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Galhos secos.

As escuras meu peito grita sangrante, enamorado pelo meio amor de uma noite lenta e fria, lá fora meus olhos observam com horror a crescente agonia ao encarar-me frente ao espelho, aqui dentro com os olhos fechados sinto a suavidade do silêncio moribundo que atordoa-me os sentidos, deixando-me desorientado e esvaído dos pensamentos que remetem-me tristezas de outrora, crescem raízes nos meus imóveis pés e um asqueroso lodo em minhas canelas, estou parado frente ao meu semblante refletido sem ir de encontro a nada que me eleve ou me distraia, estou entregue as baratas e aos corvos que no ponto mais alto de mim fazem seus ninhos, ecoando em meus ouvidos seus sussurros canibalescos, alimentando-se dos meus restos mortais, ali permaneço, entregue ao decadente estado de putrefação em que meu corpo encontra-se ao ter sido domado pela solidão que causou-me a primeira insônia de minha vida, desde então o branco de meus olhos deu lugar a vermelhidão, já não enxergo um palmo a frente, me resumo a coração e mente, conjuntos opostos diariamente confrontando para quem sabe um dia por domínio de um possa eu regressar ou seguir, ter meus dias preenchidos pela tristeza ou pela alegria.

- Thiago Rafael.

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