Quanta tolice a minha te olhar silenciado enquanto tuas mãos fugiam das minhas e deslizante pelo meu corpo mapeava cada curva de mim alinhando seus olhos com o intimo que ereto encarava-lhe igualmente, a feição gélida e paralisada a qual se pôs por vários instantes nas idas e vindas da maciez de teus lábios na intimidade rosada que a deixava calada, selada por um desejo intenso que de tão ardente fazia-me travar os dentes em tua nuca na primeira oportunidade quase perpetua que a tive de costas a mim, teu cabelo mediano que envolvido entre meus dedos pressionados uns aos outros firmemente a impulsionava para trás deixando-lhe empinada e ofegante, instantes de idas e vindas com intimidades falantes que reclamavam uma o toque da outra e de tão gritante o desejo fez-me leva-lo a tua boca onde por minutos outra vez calada encarou-me e mesmo sem o interesse de sorrir você expôs os dentes mas outros fins lhe pertencia e aquele toque de sua boca macia deu lugar a leves mordidas no intimo que de certo modo assustado escorreu de sua boca e auxiliado pelos braços pus-lhe de lado e assim a penetrei outra vez, a tua perna colada em meu peito e meus dedos a percorrer tuas coxas faziam-lhe ocupar a boca com gemidos ácidos que ao encarar-te vez ou outra impulsionava-me a ferozmente avançar sem perguntar-lhe o desejo, estranhamente tais bruscos gestos alcançou-lhe de um jeito que o ofegante sorriso deu lugar a altos gemidos e os vizinhos que de tão incomodados desejavam em pensamento ocupar meu lugar ou ao menos ao nosso lado estar, observando aquela mistura sagrada de suor, dor e poesia que para nossa alegria transbordou-lhe no peito jatos visgosos e com um dos dedos retirou-lhe parte desta cobertura e levou-lhe a boca sem nenhum vestígio de vergonha ou medo...
- Thiago Rafael
Visitantes
Inquilinos.
Com estes recortes tão banais que tentamos montar uma bela história de amor que nunca tramitou entre os corredores de nossos ecoantes corações, vazios de emoções que se quer a tristeza pôde nos conhecer, mesmo sendo estranho concordar com o nosso jeito de ser foi divertido te ter só para suprir o ego de familiares, de mãos dadas em tantos lugares e a cabeça tão distante daqui, você no seu colorido ninho de águias que descrevia daquele diário que sem você saber eu li e eu por outro lado no meu labirinto musgoso cheio de entrelinhas que visto do alto moldavam o rosto da pessoa amada que de tão imaginária nem forma humana possuía, não sei descrever se foi de tristeza ou de alegria que sorri com tua partida, tida com falsas lágrimas que corriam ferozmente pelo meu rosto como numa peça de teatro que o bom moço reclama a morte de sua amada, você se foi armada por um desejo imenso de ficar sozinha e eu aqui na cozinha chorando ao cortar cebolas tenho o amparo de pessoas que desconhecendo nosso estranho jeito de ser me dizem em tom sussurrante que tudo vai passar e outra vez eu terei você comigo, tolices confesso ao meu amigo diário que compro-lhe todas as tardes por ser o único sentado na calçada de uma rua repleta de lares e vazias de pessoas...
- Thiago Rafael.
- Thiago Rafael.
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