Mesmo hoje sozinho engalfinhando sentimentos árduos por todos os lados do meu aconchego, nada mais vejo se não versos manchados de sangue espalhados pelo quarto, a grossa camada de poeira a cobrir seu rosto no retrato, relatos inibidos pelo vento que aqui deixou de passar, ficaram as angustias e o presente medo, um desfecho repleto de memórias em contra-mão, indo e vindo de um lado a outro, deixo meus passos espalhados por todos os cômodos, pistas que não me levam a solução alguma, um enigma macabro que adorei cultivar, fiz de minha cama um labirinto, onde por amor ou puro prazer me aventuro com os mais diversos seres que por aqui deleitam-se, diga-se de passagem, são todos mais aventureiros que eu, diagnosticado precocemente por gente que se quer sabe meu sobrenome, sabem se quer quais são meus gostos carnais, se prefiro mulher ou homem, animais quem sabe, nada sabem é o que devo confessar, ponho-me muitas vezes a chorar sem motivo aparente, talvez seja o reflexo deprimente de toda essa gente que muito faz sem muito pensar, pensam e nada fazem, se desfazem uns dos outros sem exitar, tornamos-nos criaturas descartáveis, objetos usáveis sem muito valor, desprezar a dor atendendo ao prazer de um momento, ou se quer dar-se o luxo de viver algo bom, sentar-se a beira do mar, deixar fluir nos ouvidos aquele doloroso som, a melodia de uma liberdade que jamais teremos, fruto do que a nós fizemos, prisioneiros andarilhos de um caminho que não nos leva a lugar algum.
- Thiago Rafael.
Nenhum comentário:
Postar um comentário