Sentou-se sob a beira do mar, sentindo as águas indo e vindo a resfriar seus pés castigados, as mãos calejadas a apoiar-se nas sandálias de couro e os finos fios de cabelo a pentear as costas, procura na imensidão do horizonte a sua frente encontrar respostas, cansada de seguir na direção oposta, sem mais forças para seguir errante, ver-se no colo de seu amante, despejar memórias como cinzas ao vento, não houve em sua pele cicatrizes do tempo, no entanto as rosas ferio-lhe mais que as palavras, seus pontiagudos espinhos acobertados pela beleza, trouxeram-lhe outrora vestígios de tristeza, embora seu peito agora respire sossegado, vez ou outra seus sentimentos embriagados, trazem-lhe de volta ao pesadelo de seu passado, sente-se feito pássaro ferido, como quem anda na chuva em desespero, em busca de um abrigo, chegando muitas vezes ao fundo do poço, hoje sorrir ao descrever suas lembranças num esboço, revivendo os sonhos que a vida forçou-lhe esquecer, presta-se ceder ao mundo ao amanhecer, sorrindo livremente como quem acabará de renascer.
- Thiago Rafael.
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