Eram poucos os segundos que restavam-me naquele fúnebre instante, as silabas cortantes de cada palavra por teus lábios lançadas de modo sussurrante, os negros olhos refletidos no espelho e a pouca luz a confundir-me os sentidos, gaguejante e inibido de arrependimento, por um momento vir-me objeto de sua estante de ilusões, um troféu recheado de negras memórias, as melodias que se formam no cair das lágrimas sob a mesa de madeira, a trêmula xícara de café a tanto já gelado, os rastros da maquiagem em sua face despindo todo o disfarce que durante anos acolheu a nós dois, podíamos seguir adiando este momento para depois, mas ambos os corações exaustos de tanto encarar-sem-se no espelho e forçadamente evitar o fim perpetuando aquela tristeza tão presente quanto outras emoções...
- Thiago Rafael.
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