Visitantes

Tempos.

Sentado a beira de uma velha mesa de madeira já surrada por pontas de facas, marcas passadas impressas bem como em minha face, um disfarce que o tempo faz questão de desvendar, já antigo amigo foi severo e fez-me resto de um corpo cujo domínio não cabe a mim decidir, ouvindo constantes estalos durante o caminho, uma canção a compor sozinho embalado pelos traços de velhice, quem dera a fonte da juventude existisse, seria escravo perpetuo desta maldição, por ventura do destino a velhice abriria mão e me entregaria a juventude de um coração cuja paixão tivera sido eternizada, seja sob a luz do dia ou no encanto do frio da madrugada, os olhos de minha amada e seus lábios a imitarem o encanto do mel, faz-me escrever estes versos num surrado papel, depois de muito encarar o céu e a mente torturar, vi que não chegarei a nenhum lugar se da vida eu insista em reclamar, seja eu jovem ou velho, belo ou por ventura desfigurado, no eixo ou desajeitado, só cabe a mim o meu viver julgar, pois se comigo não seja satisfeito, não importa com qual aparência esteja, não me encontrarei em nenhum lugar, seja no leito de um coração apaixonado ou afogado numa mesa de bar...

- Thiago Rafael.

Nenhum comentário:

Postar um comentário