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O cadáver.

Prezo neste pensamento moribundo e canibalesco, devorador de sonhos e de melodias, os dedos esqueléticos de uma mão já sem vida, fria e lenta, como o sopro de uma canção tristonha num fim de tarde chuvoso, os galhos secos a gotejar folhas mortas em minha janela, o fraco vento audaciosamente desejando apagar as velas, passos que ecoam pelos corredores que alugam-me o olhar, paisagens mórbidas que vejo por trás das brechas que as cortinas deixam, já sem reflexo, deparo-me frente ao espelho, roupas vazias a caminhar é tudo que vejo, morto devo estar, ou tudo não passa de um sonho longo e prazeroso que estou cultivando expressões em meu rosto neste exato momento que ponho-me a sobre isso pensar...

- Thiago Rafael.

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