Como se áxilo fosse, meu corpo envelheceu no teu, como se exílio fosse, corpo que se esqueceu de mim, me vi assim entregue as esquinas de meu travesseiro, contornado sono pelas pontas dos lápis de insônia, medonha melodia de lágrimas nas lacunas da face, meu disfarce não mais oculta as vestes de aprendiz, sou fruto do que muito se diz sobre quem chora, a felicidade não sei onde mora, que morra assim mi'vida embora cultive esperança, ao lembrar-me em outrora sorriu feito criança, são caras as dolorosas lembranças, quando sangro gotejo dramas, o meu suor tem cheiro de medo, de olhos fechados temo mais de que o que vejo, perturbador não é o mundo, o escuro de minh'alma é pesadelo, caminho becos afora cortejando cacos de vidro, a sola do pé sofrido em suas cavidades e linhas escrevem a sozinha estrada, longa e um tanto amarga, esqueço de tudo isso ao gozar dos dez primeiros goles de vinho, contínuos e sem temor, o tenor de minha ecoante voz pelos vazios cômodos, não me trazem mais os antigos incômodos, nasci, cresci e morrerei na dor, embora de amores ainda goze, há quem de mim assim goste, sozinho o cravo reside ao lado da flor...
- Thiago Rafael.
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