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Entre passagens.

Calaste-me mas não fiqueis em silêncio, fez teu medonho império o meu sorriso moribundo, vagabundo e órfão sentimento, maldoso desejo movido pelo negro vento, uma cortina de fumaça em meio a selva de pedra, encarando meus frágeis vestígios frente ao quebrado espelho, vejo que tão pouco sopro de vida me resta, cá cabisbaixa encarando o café a tanto já gelado, do outro lado vizinhos fazem a festa, é chegado um novo ano e meu canteiro de memória sucumbe ao desengano de outrora festiva, quando jovem nas minhas idas e vindas, furei o sinal vermelho na curva de encontro a razão, fui pego no desespero, no aconchego de um acelerado coração, alheio e tão empoeirado, deixando facilmente um rastro ao deslizar meus olhos por suas morenas curvas, olhos profundos e negros, um estranho sombreado encantador, o seu bocejo quase causou-me uma dor, vir-me sorrir e peguei-me no sono soletrando a palavra amor, mas o silêncio é breve e nas madrugadas as horas são apenas segundos, logo vir-me regressar ao mundo, onde o sol no céu não impede que da noiva o véu com a chuva seja molhado...

- Thiago Rafael

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