Visitantes

De encontro ao acaso.

Por tantos dias e noites encarei o céu desejando que todo mal do mundo caísse sobre mim, era tristonho e tinha a vida como um traço ofuscado, uma poesia em negrito, meu sorriso aflito dizia coisas aos olhos de quem me observada, deixando-me exposto as interpretações de quem já não me amava, meus rebeldes sentimentos que entravam em contra-mão todo tempo deixava-me cada vez mais instável, insuportável devo assumir, vir-me muitas vezes caminhando sem ter onde ir, fisgando alheios sorrisos numa frustrada tentativa de ir de encontro ao paraíso, até que um dia sentei num banco de praça e esperei, esperei e depois que as pernas já não tinham forças para caminhar, que meu rosto não havia expressão e que toda a razão daquele momento havia esvaído de mim, você chegou, seus olhos cor de mel encaravam-me de um doce modo, suas mãos frias tocaram-me o rosto e sua voz meu coração, como num intervalo entre o piscar dos olhos você trouxe-me outra vez razões, vir-me tomado por emoções que aceleravam-me o peito enquanto com o seu jeito contou-me pouco sobre o dia a dia, a alegria que tomou-me era tanta que domado por uma estranha insegurança sentir-me outra vez criança ao lado de seu primeiro amor, você é como um riso num fim de tarde chuvosa, a resposta de um caça-palavras, a chave que abre a caixinha de segredos, é o resumo do meu desejo de ser feliz, é tudo que eu sempre quis, agora conte-me o segredo de sua vida, quais os caminhos que devo seguir para de igual modo fazer-lhe sentir o que em mim reside neste momento, pois corro contra o tempo e vê-la sorrir é tão precioso quanto dizer-lhe a verdade, que toda essa minha ansiedade é a ausência tua que deixa-me assim...

- Thiago Rafael.

Nenhum comentário:

Postar um comentário