Vinda ela com sua alma despida, composta de luxúria e pensamentos perversos, dizia-me apreciar meus versos mas usava-os como pretexto para ter-me em sua cama, seus lençóis de cetim e a blusa quase transparente, seu sorriso quase florido, recheado com espinhos tão venenosos quanto seus gemidos, ácidos comprimidos de ilusório prazer, eram quase impossíveis, eram invisíveis os seus gestos naturais, dizia ser composta somente por prazeres carnais, ter abdicado de seu coração por não mais sentir, confessou ter cansado de mentir e por tantos outros motivos ainda inexplicáveis, trouxe-se sentimentos claramente descartáveis para o nosso prazer suprir, gritos que ecoavam na madrugada afora, unhas na pele, pelos por toda a casa, um cenário sádico acobertado por um singelo tom de poesia que a doce melodia ilusoriamente nos supria, de tudo fazíamos para não batizar aquele momento de amor, causar-nos dor escondendo por trás da cortina aquela flor que a trouxe, era o que tínhamos, disfarces apernas devo confessar, por muitas noites pôs-me a chorar, lamentando possíveis fins, trágicos dizíamos mas nunca nos alcançou, hoje ainda vivendo incansavelmente, olhamos um para o outro e declaramos versos maldosos, rindo das marcas que nosso estranho conto nos deixou, por incontáveis vezes a duvida já nos tomou, até quando durar, até quando se permitir, até quando preferir chorar de que sorrir?
- Thiago Rafael.
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