Quero de ti o estrago que sejas capaz de fazer a este mundo que construí, reinventar as regras deste paraíso que escupi, materializar versos que de tão inversos chegam a causar invernos no verão de teu ser, florescer matérias no filosófico pensamento sobre o movimento das águas que residem no moinho, amolecer as pedras que de tão desertas secam os rios que cercam os nilos do meu ser, fazer acontecer milagres nas miragens que se formam toda vez que num fim de tarde ensolarada começa a chover, ter a certeza que de todas as estradas incapazes de guiar-me a felicidade nenhuma delas levará-me até você...
- Thiago Rafael
Visitantes
Quem dera-me perder o medo da poesia de viver, sorrir e sofrer sem temer, intenso vibrante libido que anseie o paraíso na companhia de um singelo ser, amadurecer versos nos conselhos velhos, ultrapassar ideias construindo novas intensidades ao sentido da palavra verdade no que se refere ao amor de uma mulher...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Quero sem muita rima preencher essa lacuna que em mim habita, curar feridas causadas pela solidão que teimosamente investe em mim seus afazeres moribundos, dizer ao mundo com singelos gestos qual a real natureza de meu ser, sem ter que provar ou esclarecer, em silêncio sem nada dizer declarar as emoções que dão razão as lagrimas que vez ou outra escorrem em minha face que não aparenta tristeza, este semblante imutável que reside em mim transparece uma personalidade fria e sem gosto pelo que temos como vida, pouco sabem que por trás de cada cicatriz houve uma ferida e que certas dores residem no interior, num lugar onde a dor nunca torna-se alheia e que a razão de persistimos nessa brincadeira de buscar a felicidade é na verdade o sádico desejo de estar sempre renovando os motivos de nosso sofrer...
- Thiago Rafael
- Thiago Rafael
Vestígios e vontades.
Perdi-me para não perder-te, te vi para que chovesse, um imenso céu de tantas cores cinzas, tons de vermelho nas cedas tardes, a inquietude que o sono invade, a saudade que se faz presente na ausência, a malevolência de um imenso curto, no oculto insulto riso que teimas perdidas vezes, entrelinhas e afazeres interruptos no singelo complexo da palavra nós, desatando a fervorosa e feroz vontade de ficar a sós...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Pisoteados pesares.
Estender as mãos para se ter aquilo que se teve sempre por perto, escrever o verso em linhas turvas com palavras alheias, apostar as moedas na incerteza nítida de falsa alegria, recolher a tristeza e a saudade que de tão inquieta chega a ser quente, na frieza que cutuca a gente nas madrugadas chuvosas que tentamos dormir...
- Thiago Rafael
- Thiago Rafael
Nós em um desatado par.
Quero-te não mais que a mim, clamo-te mas em silêncio beijo-me, olho-te por trás do meu reflexo, te invejo na minha sabedoria, sorriu de tua tristeza quando choro de tua alegria, alérgico a tua boca que tanto foi minha, esvaio-me do teu abrigo que residem meus lençóis, um nós tão sozinho quanto a palavra eu, sou teu não mais que meu, céu não mais que terra, incerta ceta que aponta-me caminhos guiando-me aos seus, és meu teu nosso entender, na calada tarde que insiste em chover lágrimas tuas em turvas feições do meu ser...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Rotina.
Trás pro colo o bocejo calado, mais um trago no refrigerante quase sem gás, a mão que leva não é a mesma que trás, mania incerta de seguir caminhos desiguais, vendado a beira de um precipício leito, consolar as águas que dormem no pote de barro feito, beijar a testa no desejar de boa noite, esquecer as marcas nas costas depois do açoite, a madrugada reclama o sono moribundo, acordar cedo é preciso pois lá fora há um mundo chamando-o de vagabundo...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Tragos e estragos.
Não é céu sobre nós, são lençóis de carnes alheias numa orgia desenfreada de socos e pontapés, confusão de afazeres numa republica recheada de mulheres, harém de líbidos que de tão ferventes expulsam do abrigo os singelos pensamentos alheios de um curioso alguém, ninguém olhou-se no espelho antes de dizeres que lá fora tudo estava bem, chovia mas ainda havia o sol e na cantina a ladainha da criançada perturbava o sono, chegara em casa nas primeiras horas do dia e de tanta alegria o sonho reclamava o gozo, o gosto de um aquecido lábio que não festeja mais...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Ressaca.
Neste raso imenso de possibilidades turvas, curvas de um atalho aparentemente breve, leve pluma que sobrevoa a narina prestes a espirrar, empinar o olhar rumo ao céu que de tão cinzento causa o medo, chego ao anoitecer em teu leito e nada vejo pois não mais estais, penso que errei pois lá tu deverias estar, caso as ideias pares e impares de minha confusão alheia, o ódio a pulsar na veia por tantas tardes entregues ao vicio de um sol sozinho prestigiar, lugar este cá estou sem ti e partir sem ter onde chegar, alcançar o mar com a ponta dos pés, fazer jura as marés que tão amantes são que o próprio coração do mar já repousou seus amores, cansado de tanto chorar...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Reflexos.
Afogo-me no raso leito de seus macios lábios,
Entrego-me fácil ao libido proibido de teu ser,
Ter uma história moldada com as próprias mãos,
Consulto-lhe o peito e não encontro teu coração.
Disse-lhe em tarde do anoitecer,
Teu ser a mim é como sonho,
Ponho-me na ciência do impossível,
Que nem em sonho alcançarei você.
Ainda que a boca reclame a outra,
O corpo grite em forma de gemidos,
Serei alheio em teus pensamentos espremidos,
Algo distante de acontecer.
Dizia-me o clarão do luar depois de tarde quente,
Não haver espaço entre a gente na palavra nós,
Atados em diferentes punhos de redes comportando apenas um,
Estando juntos e ao mesmo tempo sozinhos em diferentes ninhos.
- Thiago Rafael
Entrego-me fácil ao libido proibido de teu ser,
Ter uma história moldada com as próprias mãos,
Consulto-lhe o peito e não encontro teu coração.
Disse-lhe em tarde do anoitecer,
Teu ser a mim é como sonho,
Ponho-me na ciência do impossível,
Que nem em sonho alcançarei você.
Ainda que a boca reclame a outra,
O corpo grite em forma de gemidos,
Serei alheio em teus pensamentos espremidos,
Algo distante de acontecer.
Dizia-me o clarão do luar depois de tarde quente,
Não haver espaço entre a gente na palavra nós,
Atados em diferentes punhos de redes comportando apenas um,
Estando juntos e ao mesmo tempo sozinhos em diferentes ninhos.
- Thiago Rafael
C@lados.
Quanta tolice a minha te olhar silenciado enquanto tuas mãos fugiam das minhas e deslizante pelo meu corpo mapeava cada curva de mim alinhando seus olhos com o intimo que ereto encarava-lhe igualmente, a feição gélida e paralisada a qual se pôs por vários instantes nas idas e vindas da maciez de teus lábios na intimidade rosada que a deixava calada, selada por um desejo intenso que de tão ardente fazia-me travar os dentes em tua nuca na primeira oportunidade quase perpetua que a tive de costas a mim, teu cabelo mediano que envolvido entre meus dedos pressionados uns aos outros firmemente a impulsionava para trás deixando-lhe empinada e ofegante, instantes de idas e vindas com intimidades falantes que reclamavam uma o toque da outra e de tão gritante o desejo fez-me leva-lo a tua boca onde por minutos outra vez calada encarou-me e mesmo sem o interesse de sorrir você expôs os dentes mas outros fins lhe pertencia e aquele toque de sua boca macia deu lugar a leves mordidas no intimo que de certo modo assustado escorreu de sua boca e auxiliado pelos braços pus-lhe de lado e assim a penetrei outra vez, a tua perna colada em meu peito e meus dedos a percorrer tuas coxas faziam-lhe ocupar a boca com gemidos ácidos que ao encarar-te vez ou outra impulsionava-me a ferozmente avançar sem perguntar-lhe o desejo, estranhamente tais bruscos gestos alcançou-lhe de um jeito que o ofegante sorriso deu lugar a altos gemidos e os vizinhos que de tão incomodados desejavam em pensamento ocupar meu lugar ou ao menos ao nosso lado estar, observando aquela mistura sagrada de suor, dor e poesia que para nossa alegria transbordou-lhe no peito jatos visgosos e com um dos dedos retirou-lhe parte desta cobertura e levou-lhe a boca sem nenhum vestígio de vergonha ou medo...
- Thiago Rafael
- Thiago Rafael
Inquilinos.
Com estes recortes tão banais que tentamos montar uma bela história de amor que nunca tramitou entre os corredores de nossos ecoantes corações, vazios de emoções que se quer a tristeza pôde nos conhecer, mesmo sendo estranho concordar com o nosso jeito de ser foi divertido te ter só para suprir o ego de familiares, de mãos dadas em tantos lugares e a cabeça tão distante daqui, você no seu colorido ninho de águias que descrevia daquele diário que sem você saber eu li e eu por outro lado no meu labirinto musgoso cheio de entrelinhas que visto do alto moldavam o rosto da pessoa amada que de tão imaginária nem forma humana possuía, não sei descrever se foi de tristeza ou de alegria que sorri com tua partida, tida com falsas lágrimas que corriam ferozmente pelo meu rosto como numa peça de teatro que o bom moço reclama a morte de sua amada, você se foi armada por um desejo imenso de ficar sozinha e eu aqui na cozinha chorando ao cortar cebolas tenho o amparo de pessoas que desconhecendo nosso estranho jeito de ser me dizem em tom sussurrante que tudo vai passar e outra vez eu terei você comigo, tolices confesso ao meu amigo diário que compro-lhe todas as tardes por ser o único sentado na calçada de uma rua repleta de lares e vazias de pessoas...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
Enganada.
E quem de mim a vida tirou,
Chorou pois por mim de amores viveu,
Reviveu outrora marcante,
Encontrando em mim sentimentos que esqueceu.
Deixando as chaves de alheios risos,
Pisoteando o coração que tanto sofreu,
Fez do intimo estranho abrigo,
Que tantas noites o amor rompeu.
Quis ser romeu sem julieta,
Ser natureza sem o chover,
Olhar o céu no anoitecer sem estrelas,
Esquecendo que apedrejou igrejas.
É renegada em qualquer via,
Qualquer estrada,
Saboreando migalhas,
Disfarçada de paixões sobreviveu.
- Thiago Rafael
Chorou pois por mim de amores viveu,
Reviveu outrora marcante,
Encontrando em mim sentimentos que esqueceu.
Deixando as chaves de alheios risos,
Pisoteando o coração que tanto sofreu,
Fez do intimo estranho abrigo,
Que tantas noites o amor rompeu.
Quis ser romeu sem julieta,
Ser natureza sem o chover,
Olhar o céu no anoitecer sem estrelas,
Esquecendo que apedrejou igrejas.
É renegada em qualquer via,
Qualquer estrada,
Saboreando migalhas,
Disfarçada de paixões sobreviveu.
- Thiago Rafael
Foi-se.
Maltratou-me feito ultimo vestígio de tinta na mão do escritor, fez nascer dor onde havia amor, trazendo-me de volta as lagrimas que deixei para trás um dia, agora extinta alegria que melhorava o semblante, fez-me neste instante querer do céu tirar a cor, trazer o anoitecer que conforta o ser tristonho, madrugada e o abandono na companhia da chuva, rasa e calada que mal se houve, mal se ver, talvez você pudesse de volta trazer do céu o azul, o amor que prometes-te ao levantar o véu, agora em versos tento descrever o que a feição não diz, vomitando letras em um amarelado papel...
- Thiago Rafael
- Thiago Rafael
Eras de quê?
Era de poesia que meu corpo faltava,
De poesia que meu corpo dizia,
Que meias metades tarde mas cedinho do dia,
A alegria de quando chovia com o sol no alto do céu.
Era de mel que no beijo o gosto sentia,
De um doce estranho gosto que faltava,
Que maltrata quando faz falta,
A boca macia que toquei um dia.
Era do gozo que reclamava o intimo,
De pouca carne tua que em minha mão cabia,
Que me entupia a boca na pouca luz do abajur,
A intimidade rosada e macia.
Era do colo que reclamava o choro,
De salgadas lagrimas que dos olhos alcançava a boca,
Que fazia-me outro durante a insônia em madrugada fria,
A mentira que no rosto escupia.
Era da saudade que eu sentia,
De tua ausência a prover o silêncio,
Que o vento deixou de soprar,
A voz tua antes feito fantasia.
Era de que há,
Era do que é,
Era da que foi,
Nada do que será...
- Thiago Rafael
De poesia que meu corpo dizia,
Que meias metades tarde mas cedinho do dia,
A alegria de quando chovia com o sol no alto do céu.
Era de mel que no beijo o gosto sentia,
De um doce estranho gosto que faltava,
Que maltrata quando faz falta,
A boca macia que toquei um dia.
Era do gozo que reclamava o intimo,
De pouca carne tua que em minha mão cabia,
Que me entupia a boca na pouca luz do abajur,
A intimidade rosada e macia.
Era do colo que reclamava o choro,
De salgadas lagrimas que dos olhos alcançava a boca,
Que fazia-me outro durante a insônia em madrugada fria,
A mentira que no rosto escupia.
Era da saudade que eu sentia,
De tua ausência a prover o silêncio,
Que o vento deixou de soprar,
A voz tua antes feito fantasia.
Era de que há,
Era do que é,
Era da que foi,
Nada do que será...
- Thiago Rafael
Instantes Inquilinos.
Então certa tarde o sorriso moreno alcançou-me quando morrendo pela desventura de sozinho neste rumo seguir, estava prestes a de mim desistir, sua natureza mista composta por uma salada de sentimentos, estranhos ventos que sopram em direções opostas dentro de si mesma, sua voz roca gostosamente soava em meus ouvidos feito o zumbido de um gemido quando tocada a boca em nua nuca, nunca em mim tornou-se fruto o fácil deslumbre que tomou-me quando confiante foi permitindo-me o intimo conhecer, trouxe aos meus olhos o deslumbre de teu ser envolvido em contos medievalmente proibidos, tua cavidade sombreada escupida em distintas palavras que sopravam-me os ouvidos quando fixos os olhos prestigiavam-te prestes a amanhecer, a chuva inquilina que interrompia-me a musica serena que ouvira enquanto com você conversava, remetia-me lembranças de outrora desejada, quando cruzados nossos olhos naquela estrada de barro que dividia uma via da outra, você de costas partindo rumo ao teu ninho, eu de cá mordendo os lábios desejando com os dentes arrancar a tua roupa, ouvir outra vez tua voz roca dizendo-me sim's e não's embaraçosos que perdiam-se no estalar dos ossos que encostados os teus nos meus produziam incansáveis poesias, não havia tempo para notar o que fazias mas num estalo de dedo feito ao pé do ouvido, trouxe-me de um estranho jeito de volta a vazia vida que me cabia, embora no rosto expressões de alegria, a intimidade gritava teu nome e em minha mente tuas curvas a imaginação escupia...
- Thiago Rafael
- Thiago Rafael
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