Não sei por onde dar os primeiros passos, a tão pouco a dizer sobre você mas ainda assim consigo imaginar vários parágrafos de um livros descrevendo pouco de sua essência sem ao menos aproximar-se de seus pensamentos e emoções, você é inflexível e ao mesmo tempo sabe bem como esgueirar-se no jogo que te impuseram jogar, você tem de parecer empática mas ainda assim preserva em seu olhar sua imposição a qualquer tipo de simpatia forçada, imagino o quão torturante seja para você olhar-se no espelho toda vez que vai ao banheiro nos curtos intervalos entre várias conversas com desconhecidos a distância onde seus rostos não ver e aqueles ainda mais desconhecidos que deseja dia pós dia inúmeras boas tardes e noites, não tão boas quanto as oportunidades em que ver-se entregue ao silêncio de sua mente e ecoa as insanidades e perversões que arquiteta constantemente, é nítida a ácida saliva que escorre no canteiro de sua boca quando encolhe o alcance de sua visão aproximando-se cada vez mais do intimo coberto pelas éticas vestes de seus colegas de trabalho, não importa o sexo você está sempre faminta, como uma besta selvagem em busca de alimento você visa saborear o cheiro do intimo alheio sob seus lenções a muito maltratados pelos joelhos de quem rende-se aos seus sádicos manifestos, sua postura intimamente dominadora e seu sedento desejo de submeter as pessoas a humilhar-sem diante dos seus olhos passa tão facilmente despercebido diante de quem depara-se com sua imagem mista de fragilidade e agressividade, vestes com cores claras e sua pele tatuada, as unhas pintadas de azul bebê e uma sombra forte e negra em seus olhos, sua constante oscilação de expressões e como muda seu timbre quando abordada indelicadamente por quem sente-se próximo abraçando-a sem nenhuma permissão, não sei como tantos a tua volta não percebem esta sua acidez e como você de forma tão tola crer convencer a todos mas creio que este disfarce tenha chegado ao fim e consigo notar em seus trêmulos olhos como isso a assusta, imagino quanto tempo levou para que construísse esta imagem com seus colegas de trabalho mas não preocupe-se, apesar de ter muito a ganhar não vejo a necessidade de expor-lhe de tal modo uma vez que tenho mais a ganhar tendo-a como aliada em minhas ações quase tão similares as vossas que chego a perguntar-me se somos fruto do mesmo ventre, não pelo mesmo sangue mas a mesma realidade que motivou-me a ser quem sou imagino que tenha alimentado-a com os mesmos insanos desejos e pensamentos que recheiam minha oculta personalidade, como alguns religiosos costumam descrever em suas confissões, somos a personificação do mal.
Passava-se da meia noite, era um de nossos últimos dias de trabalho semanais, tínhamos como últimos por interpretarmos nossa folga como o recomeço de um constante castigo que havíamos concordado após assinando um contrato que condenávamos a um comportamento intimamente incoerente com nossa natureza, em um de nossos intervalos a levei ao canteiro do refeitório onde contra a parede a perguntei sobre seu compromisso naquela noite, ela disse-me sobre um possível encontro com um de seus parceiros sexuais, em tom firme ordenei-lhe a cancelar o compromisso, tinha algo em mãos muito mais interessante e intenso que uma mera transa, apensar de não fugir muito do interesse de outro intimo o meu era imensamente mais merecedor de seu suor sob os pelos que cobriam um curto pedaço do meu corpo, ela tentou exitar insistindo não poder cancelar mas por fim aceitou minha ordem e minutos depois sinalizou-me no setor que havia sido cancelado o compromisso, ao final do expediente aguardei-lhe um pouco distante dos portões para que nossos encontros permanecessem sem muita visibilidade, não era a intenção dela e tão pouco minha tornar nosso envolvimento público mas conhecíamos o risco e isso de alguma forma instigava-nos sexualmente, lembro-me na sua ausência de como mordia os lábios e como brilhavam seus olhos todas as vezes que abria a porta de meu carro olhando para um lado e para o outro numa tola tentativa de não ser notada, naquela noite a levei a um restaurante não muito conhecido e de pouco requinte mas que servia-me muito bem como se o curto consumo que ali prestava-me a gozar fosse igual ao de membros da alta sociedade nos lugares que costumam frequentar, não é novidade que alguém como eu cujo punho sexual seja dominador aprecie esta forma de cortesia, não levou muito tempo até que meu intimo falasse mais alto que minha fome dando fim ao falso romantismo que exalava aquele jantar, a trouxe logo em seguida para meu quarto onde por um curto tempo exitei despi-la deixando-a confortável a caminhar entre os quadrados azulejos que simulavam um piso de madeira, ela encarava cada objeto de meu quarto como se familiar fosse mas aquela seria sua primeira vez ali, havia gozado sob seus seios várias vezes mas sempre em motéis baratos ou no banco traseiro de meu carro, naquela noite queria deixa-la pensar que havia conquistado algo, que estaria tornando-se intima, próxima afetivamente, ela então decidiu fazer-me companha sob a cama como a muito tempo eu já estava deitado observando-a, ainda vestida ela engatinhou até próximo de minha cintura debruçando em seguida seus seios não muito fartos sob a palma da minha mão, aparentemente intencionalmente mas optei por fingir que havia sido sem perceber, esquivei a palma de minha mão de seus seios levando-a ao meu rosto onde ajeitei o cabelo e em seguida a beijei suavemente sem muito fervor, mesmo após recuados os lábios ela permaneceu por alguns segundos com os olhos fechados abrindo-os em seguida muito pouco quase não permitindo-me vê-los, sorriu e logo em seguida sentou-se a beira da cama, retirou as meias e desta vez descalça seguiu em direção aos meus pés, retirou meus sapatos, as meias e iniciou uma massagem não tão longa quanto gostaria, nitidamente fez isso por puro charme mas até que funcionou, conseguiu deixar-me confortável a desviar o olhar de seu corpo levando meus olhos ao teto onde ali permaneci fixado durante toda a massagem.
Já passava-se das três da madrugada, acenando com os lábios a convidei a beijar-me, engatinhando sob minhas pernas com suas palmas e joelhos um de cada lado do meu corpo seguiu em direção a meu peito onde beijou-me primeiro, em seguida o ombro e por fim o pescoço antes de beijar-me finalmente, levei os dedos aos botões de sua camisa deixando-a despida em poucos segundos, poupei-a dos meus joguinhos preliminares levando-a diretamente a uma constante troca de caricias e de íntimos beijos, era possível sentir o antecipado gozo escorrendo em meu queixo sempre que a penetrava com a língua, seu intimo rosado florescia um forte tom de vermelho escurecendo cada vez mais a medida que alcançava-lhe mais intimamente, em minha mente era possível materializar todos os momentos posteriores a seus três primeiros gozos em minha boca, vendei-lhe amarrando-a em seguida pondo por fim uma coleira em seu pescoço, ela diferentemente do que imaginei não reagiu a minha dominação mostrando-se apta a submissão naquela noite, não questionei-a afinal era minha intenção vê-la ajoelhada diante de mim bem como ela fazia a outros sob seu comando, ascendi algumas velas apagando a luz em seguida, a pouca iluminação deixou-a mais a vontade, de alguma forma as pessoas sentem-se mais relaxadas a gemer no escuro, confesso que a cada passo que dava impondo minha dominação decepcionava-me mais a fácil submissão daquela tão temida dominadora o qual fantasiei em várias masturbações uma verdadeira luta de gladiadores para ver quem ao final dominaria quem.
Chegando a desacreditar dos rumores a materializei como submissa e assim prossegui até que num instante em que retirei-lhe as amarras sem que pudesse esquivar a palma de sua mão acertou-me o rosto brutalmente levando-me ao lado oposto da cama onde em seguida vi-me sem tempo de reagir sendo amarrado a minha própria cama, quão tolo fui ao pensar que aquela mulher deixaria de lado sua postura dominadora por estar debaixo de um tento distante de seus lençóis, vi-a pegando uma das velas ao redor da cama levando-a sob meu corpo, pingando sob as mais sensíveis partes, era possível e previsível que feridas brotassem nestes lugares momentos após aquele, suas unhas não muito curtas cravadas em minha pele faziam gotejar sob meus lençóis a vermelha vitalidade que esvaia-se de mim, seus caninos cravados em minhas coxas, costelas e ombros, as marcas de seus dedos em cada centímetro do meu corpo, meus olhos expostos a cada sádico ato sem que me fosse concedido o direito de permanecer de olhos fechados, não senti se quer por um instante o intimo ser tocado, foi como se estivesse sendo desprezado, inutilizado, de alguma forma ela queria provar-me que minha virilidade de nada valia uma vez que a minha vaidade havia a subestimado, seu comportamento ácido e constantemente faminto por tortura excitava-me bem como lá no fundo parte de mim estava com frio, assustado e implorando o colo de alguém cujo carinho gratuito estivesse a meu dispor, desejei inúmeras vezes fugir da dor causada a mim e até tolamente desejei por fim ao momento mas finalmente chegou sem que o sol estivesse nascido, pegou seu vestido e saiu sem muito dizer, deixou-me amarrado sob a cama, claro, não demonstrou um pingo se quer de piedade, cordialidade ou qualquer gentileza, sua sádica natureza levou-a a cumprir seu instinto e como um lobo antes faminto bateu a porta saciada...
- Thiago Rafael.
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