Hoje eu quero simplesmente sentar e encarar a máquina de escrever enquanto as palavras que usufruo para descrever-lhe soam quase tão pesadas quanto os pingos da chuva que caem nesta manhã, o sol lá fora me parece mais tímido que nos outros dias quando você esteve aqui comigo, a nitidez da musica parece ofuscada por uma distração que move-me de um canto a outro da casa sem deixar-me ciente das razões que levaram-me a deixar de lado meu livro predileto e afogar-me neste texto tão composto de você e tão ausente de mim, a medida que os dias vão passando e em mim cada vez mais presente a tormenta que pouco a pouco vai ficando cada vez mais densa, não creio fielmente que a razão de minha existência resuma-se a um tristonho fim sem frutos proveitosos para o amanhã, outro dia, outra manhã, desta vez mais ensolarada, mais recheada de pensamentos positivos e de um distinto sorriso que pertence somente ao meu semblante, neste instante você vem de encontro aos meus olhos e tudo que posso é sentir seu abraço acolhendo-me, dizendo-me sobre o universo de saudades que domou-lhe na ausência de minha voz em seus ouvidos, a musica que havia transformado-se em zumbido e a falecida beleza do cantar dos pássaros, por hora de um lado a outro de sua casa ficava a contar seus passos, quase tomada pela loucura viu-se mergulhando feito eu numa amargura que rouba-lhe o pouco ar que circulava em seus pulmões, dois tristões optando por caminhos opostos contra a própria vontade e no calor da ansiedade vindo de encontro um ao outro, tocando mãos, busto e rosto até que o cruzar dos lábios nos silenciasse com o mais prazeroso gosto...O amor.
- Thiago Rafael.
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