Ainda assim vou, mesmo que no fim esteja só, que me olhem com essa amarga face de dó, dando um nó em minhas memórias, expostas feridas nas marcas baratas que vestem este corpo imóvel, afago no copo encrustado de ideias, dizendo o não dito em silêncio, sufocando a minha mania de querer falar bonito, perdendo o tempo que prometi não perder, correndo quieto de braços abertos, na dor confusa que desmente os meus sentidos...
- Thiago Rafael
Visitantes
Sem ter o que parecer nobre.
Era fria aquela noite, no silêncio de suas quatro espiãs imoveis, encarava no escuro os móveis de velha madeira, uma hora inteira de reclamações tentando dizer a si mesmo o que as canções no fone de ouvido não diziam-lhe, espremido frustadamente tentou acolher-se em sua mente conversando consigo mesmo, mesmo que parecesse loucura, parecia-se bem mais uma cura confiar em si mesmo mais uma vez, calmo deixou-se alcançar-se pela inquietude das primeiras horas do dia, esvaído de alegria caminhou entre os cômodos, sufocado pelo incomodo que o silêncio fazia ao ecoar seus passos, estalos e quebradiços desejos, hora fome outra sono, fez-se outra noite vitima de seu próprio abandono, deixou-se dormir ainda a tarde acordando outra vez nas primeiras horas do seguinte dia...
- Thiago Rafael
- Thiago Rafael
Cem voltas.
Por mais que vivamos esses curtos momentos líquidos, mesmo que os fluidos do encanto se percam em cada canteiro de brigas, a nossas voltas e idas são menos dolorosas que a definitiva partida, esvai a saudade o acolher dos teus lábios, são rasos leitos onde confio me debruçar, encarar-te ao claro sol do dia, depois de intensa madrugada fria, tratar com alegria o que podia ser tristeza, vinda madrugada lenta sob o som da natureza, sem mais frieza entre os braços que envolvem e o colo calado que socorre o sono que acolhe o meu desejo de chegar...
- Thiago Rafael
- Thiago Rafael
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