casa, passei direto, se quer arrisco olhar pro lado, pode ser que no rastro teu olhar eu encontre no caminho, serei tomado por uma profunda tristeza, pois devo confessar amor, sem você sou metade, em meu sorriso não há verdade, não há razão no bater de asas, nem a vontade de voltar pra casa, tornei-me um andarilho sozinho...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Farto de ilusórias emoções.
Você, razão maior para eu escrever, todos os versos que não pude dizer, quando frente aos teus lábios meus olhos ficaram gélidos, e o meu abraço cada vez mais frio, um longo arrepio a tremer meu corpo inteiro, um nevoeiro de emoções, fantasiando e acobertando meu seguro caminho, um sorriso amigo tido como ninho, já não sinto mais o gosto do vinho barato, sem apetite encarando o farto prato, tão cheio de ilusões a me alimentar, já não me restam mais flores, subirá de mãos vazias no altar, uma macabra noite de nupcias, uma chama a se apagar, eternos dias e inalcançáveis noites, um açoite, uma ofensa aos eternos amores, eram nossos estes versos, hoje são meras linhas de uma estranha história, uma anatomia utópica, rimas eternas sobre amor e dor...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Abrigo de ilusões.
Você e esse seu sorriso venenoso,
Sempre a tocar meus lábios deixando um delicioso gosto,
Um querer quase desconhecido,
Um desejo que me serve de abrigo,
Para as minhas incontáveis ilusões,
Frustrações e fantasias,
Sem você o tempo resume-se apenas em noites e dias...
- Thiago Rafael.
Sempre a tocar meus lábios deixando um delicioso gosto,
Um querer quase desconhecido,
Um desejo que me serve de abrigo,
Para as minhas incontáveis ilusões,
Frustrações e fantasias,
Sem você o tempo resume-se apenas em noites e dias...
- Thiago Rafael.
Invisível reação.
Perto de tudo que possa ser,
Não tão distante do impossível,
Um invisível sentimento,
Que por sua vez fez transparecer,
As reações que se cultivavam em silêncio,
Um ilusório momento...
- Thiago Rafael.
Não tão distante do impossível,
Um invisível sentimento,
Que por sua vez fez transparecer,
As reações que se cultivavam em silêncio,
Um ilusório momento...
- Thiago Rafael.
Gélido semblante.
Este sorriso gélido que alcança-me o coração, tira-me por várias vezes a razão, um enlouquecido vagante, esquecido nesta imensidão, outrora habitante de um deslumbrante sentimento, ver-se neste momento, a vagar na solidão, o rosto frio sem um delicado toque, o retoque de uma feminina mão, posto ao chão e nem por isso triste, de seu sonho jamais desiste, mesmo que variavelmente, tenha manchados os traços de seu surrado rosto, dormindo muitas vezes sem o gosto, de um desejar de boa noite...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Traços calejados.
Estou repleto de esforços calejados, meus pés descalços que tanto caminham sob ruínas de esquecidos sentimentos, trás-me o árduo fardo que cultivaram em mim, uma rotina que rouba-me todo o tempo, esvaindo-se aos poucos em cada córrego da cidade chuvosa, a forte brisa que tira-me os pedaços, esquecidos traços, pouco a pouco deixando-me irreconhecível, tornei-me invisível e dentre as arvores de pedra incansavelmente caminhei, não recordo-me o ponto de partida, mas foi em seu sorriso de porto, que meu coração eu atraquei...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Vidente de óbvias causas.
Guardei em mim uma porção de mistérios, um universo interno de emoções camufladas, minhas estradas cheias de pedregulhos, um verdadeiro mergulho de encontro ao meu fim, não tive certezas sobre como seria, e confesso não esperar que seja assim, mas como posso conhecer o amanhã se nunca ei de vive-lo, tudo que vejo são os próximos segundos, e não pergunte-me o rumo do mundo, sou mero vidente das causas obvias, não prevejo o bem ou o mal, em mim tudo é normal, tenho somente como intenção trazer esperança, pois desde muito cedo, ainda quando criança, via minha mãe realizando as proezas que hoje faço, e se cair o meu disfarce, na minha face não haverá marcas de surpresa...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Estranho semblante.
São claros olhos cor de um céu distante da chuva, a nuvem escura a caminhar distante, distrai o triste semblante de quem prestigia-o com um olhar apaixonante, uma vazante de sentimentos nobres, num campo vasto de negras flores, coroas de rosas para os momentos fúnebres...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Colecionadora de amantes.
Este teu corpo de deleite, tendo em ti um coração de enfeite, onde ecoam sentimentos alheios, tudo que vejo são lágrimas e páginas jamais escritas, palavras nunca antes ditas, a um alguém cujo nome foi esquecido, antes este teu que era meu abrigo, agora entregue a alguém distante, vir-me produto de sua coleção de amantes, um objeto exposto em sua interminável estante...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Outro ex-amor.
Não eis de partir sem antes justificar, estes versos que deixas-te no meu peito, escritos com sangue ao pé do altar, dizia-me sem gaguejar, amar-me mais que tudo, até o mundo acabar, mas descumpriste vossa promessa, sais-te com pressa, agora vejo-lhe outra vez, depois de anos de insanidade solitária, pergunto-lhe de mãos vazias, tendo na pele marcas do tempo, as carnes flácidas e monstruosas estrias, queres voltar mas não aceito-lhe de mãos vazias, quero de mim o que foi roubado, o meu sorriso apaixonado e o coração de quem por ti se deu, se não os tem contigo, dar-me as costas pois este será o nosso ultimo adeus.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Libertino.
Sangra-me os olhos este teus sorrisos ilusórios, estes teus beijos espinhosos a perfurar-me os lábios, as tuas mãos grosseiras a arranhar-me o rosto, deixando-me fosco aos olhos de quem por mim dedicavam admiração, tornou-me o pior monstro de uma nação, alterando-me a essência do meu ser, vi em mim crescer uma criatura cujo significado se perdeu, um alguém cuja mente se poluiu e de quem amou o coração partiu, amargurado por um passado não pertencente, prisioneiro vagante, numa enchente de pudores, desprezando valores, visto a pele macabra e faço-me marionete, da sua escola de horrores.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Prostíbulo.
De onde vem este sorriso marginal,
Um olhar virginal cujo pudor aflora a pele,
Pelos eretos a enfervecer a mentalidade de quem de teu corpo bebe,
O liquido visgoso que do teu amado intimo brota,
Gemidos ácidos que atravessam portas,
Ecoando no corredor de um moderno cabaré...
- Thiago Rafael.
Um olhar virginal cujo pudor aflora a pele,
Pelos eretos a enfervecer a mentalidade de quem de teu corpo bebe,
O liquido visgoso que do teu amado intimo brota,
Gemidos ácidos que atravessam portas,
Ecoando no corredor de um moderno cabaré...
- Thiago Rafael.
Corpo uivante.
Vinde a mim teus olhos maduros,
Ásperos musgos de calor,
Envolvem-me de tal modo confortante,
Tirando-me do peito a dor,
Teus lábios,
Carne de mel,
Pouco lembro-me das noites frias,
Chuvosos toques a me levar ao céu,
Uivante pensamento caloroso,
Aquecendo-me o corpo,
O fosco riso que antes trazia-me a sessação de abrigo,
Hoje no risco de ter o coração abatido num tiro certeiro,
Ajoelhado num canteiro de um jardim mal assombrado,
Alagado sentimento a deixar-me atordoado,
Embriagado na madrugada,
Solidão que me agrada,
Partirei neste instante sem um porto de chegada...
- Thiago Rafael.
Ásperos musgos de calor,
Envolvem-me de tal modo confortante,
Tirando-me do peito a dor,
Teus lábios,
Carne de mel,
Pouco lembro-me das noites frias,
Chuvosos toques a me levar ao céu,
Uivante pensamento caloroso,
Aquecendo-me o corpo,
O fosco riso que antes trazia-me a sessação de abrigo,
Hoje no risco de ter o coração abatido num tiro certeiro,
Ajoelhado num canteiro de um jardim mal assombrado,
Alagado sentimento a deixar-me atordoado,
Embriagado na madrugada,
Solidão que me agrada,
Partirei neste instante sem um porto de chegada...
- Thiago Rafael.
Cicatrizes de uma saudade.
E o que no meu peito habita?
Essa chama chamada saudade,
Essa vontade de trazer você para junto de mim,
Colocar um fim nesse ardor que corrói o peito,
Uma ferida sem jeito de curar,
Você só precisa pedir pra ficar,
Deixando em mim apenas uma cicatriz,
Neste corpo onde ontem sozinho havia tristeza,
Hoje com você, sou bem mais feliz...
- Thiago Rafael.
Essa chama chamada saudade,
Essa vontade de trazer você para junto de mim,
Colocar um fim nesse ardor que corrói o peito,
Uma ferida sem jeito de curar,
Você só precisa pedir pra ficar,
Deixando em mim apenas uma cicatriz,
Neste corpo onde ontem sozinho havia tristeza,
Hoje com você, sou bem mais feliz...
- Thiago Rafael.
Lágrimas espinhosas.
Você me olha no escuro e só o meu vulto ver, parece não entender que as vezes uma sombra possui mais expressões que um próprio alguém, cujas emoções dilaceradas foram e o cantarolar se esvaiu junto as ultimas lágrimas, sorriu pela milésima vez sem ao menos querer, sem entender seus próprios porque's, ver-se crescendo cultivando em si um jardim de espinhos, onde antes seu corpo permitia-se cultivar ninhos e o cantar dos pássaros trazia-lhe alegria, não quis culpar as coisas que fazia, não buscou respostas, tudo que desejou, foi que um novo alguém batesse em sua porta.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Emoções materializadas.
As vezes é preciso sentir-se invisível e de uma estranha forma sentir-se bem com isso, pessoas invisíveis nem sempre são tão infelizes, nem sempre tem os piores dias, as vezes simplesmente não existem criticas ou olhares maldosos, pessoas invisíveis passam pelo pente fino da sociedade e não precisam se incomodar em agradar ninguém, as vezes são silenciosas, outras vezes barulhentas mas quem não te ver não pode entender quais são suas intenções, ao berrar suas emoções no imenso vácuo que as as pessoas deixaram tornando você invisível, ser invisível as vezes é simplesmente mais seguro e não preocupe-se, você nunca será a unica pessoa que tornou-se invisível, sempre haverá alguém invisível também que pode materializar suas emoções junto as dela sendo visíveis um ao outro e isso é a unica coisa que importa afinal, pois não os atingirá nada que faça-lhes mal...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Sádicos sorrisos.
Sentou-se a beira do meu peito, como quem senta-se a beira de um curto lago vitima da seca, estilhaçadas as bordas, caminhava descalça ferindo-se propositalmente com o intuito de redimir-se perante o ato, já satisfazia-se da troca no ferir ferindo-se mas não era suficiente, decidiu ferir-me mais bruscamente ferindo a si mesma enquanto rolava sob os cacos deixados no caminho, frutos dos sonhos deixados de lado, sopro no rosto e o suor nas costas, já nãos mais importa o quanto torne-nos sádicos, viramos escravos um do outro, teu sorriso faz-se presente em meu rosto, quando choro, cai de ti as lágrimas, assim escrevemos nossas páginas, este conto que chamados de amor...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Antigas promessas.
Neste recanto frio, no imenso vazio, abraço teu corpo gélido, com a vida por um fio, vem a chuva e se vai a noite, o pensamento num açoite, crime cicatrizado em mim, marca que não sai, assim a vida se vai e aos poucos também vou-me chorando, caminhando sem olhar pra trás, antes um jovem rapaz, hoje me vejo velho e abandonado, encurralado pelo olhar alheio, traços do que nunca veio, entre tantas promessas ditas por nós, tanto tempo a sós, nada mudou, mesmo quando voltou, tudo em mim se foi, e agora, o que será de nós dois?
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Alheia tristeza.
Disse-me que foi sorte, desviei-me da morte, correndo nos trilhos, gritos ecoando no frio, na imensidão da madrugada chuvosa, passos ligeiros, abertos os guarda chuvas, muletas a mastigar paralelepípedos, enquanto encurtava o sono prestes a chegar em casa, portões abertos, área iluminada, lágrimas, comida farta e abraços, alguns sinceros, outros falsos, disperso-me da tristeza alheia, vou deitar-me em posição fetal, delirando no meu transtorno mental, faço-me escravo de um pensamento distante, onde no horizonte tudo voltaria ao normal.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Sonhos destroçados.
Mate meu coração, disse-lhe quando cortou-me ao meio ao dizer adeus, seus versos suaves como navalhas a atravessarem minha pele torturada por tantos nomes, mesmo apoiado sob o ombro da poltrona, foi inevitável ir ao chão, meus ossos encostados naquele manto frio, refletindo em seus olhos o vazio dessa desilusão, feriu-me outra vez com as mãos, deslizando seus dedos em meu rosto, pedindo-me para não chorar, silenciou-me momentaneamente com um beijo, enquanto ao longe o som da porta batendo soava feito um trovão em minha mente, calmamente seguiu seu rumo, deixando-me sem prumo, sem forças para me reerguer, não há ao certo palavra que possa descrever tamanha dor, linhas num papel amarelado escreviam nossa história de amor, a sensação no calor dos nossos corpos, mesmo quando diziam sermos opostos, provávamos um do outro com tamanho fervor, envolvendo-a com meu abraço, resgatando-lhe do frio, com a vida inteira por um fio, trouxe-lhe para o meu aconchego, hoje tudo que vejo, são destroços de um universo cultivado em minha mente, distante do "eternamente", um sonho que nunca existiu...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Turvas memórias.
Tenho em mim um coração cheio de rachaduras, amarguras e ilusões, uma mente cheia de confusões, com as mãos calejadas e pensamentos aos turbilhões, uma ressaca na alma que tanto me corrói, tanto me desfiz, mesmo assim hoje ainda dói, não importa recomeçar, reiniciar a vida inúmeras vezes, vestir um manto diferente para cada dia do ano, não haverá plano, a vida continua a se esvair, entregue ao descaso e sem ter pra onde ir, fico a merce de quem põe o dedo em meu nariz, manda-me e desmanda, sempre haverá uma demanda, sobre o velho e o novo, que só quer ser feliz, pensamentos estes que compõe o meu dia, as vezes repleto de mágoas, outros de alegria, já nem chegar onde devia, se quer me lembro o ponto de partida, minhas memórias curtas, curvas a desviar-me do horizonte, profundo e embriagante, perco-me na imensidão da agonia, caminhante errante, na terra infértil, no codinome incrédulo, o que compõe minha fantasia.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Olhar estilhaçado.
Sua mão fria em meu rosto, deixou-me exposto a fantasia, tolice pensar na alegria, distante horizonte a disfarçar seu gosto, traços num papel molhado, são mero esboço, os dedos calejados, maltratam-lhe a pele num simples gesto de carinho, curvas de pele a me mostrar o caminho, ludibriando pensamentos distantes, hora um mestre, outra errante, faço-me escravo deste aprendizado, devo chegar embriagado, é mais um passo que me distancia do teu peito, o tempo passou e hoje me vejo, estranho inquilino no teu sorriso, outrora num paraíso, o inferno tomou conta de mim, tornando-me assim, fugitivo de nossa realidade, maldade, é tudo que me resta, ver você feliz naquela festa, sentindo-me aflito por estar distante, culpa tenho eu de ser o amante, não cabe a mim sobre isso opinar, se concordei desdo principio, resta-me somente aceitar, passar dias e noites, em qualquer esquina, na mesa de um bar, desabafando com o copo vazio, igual como me sinto num dia frio, sem o conforto do teu abraço, retrato do meu peito é um estilhaço, cacos espalhados pela casa a perfurar nossos pés, mesmo maltratando-lhe, és o que és e ainda assim sois fortes, no entanto eu escolho a morte, de que a vida sem ter a sorte, de ter-lhe pra mim só por um dia.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Beija-flor.
Que mal tem eu gostar tanto de você, se pra te querer é preciso escolher a dor, vitima deste calor a sufocar meu desejo, não é preciso tocar em tudo que vejo, basta-me o pensamento no intimo ao anoitecer, vejo-nos eu e você, nos mais diversos horizontes, tantos tão distantes, impossíveis de descrever, pena é não poder parte disso viver, já que em outros braços faz-te escrava de outro querer, enquanto eu continue sozinho, sem teu abraço nem teu carinho, sigo meu caminho sem nada dizer, só uma dor num peito, feito rosa a desejar seu beija-flor, a espera de um beijo.
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Ilusão.
Que mal tem eu gostar,
Mesmo sem me olhar nos olhos,
Nem nada dizer,
Porque preferir o presente te amando,
Se posso ter a eternidade sonhando,
Escolho uma vida inteira de ilusão,
Que viver só por uma noite,
Acreditando que isso foi paixão.
- Thiago Rafael.
Mesmo sem me olhar nos olhos,
Nem nada dizer,
Porque preferir o presente te amando,
Se posso ter a eternidade sonhando,
Escolho uma vida inteira de ilusão,
Que viver só por uma noite,
Acreditando que isso foi paixão.
- Thiago Rafael.
Quando não houve adeus.
Não me diga que vai durar,
Não me espere para o jantar,
Quando sai ainda estava frio,
A porta ficou aberta,
Cuide-se caso chova,
Meu abraço não vai mais te envolver,
Para viver tive que abrir mão de mim,
Desfazer o sonho de envelhecer com você,
Pois já não havia mais flores no jardim,
Nem latido de cachorros em nosso quintal,
Aos poucos o fim chegou sem ao menos sentir,
Nem ter o que pensar,
Não houve medo de dizer adeus,
Você apenas levantou como em um dia normal,
Eu tive que deixar a porta aberta,
Pois queria que o brilho do sol invadisse nosso lar,
Tirar o forte cheiro de mofo,
Trazer de volta o conforto,
Aquilo que fazia-nos feliz...
- Thiago Rafael.
Não me espere para o jantar,
Quando sai ainda estava frio,
A porta ficou aberta,
Cuide-se caso chova,
Meu abraço não vai mais te envolver,
Para viver tive que abrir mão de mim,
Desfazer o sonho de envelhecer com você,
Pois já não havia mais flores no jardim,
Nem latido de cachorros em nosso quintal,
Aos poucos o fim chegou sem ao menos sentir,
Nem ter o que pensar,
Não houve medo de dizer adeus,
Você apenas levantou como em um dia normal,
Eu tive que deixar a porta aberta,
Pois queria que o brilho do sol invadisse nosso lar,
Tirar o forte cheiro de mofo,
Trazer de volta o conforto,
Aquilo que fazia-nos feliz...
- Thiago Rafael.
Amoroso conselho.
Conte-me o que no fundo te faz chorar,
Abraça-me confiante,
Deixa-me ser teu amante,
Quem te acolha quando a noite chegar,
Não desgrude-se do meu olhar,
Sinta meu sorriso teu peito penetrar,
Envolva-me com este desejo,
Já não há mais distrações,
Você é tudo que quero,
Aquilo que sinto e vejo,
Espelho do meu desejo,
Fogo que arde na calada da noite,
O frio que faz a luz do dia,
Meu caminho certo nas palavras tortas,
Traços em papel barato,
Aliviando meu sofrer,
Cementes que caem no solo infértil,
E mesmo assim faz florescer,
Cultuando sonhos que trazem-me de volta,
Cada vez mais para perto de você...
- Thiago Rafael.
Alado sentimento.
Venda-me os olhos com teu carinho,
Sou frágil feito pequenino,
Passarinho ao cair do ninho,
Sozinho nesta imensidão,
Cansado, faminto,
Sem ter você no coração,
Sou só mais um que voa,
Sem ponto de partida,
Destino nem porto,
Sou falho e torto,
Pintura descascando em parede lisa,
És meu vento da tarde, minha brisa,
A luz a me guiar na escuridão,
Meu chão, meu ar,
Teu peito é meu único leito,
Meu ninho, meu lar...
- Thiago Rafael.
Perigoso desejo.
- Thiago Rafael.
Expressão ofuscada.
- Thiago Rafael.
Renascida em memórias de outrora.
- Thiago Rafael.
A brisa decadente.
- Thiago Rafael.
Escolhas e caminhos.
- Thiago Rafael.
O Capataz
- Thiago Rafael.
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