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Fera ferida.

Como num caminhar sussurrante você veio de encontro aos meus aflitos olhos, seu transparente véu acobertada suas expressões venenosas, ao longe observava seu sorriso de navalhas que apunhalava-me cada vez mais profundo a medida que se aproximava, ao ceder a mascara e encarar-me com seus negros olhos uivantes, vir-me naquele instante tomado por uma insegura sensação, um frio em todo corpo que nem a mais severa estação pudera causar-me tamanha dor, uma acidez nas palavras emitidas com pitadas de ironia e rancor, o aço fervente de suas laminas cravadas até que o punho fosse possível sentir, deixou-me sem ultimas palavras ao partir, vieste verdadeiramente mal intencionada de tal modo que mesmo se amordaçada, sua respiração teria mesmo tom agonizante, hoje sou apenas mais um troféu em sua estante, um objeto sem valor algum, dentre tantos outros o mais comum, aquele cuja origem dizes ser de nenhum lugar, mas soubeste desde que teu uivante olhar fixou-se em mim, tua presa, que por descuido da natureza eu seria teu bem mais precioso, um alguém cujo teu coração sentiria seguro em encorar, mas muito lhe vale o orgulho que o amor, pois em uma vez quem sofre por tal sentimento, não deseja em vida sentir-se igualmente o sofrimento, que ao partir o mesmo a deixa, o teu ei de ser apenas mais um cansado, que ao dizer não assume menor fardo, viver de encontro solidão.

- Thiago Rafael.

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