Vinda a mim com teus tão curtos fios de cabelo, diante de teus olhos tudo que vejo é um incerto semblante, um figurante a habitar teu ser, deslizando meus ásperos dedos sob a tua face, desfazendo teu trabalhoso disfarce, distanciando de nós o sentimento algoz antes tão presente, dar-nos a chance e ocuparmos o vazio agora restante, não quero eu ser só mais um troféu em sua estante, um nome rabiscado num amarelado papel...
Thiago Rafael
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Abaixo do que pudera ter.
Encara o sangue ainda quente que escorre enquanto crava com sua mente as afiadas laminas de suas falas em meu peito, um doce jeito de dizer-me em sussurro suavemente sobre o musgo sentimento cultivado em nosso leito, vestígio de um feito antes nunca visto, um forte cheiro de medo a impregnar meu olhar ao encarar-te, encarnas-te um semblante bestial cujas emoções não transparecem, minhas antigas esperanças desaparecem diante do teu forçado sorriso, antes tido como seguro abrigo hoje me vejo sem teto enquanto envolvido no teu abraço, gélido quase sem vida, busco na escuridão uma saída para não entregar-me outra vez a solidão...
- Thiago Rafael
- Thiago Rafael
Apenas mais um céu sem cor.
Tão pouco me restou quando o por do sol chegou, perdas naturais quase tão quanto a luz do dia, a expressão no rosto roubada, a alegria desfiada transformada em agonia, era um novo dia e eu ainda chorava, eram pesadas as lagrimas que escorriam de meu rosto encontrando a calçada, sentada em algum lugar ela estava, levou consigo a esperança de um amor que só em mim durou, comigo ficou aquela chama chamada saudade, a vaidade de não querer se sentir só, procurando desatar folgados nós, uma maneira fácil de aliviar a dor, flor negra esta que nasceu onde antes o amor havia, há quem um dia acredite neste conto, talvez eu vá de encontro a um alheio sorriso, este cujas curvas me levem ou tragam-me outra vez de encontro ao abismo que é viver sozinho, passarinho a moldar seu ninho para viver só, sob o mais alto galho da arvore morta, falso sorriso exposto ao brilho do sol...
- Thiago Rafael
- Thiago Rafael
Entre o inexistente.
Entre quatro paredes de uma aparente solidão, quatro aparentes paredes que sozinhas vivem, inexistem pois cegas são, sozinhas sentem-se pois separadas estão, uma questão que intriga a própria solidão, confusa por não entender porque tristonhas vivem, se entre quatro paredes estão, entre o que fora está, dentro do que se sente, como se sentem é a questão, como sozinha estar se paredes não conhecem o gosto da solidão, que razão dar há quem entre quatro convivem, evitar quatro sozinhas paredes seja esta a solução...
- Thiago Rafael
- Thiago Rafael
Nítidos lamentos.
Eram minhas estas lágrimas que em teu colo escorria, minhas estas palmas frias a tocar seu rosto, sentindo o amargo gosto que a tristeza me trazia, a dor que de mim seu leito fazia, era dia mas dormido ainda não havia, estendia em córregos de falsa alegria este musgoso semblante, terra e logo por todo o corpo, encolhido num canteiro de um escuro quarto, estranha acústica a ecoar meus soluços que interrompiam o infantil chorar, quisera em outro lugar estar, sentir o que em outro alguém habita, habitar o sentir que em mim não havia, abdicar a solidão que tarde partira...
- Thiago Rafael
Apenas um sopro num bater de asas.
Que seja breve tanto que o vento leve, leve-me no entanto pesado deixe-me, recheado de bondade que nem mesmo a saudade seja capaz de roubar-me, tirar de mim o beijo que cala-me quando mesmo sussurrante reclamo, clamo em silêncio teus lábios, alados toques que envolvem-me no teu abraço, um colo calado que chame de meu, céu que nos cobre e ainda assim frio nos deixa, observando nossa natureza de sermos sós, quando sozinhos o frio nos deixa, deixa que a solidão se esqueça de nós, a sós somos melhor, melhor que nós só se for três, desta vez deixa nossos pais serem chamados de avós, porque a sós somos bem mais que sozinhos, fazemos dos lençóis nosso ninho, passarinhos de um canto lindo feito só para nós...
- Thiago Rafael
- Thiago Rafael
Metade só.
Chovia mas ainda sol havia, era tarde no entanto ainda cedo, pouco além da metade de um dia, todavia havia o medo, toda vida o medo havia, medo de que talvez a vida não fosse toda, incompletamente vivida, no entanto ainda chovia, o que se via não eram risos, tão pouco lagrimas de alegria, perdia-se sob o gotejo que do céu caia, seguia mesmo sem caminho traçado, errado dizia-se no entanto em controversa ao que seus gestos declaravam, amavam-no no entanto ainda só vivia, o sol que via brilhava menos, a lua mais alegria lhe trazia, silêncio que se extinguia sob a luz do dia, dia este que não acabara enquanto lagrimas de seu rosto escorria...
- Thiago Rafael
- Thiago Rafael
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